Esporte

Thiago Motta exalta mentalidade vencedora do PSG 'até em rachão'

05/02/2016 15h56

Paris, 5 Fev 2016 (AFP) - "Sempre jogamos para vencer. Até em rachão, ninguém quer perder", afirmou em entrevista à AFP o brasileiro naturalizado italiano Thiago Motta, peça-chave do meio de campo do Paris Saint-Germain, que acaba de bater o recorde de invencibilidade do Campeonato Francês (33 jogos seguidos).

- O técnico Laurent Blanc diz que você é o DNA da equipe. Como isso se traduz em campo?

"O jogo passa muito pelo meio de campo, porque o treinador quer o máximo de controle possível de posse de bola. Ele me pede para cadenciar o jogo em alguns momentos, acelerar em outros... A ideia é fazer a melhor escolha no melhor momento. É isso que faz a diferença".

- Você continua melhorando, mesmo aos 33 anos?

"Com certeza! Se você é aberto e tem vontade de aprender, acaba ouvindo pessoas experientes. Mas eu aprendo até com os mais novos".

- Como você vê o crescimento do PSG desde sua chegada, em 2012?

"Quando vim aqui, eu vi um clube importante, com um projeto. Foi isso que me agradou. No futebol, é preciso ter jogadores talentosos, essa é a coisa mais importante. Para contratar esses talentos, é preciso ter dinheiro, e o Catar trouxe isso. Mas também é preciso trabalhar muito. Tudo está reunido para que o clube cresça muito rápido. Muitos de nós estamos aqui desde o início dessa empreitada (o PSG foi comprado por um fundo de investimento catariano em agosto de 2011), e estamos muito satisfeitos"

- Então como você explica seu desejo de sair ao final da última temporada?

"Era uma vontade do momento. Às vezes, a gente acha que seria bom mudar de rumo, à procura de novos desafios. Mas acabei optando por permanecer aqui, estou feliz com minha escolha. O PSG é minha casa, eu me sinto importante aqui".

- Seu contrato vai até 2017: você pretende encerrar sua carreira no PSG?

"Se puder terminar aqui, em Paris, seria melhor. É difícil imaginar trocar de clube hoje, embora muitas coisas possam acontecer de uma temporada para outra. Pode ser que, daqui a dois ou três anos, eu não tenha o nível suficiente para seguir nesse time. De qualquer forma, enquanto me sentir bem fisicamente e mentalmente, quero continuar jogando futebol, porque é o que mais gosto no mundo".

- Você acha que pode virar treinador no futuro?

"Sim, é possível. O certo é que pretendo continuar no meio do futebol".

- Como você explica a primeira metade de temporada impressionante do PSG (o time lidera o Campeonato Francês com 24 pontos de vantagem sobre o segundo colocado Monaco)?

"Nas temporadas anteriores, o início foi mais ou menos. Desta vez, começou muito bem. A preparação foi igual, mas, desta vez, as coisas se encaixaram. Os nossos principais rivais têm tido trajetórias complicadas, talvez por conta da participação em competições continentais. Jogar a Liga Europa (como Monaco ou o arquirrival Olympique de Marselha), por exemplo, nunca é fácil. Tem que jogar na quinta-feira, e depois no domingo na Ligue 1. Conseguimos tirar proveito disso porque temos um elenco com vinte jogadores que têm totais condições de serem titulares".

- O principal desafio é ser campeão invicto?

"Pode ser, mais não é o mais importante. Se terminamos o campeonato invictos, será apenas a consequência do trabalho bem feito".

- Domingo é dia de clássico contra o Olympique, em Marselha. A vitória é obrigatória?

"A derrota pode acontecer, mas ninguém quer perder um jogo como esse. Entre nós, sempre jogamos para vencer, até em rachão".

- O que você espera do confronto com o Chelsea na Liga dos Campeões?

"Será muito difícil, como qualquer confronto de oitavas de final".

- O que muda o fato do Chelsea não ser mais treinado por José Mourinho?

"Desde a troca de técnico, os jogadores mostram mais convicção, parecem ter mais confiança. Será difícil para nós, mas para eles também".

- O fato de ter eliminado eles na mesma altura da competição no ano passado é uma vantagem?

"Não. Em 2014 (nas quartas de final), ganhamos um jogo (3-1, em casa) e ele ganharam outro (2-0, em Stamford Bridge), e eles acabaram avançando. No ano passado, empatamos os dois jogos (1-1 em Paris e 2-2 em Londres) e a vaga foi nossa.

- Você ainda espera jogar a Eurocopa aqui na França, em junho, com a seleção italiana?

"Com certeza! Mas eu sei que não será fácil. O técnico Antonio Conte já encontrou seu grupo, com jogadores que foram bem nas eliminatórias. A única coisa que posso fazer é jogar bem como o PSG e continuar conquistando títulos."

Declarações colhidas por Nicolas PRATVIEL.

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