Esporte

O tênis, alvo predileto das máfias de apostas ilegais

19/01/2016 15h41

Paris, 19 Jan 2016 (AFP) - Pioneiro em termos de luta contra a manipulação de partidas e corrupção de jogadores, o tênis não deixa de ser um dos esportes mais alvejados pelas máfias que operam no lucrativo mercado das apostas.

Depois do atletismo e do futebol, é a vez do tênis se ver no meio do furação das polêmicas, acusado pela emissora britânica BBC e o portal BuzzFeed de ter sido vítima de manipulação de resultados em partidas de 16 tenistas do Top 50 da ATP, incluindo vencedores de Grand Slam e 8 jogadores que disputaram a primeira rodada do Aberto da Austrália, em andamento em Melbourne.

O tênis têm "diversos fatores de risco", alerta Pim Verschuuren, pesquisador no instituto de relações internacionais e estratégicas (IRIS) e co-autor do livro "Paris sportifs et corruption" (Apostas esportivas e corrupção, em francês).

"Primeiramente, é um esporte individual, então é mais fácil de ser manipulado. Outro aspecto é a grande disparidade financeira entre os tenistas e, para terminar, é possível apostar em qualquer coisa, em qualquer acontecimento do jogo", continua.

É por causa desses fatores que o tênis, que representa, segundo estimativas, 20 a 25% do mercado mundial das apostas esportivas na internet, sobe para até 50% do mercado de "live-betting", uma forma de aposta muito sensível, que acontece no decorrer das partidas.

O site britânico Bet 365, um dos maiores na internet, se especializou na organização de apostas "ponto a ponto" em grandes torneios de tênis, inclusive Grand Slams.

Quanto mais específica a aposta, mais fácil a manipulação. "É possível mandar um tenista perder o 5º game, ou alguém no público pode fazer um sinal para que perca o próximo ponto", explica Christian Kalb, especialista em análise de apostas esportivas.

- 200 bilhões de euros em apostas por ano -"Há cinco anos, esse tipo de coisa acontecia essencialmente em pequenos torneios, mas agora podemos ver esses casos de corrupção em partidas mais importantes", continua Kalb.

Nas partidas de grande apelo, é mais fácil esconder uma potencial manipulação de resultado, com apostas podendo chegar a centenas de milhares de euros.

Os quinze dias de disputa de Roland Garros, por exemplo, geram mais de um bilhão de euros em apostas, enquanto 200 bilhões de euros são apostados durante o conjunto da temporada de tênis. Apenas 15% deste montante corresponde ao mercado legal.

Este crescimento econômico permite aos corruptores oferecerem aos tenistas quantias muito mais altas do que as premiações dos torneios. "Se uma máfia quiser lavar centenas de milhares de euros em apostas, pode oferecer 50.000 ou 100.000 euros para corromper um tenista", acusa Kalb.

Ao aceitar a proposta uma primeira vez, o atleta se torna refém e objeto de chantagem por parte dos corruptores, que em sua maioria têm ligações com o crime organizado do leste europeu, da Ásia e da América do Sul.

Ciente de suas fragilidades, o tênis foi o primeiro esporte a colocar em prática mecanismos de controle de apostas. Após o caso de 2007, denunciado pela imprensa britânica sobre a suposta participação do tenista russo Nikolay Davydenko na manipulação de resultados, as entidades mundiais do esporte (ITF, ATP, WTA, Grand Slams) se reuniram para criar a Unidade pela integridade do tênis (TIU), que conta com uma parceria com a polícia de diversos países.

Por precaução, a ATP e a WTA adotou regras severas proibindo aos atletas e suas comissões técnicas de apostarem e, nos torneios de Grand Slam, sistemas complexos avistam apostas de grande valor e acontecimentos suspeitos dentro de quadra.

"Ao todo, são poucos casos. Apenas uma dezena de tenistas do segundo escalão foram punidos em uma década, porque há poucos meios de se obter provas", lamenta Verschuuren.

Em relação à falta de ética, o tênis, porém, segue longe do futebol, responsável por 60% do mercado de apostas mundiais e esporte sujado pelo 'Calcioscommesse' italiano ou os seguidos escândalos recorrentes no sudeste da Ásia.

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