Esporte

Fifa demite o secretário-geral Jerôme Valcke

13/01/2016 14h46

Zurique, Suíça, 13 Jan 2016 (AFP) - A Fifa demitiu nesta quarta-feira o secretário-geral Jerôme Valcke, que está sendo investigado por um caso de corrupção relacionado com a revenda de ingressos da Copa do Mundo do Brasil-2014, anunciou a entidade que comanda o futebol nesta quarta-feira.

Valcke, ex-braço direito do presidente Joseph Blatter, foi afastado do cargo no dia 17 de setembro. O francês ainda pode receber uma suspensão de nove anos de qualquer atividade relacionada ao futebol.

Além da suspensão, a justiça interna da Fifa solicitou uma multa de 100.000 francos suíços (92.165 euros) contra o ex-número 2 da Fifa.

O juiz de instrução da Fifa determinou uma suspensão provisória de 90 dias em 8 de outubro. A medida foi prorrogada por 45 dias em 5 de janeiro.

A suspensão continua em vigor e vai além do cargo de secretário-geral, pois proíbe a presença de Valcke em qualquer atividade relacionada com o futebol.

O francês é acusado de ter violado vários artigos do código de ética, como o que diz respeito ao conflito de interesses, oferecer ou aceitar presentes e outras vantagens e a recusa a colaborar, segundo a Fifa.

A justiça interna da entidade "optou por ignorar a conduta exemplar de Jerome Valcke e suas contribuições extraordinárias durante seu longo mandato de secretário-geral", protestou Harry Berke, o advogado americano de Valcke, em um comunicado enviado à AFP.

Fundos duvidososJornalista, Valcke foi afastado de sua função "até nova ordem" em 17 de setembro, depois que a imprensa inglesa revelou suas práticas.

Os jornais britânicos revelaram um esquema que teria permitido ao francês receber comissões por operações de revenda no mercado negro de milhares de ingressos da Copa do Mundo do Brasil-2014.

Valcke, de 55 anos e 1,95 metros de altura, exercia o papel de número 2 da Fifa desde 2007 e sua demissão é mais uma gota no copo cheio de casos de corrupção na Fifa.

Em menos de um mês, o futebol mundial perdeu três de seus dirigentes mais poderosos. Em 21 de dezembro, Blatter, presidente demissionário da Fifa, e Michel Platini, presidente da Uefa, foram suspensos por 8 anos de qualquer atividade ligada ao futebol.

Antes de aparecer na imprensa inglesa em setembro, o jornal The New York Times vinculou em junho Valcke a fundos duvidosos relacionados à organização da Copa do Mundo da África do Sul-2010, acusando o francês de ter transferido 9,1 milhões de euros a contas controladas pelo ex-vice-presidente da Fifa, o trinitino Jack Warner, outro dirigente investigado por corrupção pela justiça americana.

A Fifa respondeu às acusações contra seu secretário-geral afirmando que tratava-se de um "projeto de ajuda da África do Sul para desenvolver o futebol no Caribe".

Blatter, porém, colocou seu mandato à disposição em 2 de junho, devido à enorme pressão pelos casos de corrupção da Fifa. Um mau presságio para o futuro de Valcke, que tem a nacionalidade sul-africana e é casado com uma mulher do país africano.

- Chute no traseiro -Valcke chegou à Fifa em 2003 como diretor de marketing, mas logo se viu envolvido em um litigio milionário entre dois patrocinadores (Mastercard e Visa), o que acabou custando aos cofres da Fifa cerca de 90 milhões de dólares.

O francês acabou demitido em 2006, mas, em em junho de 2007, Blatter o designou para o cargo de secretário-geral, braço direito do presidente da entidade. Foi um progresso fulgurante para um homem que começou a carreira como jornalista em 1984 na emissora Canal Plus, da França.

Valcke é um homem de caráter afável, sedutor e acostumado a falar livremente, uma característica que já o colocou em situações polêmicas.

Foi assim durante a organização da Copa do Mundo de 2014, quando afirmou que o Brasil precisava "de um chute no traseiro" para que as obras avançassem mais rapidamente, algo que provocou enorme indignação no país, que chegou a deixar de considerar Valcke como um "interlocutor válido".

Blatter precisou pedir desculpas à presidente Dilma Rousseff e Valcke precisou abaixar a cabeça para apagar o incêndio.

O francês também será lembrado por outro comentário polêmico: "Um menor nível de democracia é às vezes preferível para se organizar uma Copa do Mundo".

"Quando há um homem forte à frente de um Estado para tomar decisões, como pode fazer (o presidente russo Vladimir) Putin em 2018, é mais fácil para os organizadores que com um país como a Alemanha, onde é preciso negociar em várias esferas", afirmou o dirigente.

A caída em desgraça de Valcke escreve mais uma página no voluminoso livre de escândalos da Fifa, que ainda parece longe do capítulo final.

ebe-tw/fp/am/lg

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