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Esporte de homem? Como é ser mulher skatista no Brasil rumo à Olimpíada

Virgínia Fortes, skatista de street da seleção brasileira - Julio Detefon/Divulgação
Virgínia Fortes, skatista de street da seleção brasileira Imagem: Julio Detefon/Divulgação

Debora Luvizotto

Do UOL, em São Paulo

14/08/2019 12h00

A 344 dias da estreia do skate como modalidade olímpica nos Jogos de Tóquio-2020, a seleção brasileira feminina vive grande fase, com representantes entre as melhores colocadas no ranking da World Skate, a federação internacional responsável. Nos últimos anos, o esporte deixou de ser visto como algo apenas para homens, ganhou mais regras para se encaixar nas Olimpíadas e tem cada vez mais visibilidade.

Em julho, Rayssa Leal, conhecida como "Fadinha", fez história ao se tornar a mais jovem skatista do mundo a conquistar uma etapa da Street League Skateboarding, o Mundial de skate street. Com 11 anos, a maranhense conseguiu levantar o troféu em sua terceira participação no maior campeonato da modalidade, que conta pontos na disputa para a vaga olímpica.

Rayssa Pacheco, skatista de Street da seleção brasileira  - Julio Detefon/Divulgação
Rayssa Pacheco, skatista de Street da seleção brasileira
Imagem: Julio Detefon/Divulgação

Em entrevista para o UOL Esporte, ela contou: "No momento, sou a segunda do ranking olímpico, mas ainda tem muita coisa para acontecer. Espero me manter em uma boa colocação até fechar a segunda janela".

Apesar da pouca idade, Rayssa já consegue ver avanços para as mulheres na modalidade, tanto com patrocinadores como nos campeonatos do esporte. "Hoje as marcas já apoiam as meninas, têm projetos. A maior liga de skate abriu as portas para o feminino, vários eventos igualaram a premiação do feminino ao masculino. Então, está melhorando a cada dia".

Vinda de uma geração que não mais distingue gêneros para subir em um skate, a garota não teve apoio de todos quando começou. "Tirando meu pai e minha mãe, o resto da minha família era totalmente contra eu andar de skate. Acho, que agora todos estão felizes".

Nos Jogos do Japão do ano que vem, o Brasil poderá contar com até 12 skatistas, sendo três no street feminino, três no masculino, três no park feminino e mais três na no masculino. A classificação, no entanto, depende do desempenho ao longo das duas janelas classificatórias. A primeira começou em 1º de janeiro deste ano e vai até o dia 15 de setembro, e o segundo ciclo tem início em 16 de setembro e vai até 31 de maio de 2020. Os 20 primeiros de cada categoria garantem a vaga.

Dora Varella, skatista de Park da seleção brasileira  - Julio Tio Verde/Divulgação
Dora Varella, skatista de Park da seleção brasileira
Imagem: Julio Tio Verde/Divulgação

Terceira brasileira mais bem colocação no ranking na modalidade Park, a paulistana Dora Varella, de 18 anos, vê com bons olhos a evolução desde a oficialização do esporte como olímpico. "Estamos tendo muito mais suporte, seja financeiro, com equipamentos e com mais pistas de skate. As marcas estão apoiando mais o esporte, e a visibilidade está cada vez maior".

Além das oportunidades profissionais, a parte social do skate também tem evoluído para mulheres na visão de Dora. "Quando comecei, era muito raro encontrar meninas nas pistas. Sempre andei com os homens e nunca me importei. Aos poucos, esse cenário foi mudando, e hoje vemos meninas andando por todos os lugares. Quando você gosta de estar em cima do skate, não há diferença de raça, gênero ou idade que te impeça de se divertir".

Competidora da categoria street, Virgínia Fortes Águas, de 13 anos, já começou inserida em um ambiente com outra mentalidade. "Eu sou muito nova e não percebi essa mudança, mas eu converso com as mulheres que andam há mais tempo, e todas me falam que sofreram na pele. Vejo que tudo está mudando. Hoje, o skate está se desenvolvendo bastante, e vejo que a maioria das pessoas vê uma menina andando e acha legal".

Em setembro, a cidade de São Paulo será sede do Mundial de Park, que acontece entre os dias 10 e 15, e do Mundial de Street, entre os dias 18 e 22. Os eventos são os que mais contam pontos na disputa para os Jogos de Tóquio.

Isadora Pacheco, skatista de Park da seleção brasileira  - Julio Tio Verde/Divulgação
Isadora Pacheco, skatista de Park da seleção brasileira
Imagem: Julio Tio Verde/Divulgação

Além de Rayssa e Virgínia, outra novata no esporte é Isadora Pacheco, de 14 anos, que também compete pela categoria Park. "Acho que tenho boas chances de ir, embora o nível das meninas esteja muito alto. Me considero nova, estamos nos adaptando a esse novo cenário do skate como esporte olímpico, então sei que vou fazer meu melhor para estar lá. Caso algo não saia como planejado, terei outras chances".

A catarinense também falou sobre as mudanças que o skate passou: "Eu sou de uma geração que já chegou com a mudança acontecendo muito lentamente. No início, nossas representantes no Brasil tiveram que enfrentar muitos obstáculos; andavam e competiam com os meninos por não ter meninas suficientes, e muitas vezes não eram bem-vindas nos rolês. Quando eu comecei, foi com uma molecada que já estava inserida nas competições; fazíamos aulinhas juntos, e os meninos me incentivavam e me inspiravam para aprender manobras".

Ainda assim, ela contou: "Já vivi situação em que uma menina comentou que eu praticava esporte de menino, mas a liberdade de andar de skate e sentir o vento no rosto, conhecer várias pessoas pelo mundo, culturas diferentes, andar com meus ídolos, tudo isso supera qualquer forma de preconceito".

A posição das skatistas brasileiras no ranking olímpico

Park
Yndiara Asp - 7ª
Isadora Pacheco - 11ª
Dora Varella - 14ª
Victoria Bassi -20ª

Street
Pamela Rosa - 1ª
Rayssa Leal - 2ª
Letícia Bufoni - 4ª
Virginia Fortes -17ª

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