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28/07/2010 - 22h50

Maradona diz que foi 'traído' por Grondona e Bilardo

BUENOS AIRES, 28 Jul 2010 (AFP) -Diego Maradona, demitido na véspera do cargo de técnico da seleção argentina, afirmou nesta quarta-feira que foi "traído" pelo presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), Julio Grondona, e pelo diretor de seleções, Carlos Bilardo.

"Me chamaram para apagar um incêndio, apagamos, e quando tínhamos mais tempo, ocorre isto: "Grondona mente para mim e Bilardo me trai", disse Maradona em seu primeiro contato com a imprensa após a demissão.

"Qualquer um que agarre (assuma) a seleção deve saber que a traição está na esquina. Há gente que não quer o bem do futebol argentino e apenas pensa em seus interesses pessoais, em suas contas bancárias", disparou Maradona, que dirigiu a seleção durante ano e meio.

Grondona reagiu às declarações garantindo que jamais enganou Maradona: "Lamento que tenha partido, é muito triste, mas nunca menti para ele. Em Pretória (durante a Copa do Mundo), concordei com sua permanência, mas alertei que as condições não seriam as mesmas, que era preciso fazer mudanças".

Foi exatamente a decisão de Grondona de demitir vários colaboradores de Maradona que provocou sua saída do cargo de técnico.

Na declaração de hoje, Maradona chamou Bilardo de traidor: "enquanto estávamos de luto (pela eliminação na Copa), ele trabalhava nas sombras para me derrubar".

Bilardo, técnico de Maradona na seleção argentina campeã do Mundo no México-1986 e vice-campeã na Itália-1990, sempre teve uma relação difícil com Maradona.

O diretor de seleções havia prometido abandonar o cargo se Maradona caísse, mas foi o único do atual staff mantido por Grondona, após uma 'limpeza geral' nos quadros da AFA.

Grondona confirmou que Bilardo prosseguirá no cargo de diretor geral de seleções até 2011, quando vence seu contrato.

Ao disparar contra Grondona, o polêmico Maradona destacou que desde a Copa da Itália-1990 a "Argentina não passa das quartas de final".

"Há algo de errado no futebol argentino, não é possível que os jogadores vençam em seus clubes e não na seleção".

Sergio Batista, companheiro de Maradona na Copa do México-1986, assumirá de forma interina a seleção para os amistosos contra Irlanda, em Dublin, no dia 11 de agosto, e contra a Espanha, em Buenos Aires, no dia 7 de setembro.

O favorito para dirigir a seleção é Alejandro Sabella, Campeão Argentino e da Copa Libertadores com o Estudiantes de La Plata, mas Miguel Angel Russo (Racing Club) e o próprio Batista, atual técnico da seleção juvenil, correm por fora.

O polêmico Maradona, 49 anos, surpreendeu o Mundo quando a seleção liderada por Lionel Messi venceu, com folga, as quatro primeiras partidas da Copa da África do Sul, após uma difícil eliminatória sul-americana.

A boa campanha na primeira fase e a vitória sobre o México (3-1) nas oitavas de final mudou a má imagem de Maradona como técnico da Argentina, apesar dos constantes atritos com a imprensa local.

Os argentinos foram eliminados nas quartas de final com uma goleada por 4 a 0 da Alemanha, mas Maradona voltou para casa com apoio suficiente do público para se manter no principal cargo da seleção.

Sob a direção de Maradona, a seleção argentina disputou 25 partidas, entre amistosos e oficiais, com 18 vitórias e sete derrotas, marcando 49 gols e sofrendo 31.

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