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Carrasco do Brasil, Ghiggia morre no aniversário do 'Maracanazo'

16/07/2015 20h19

Montevidéu, 16 Jul 2015 (AFP) - Alcides Edgardo Ghiggia, autor do gol que deu a vitória ao Uruguai sobre o Brasil na fatídica final da Copa do Mundo de 1950, em pleno Maracanã, morreu nesta quinta-feira, disse sua esposa à AFP.

Por ironia do destino, o autor do gol que calou o Maracanã na final contra o Brasil em 1950 faleceu exatamente no 65º aniversário da vitória por 2 a 1, no que ficou conhecido como 'Maracanazo'.

Ghiggia morreu de parada cardíaca, aos 88 anos, revelou sua mulher, Beatriz, por telefone.

O ex-atacante, que lutava há dez anos contra um câncer, deu entrada na noite de quarta-feira em um hospital de Montevidéu.

"Estava conversando tranquilamente e acabou nos deixando", relatou, entre lágrimas, Beatriz Masuí, esposa da lenda viva do futebol uruguaio.

O atacante era o último sobrevivente da final de 1950. Ele se tornou o carrasco do Brasil aos 34 minutos do segundo tempo, com um chute seco de direita que venceu o goleiro Moacir Barbosa, que ficou marcado como o grande vilão da derrota.

O lance calou o Maracanã. Mais de 200.000 torcedores ficaram sem voz e um ambiente de velório tomou conta do gigante de concreto. Talvez seja o silêncio mais famoso da história do futebol.

- 'Recordação linda' -"Apenas três pessoas conseguiram calar o Maracanã: Frank Sinatra, o papa e eu" - disse Ghiggia numa entrevista à TV Globo há alguns anos, uma frase que acabou repetindo várias vezes para alimentar o mito do 'Maracanazo'.

A vitória também contribuiu para consolidar a 'garra charrua', espírito de luta mostrado pelos uruguaios contra a adversidade. No caso, o que motivou a 'Celeste' foi o clima de 'já ganhou' que imperava entre a imprensa e a torcida no Brasil nos dias que antecederam a partida.

"É uma recordação muito linda, porque fiz algo pelo nosso país", se emocionou o ex-jogador em entrevista à AFP, em abril do ano passado.

"Só me dei conta da importância disso tudo alguns anos mais tarde, quando começaram a escrever livros sobre o tema, e me perguntavam sobre isso", revelou.

Depois de atuar no Peñarol, clube mais popular do Uruguai, o atacante foi para a Europa, para defender Roma e Milan. Obteve a nacionalidade italiana e chegou a vestir a camisa 'Azurra'.

"Uma glória se foi. Que descanse em paz Alcides Edgardo Ghiggia", publicaram no twitter jogadores e membros da comissão técnica do Peñarol.

Alcides Ghiggia tinha 23 anos quando anotou aquele gol que a maioria dos torcedores brasileiros e uruguaios ouviu pelo rádio, e depois em imagens em preto em branco.

Para a 'Celeste', foi a última final de Copa do Mundo e para o Brasil, o doloroso início de uma caminhada que levou a seleção a cinco títulos de Mundiais, nas Copas de 1958, 62, 70, 94 e 2002.

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