Esporte

Bola de ouro premia Messi e anti-herói brasileiro

11/01/2016 18h37

Zurique, Suíça, 11 Jan 2016 (AFP) - Numa cerimônia sem muitas surpresas, com o esperado quinto prêmio da Bola de Ouro de Lionel Messi, brilhou a estrela de um brasileiro desconhecido, Wendell Lira, que superou o desemprego para vencer o prêmio Puskas do gol mais bonito, nesta segunda-feira, em Munique.

Sentado ao lado de craques como Messi, Cristiano Ronaldo ou Neymar, "que conhecia só pelo videogame", o atacante de 26 anos resumiu a situação inusitada ao citar a passagem bíblica de David e Golias.

Wendell não foi o único brasileiro a se destacar na noite de gala, em Zurique. Indicado entre os finalistas pela primeira vez, Neymar ficou em terceiro lugar da disputa, com 7,86% dos votos, mas com a promessa de diminuir cada vez mais a diferença com os 'gigantes' Messi (41.33%) e CR7 (27,76%) nos próximos anos.

"Se ganhar, a gente faz festa, se não ganhar, a gente faz também", tinha avisado o craque brasileiro, que usava um traje estiloso, com chapéu e gravata borboleta.

Depois da humilhação da Copa do Mundo, a seleção brasileira deu mais um vexame em 2015, a eliminação nas quartas de final da Copa América, mas isso não impediu que quatro jogadores do país integrassem a seleção mundial do ano.

Entre eles, Thiago Silva, barrado por Dunga e considerado o grande vilão do fracasso no torneio continental, no Chile. Os laterais Daniel Alves e Marcelo também foram escolhidos, assim como, é claro, Neymar, que forma com Messi e CR7 o trio de finalistas 'escalado' para o ataque do 11 ideal da Fifa.

Último jogador brasileiro a levar a Bola de Ouro, em 2007, Kaká entregou o prêmio a Messi, no momento mais aguardado da noite.

Autor de um ano de 2015 espetacular com o Barcelona, o argentino já havia conquistado o prêmio quatro vezes seguidas, de 2009 a 2012, antes de deixar os últimos dois troféus nas mãos de CR7. Com a quinta conquista, 'La Pulga' é mais do que nunca o recordista absoluto.

Comemoração contidaNo quesito estilo, porém, quem ganhou de goleada foi o francês Paul Pogba, da Juventus, que usou uma longa jaqueta com estampas de flores douradas.

Usando um 'smoking' dos mais tradicionais, longe do terno de bolinhas que lhe valeu muitas piadas em 2013, Messi foi, como sempre, muito contido na comemoração.

"É um momento muito especial para mim, outra vez depois de dois anos vendo o Cristiano Ronaldo levar o prêmio. É incrível que seja o quinto. Certamente é muito mais do que imaginava e sonhava quando era pequeno", vibrou o camisa 10 do Barça.

Há um ano, CR7 mostrou muito mais empolgação quando recebeu a Bola pela terceira vez (depois de 2008 e 2013), com um sonoro "Sim!", repetindo o gesto usado quando comemora os gols.

Naquela ocasião, o português bem que tinha prometido que iria fazer de tudo para igualar a marca de Messi logo na próxima temporada. Ele vai ter que esperar pelo menos mais dois anos.

Não teve jeito. Depois de amargar várias lesões nas temporadas anteriores, Messi foi simplesmente intocável em 2015.

Apesar de ter ficado com o vice-campeonato da Copa América, Messi conquistou cinco títulos de seis possíveis com o Barça: Liga Espanhola, Copa do Rei, Liga dos Campeões, Supercopa europeia e Mundial de Clubes, e se destacou em cada uma dessas competições, com nada menos de 53 gols marcados no ano.

Como não poderia deixar de ser, o prêmio de melhor treinador foi para Luis Enrique, consagrando o grande ano do clube catalão.

Superação"Quero agradecer ao futebol por tudo que me deu, todo o prazer que me deu. O futebol me deu tudo. Também houve momentos ruins, que, apesar de doerem, ensinam coisas novas, a tirar sempre algo positivo. Os problemas me ajudaram a crescer como pessoa", afirmou Messi depois da cerimônia, em entrevista à emissora espanhola Cuatro.

O argentino só não ficou com dois prêmios porque foi superado por Wendell Lira na disputa pelo gol mais bonito do ano.

Apesar da baixa estatura (1,70 m), o supercraque argentino é um 'Golias' para o desconhecido atacante, que marcou o gol que lhe valeu o prêmio Puskas diante de apenas 342 torcedores, com a camisa do modesto Goianésia.

Graças à campanha pela internet, Wendell mostrou que ainda há espaço para belas histórias de superação e que o futebol não é necessariamente um jogo de cartas marcadas.

A festa em Zurique não ofuscou o clima pesado na Fifa. Sepp Blatter, anfitrião do evento desde que a entidade se uniu em 2010 à revista francesa France Football para entregar um só prêmio ao melhor jogador do ano, sequer pisou no Palácio do Congresso de Zurique, já que sua punição de oito anos por corrupção, imposta pela própria Fifa, não permite.

Presidente interino, o camaronês Issa Hayatou disse que 2016 será "um ano importante para a Fifa e o futebol", com a perspectiva de reformas que permitirão escrever um novo capítulo na história da nossa organização" depois da eleição presidencial, marcada para fevereiro.

O prêmio do fair-play, uma noção um tanto esquecida em meio aos casos de corrupção, foi para todos os clubes e organizações que se mobilizaram para apoiar refugiados.

Artilheira da Copa do Mundo feminina, que conquistou com os Estados Unidos, Carli Lloyd foi eleita melhor jogadora do ano, e Jill Ellis, que comandou a seleção americana, ficou com o prêmio de melhor treinadora.

ebe-pgr/jcp/lg

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