Esporte

Os desafios de Infantino, novo presidente da Fifa

26/02/2016 17h51

Zurique, Suíça, 26 Fev 2016 (AFP) - O suíço Gianni Infantino, eleito nesta sexta-feira presidente da Fifa, assume o comando de uma organização fragilizada por uma crise sem precedentes, e tem como principal desafio resgatar a imagem arranhada por escândalos de corrupção.

Para cumprir essa meta, o sucessor de Joseph Blatter precisa garantir que as reformas aprovadas no congresso, horas antes da eleição, sejam de fato aplicadas, para garantir maior transparência e recuperar a confiança dos fãs de futebol e dos patrocinadores.

- Restaurar uma imagem arranhada -No dia 27 de maio de 2015, a Fifa foi abalada por um verdadeiro terremoto: sete altos dirigentes foram presos a pedido da justiça americana num hotel de luxo de Zurique, acusados de receber milhões de dólares em propinas na negociação de direitos de transmissão de partidas.

O que muitos suspeitavam ficou escancarado aos olhos da opinião pública. O diretor da Receita Federal Americana, Richard Weber, chegou a chamar o escândalo de "Copa do Mundo da Fraude" e os críticos mais ferrenhos falam em 'sistema mafioso'.

Até o 'poderoso chefão' caiu. Em dezembro, Sepp Blatter, que comandava a organização desde 1998, foi suspenso por oito anos de toda atividade ligada ao futebol, uma punição reduzida para seis anos pela comissão de apelação na quarta-feira.

Ele foi punido por conta de um pagamento suspeito de 1,8 milhão de euros ao francês Michel Platini, presidente da Uefa, que era o favorito para sucedê-lo, até esse novo escândalo estourar.

Platini foi suspenso pela mesma duração e a Uefa resolveu lançar Infantino, seu braço-direito, como 'Plano B'.

"Vamos resgatar o respeito e a imagem da Fifa, e todo mundo vai nos aplaudir", prometeu o novo presidente depois de ser eleito.

Apesar do otimismo de Infantino, para Patrick Nally, especialista em marketing esportivo, a tarefa do suíço não deve ser nada fácil. "Com a profundeza de todas as investigações da justiça e tudo que já veio à tona, tudo indica que, apesar dos esforços da Fifa, será muito complicado voltar a ter credibilidade", analisou Nally, ressaltando que ainda existem investigações pendentes na Ásia e na África.

- Reformar a governança -Para resgatar sua imagem, a Fifa "precisa dar um passo à frente e aplicar princípios de boa governança", afirmou Infantino.

Na manhã desta sexta-feira, o congresso da entidade aprovou um pacote de reformas nesse sentido.

Entre essas reformas, a limitação dos mandatos a 12 anos acumulados. Para ter uma ideia, Blatter foi reeleito em maio para um quinto mandato (o novo limite aprovado é de três mandatos de 4 anos) e permaneceu 17 anos no cargo.

Também foi aprovada a separação das funções políticas de direção, para evitar conflitos de interesses. Por um lado, o Conselho da Fifa, que substitui o atual Comitê Executivo, estará encarregado de definir a estratégia da Fifa. Por outro lado, o secretário-geral executará as decisões do Conselho.

O congresso também decidiu que serão realizados "controles de integridade reforçados" para novos membros desse Conselho, uma espécie de 'Ficha limpa' para afastar cartolas de passado duvidoso.

- Resgatar a confiança dos patrocinadores -Em outubro, parceiros históricos da Fifa, como Coca Cola e MacDonald's, pediram a saída "imediata" de Blatter, mas nenhum deles rompeu o contrato.

De acordo com o diretor de marketing de uma grande federação olímpica, que preferiu manter o anonimato, "nenhuma dessas empresas tem interesse em deixar o lugar para um concorrente".

Em meio à crise sem precedentes, a Fifa está "atrasada em 550 milhões de dólares em relação às metas financeiras para 2018", revelou nesta sexta-feira o secretário-geral interino, o alemão Markus Kattner.

O problema é que "qualquer novo patrocinador em potencial está se perguntando se é benéfico associar hoje sua marca à Fifa", acrescentou o diretor de marketing.

Para resgatar a confiança, a Fifa pretende convidar os patrocinadores para participar de um comitê encarregado de supervisionar as reformas e de uma nova comissão "aberta aos parceiros".

- Lidar com problemas judiciais -Além dos processos abertos pela justiça interna da Fifa, Infantino terá que acompanhar de perto as ações da justiça americana, que indiciou 39 pessoas e duas empresas, principalmente na América Latina.

Entre elas, os últimos três presidentes da CBF, Marco Polo Del Nero, hoje licenciado do cargo, José Maria Marin, que foi preso na Suíça e extraditado para Nova York, onde aguarda o julgamento em prisão domiciliar, e Ricardo Teixeira, que esteve à frente da entidade de 1989 a 2012.

A justiça suíça está desempenhando um papel importante, ao investigar as condições de atribuição da Copa do Mundo de 2022, no Catar, caso que promete dar muitas dores de cabeça ao novo presidente da Fifa.

Observadores apontam para a possibilidade real de novas investigações, visando, depois da América Latina, a desvendar esquemas de corrupção na África e na Ásia.

"Espero que as questões penais serão tratadas até o fim, e que isso será feito rapidamente, para que possamos voltar a falar sobre futebol", afirmou Infantino no último domingo, antes de antecipar que "a tarefa do próximo presidente será árdua". Uma vez eleito, cabe ao suíço segurar a batata quente.

ebe-ybl/pgr/ol/sk/lg

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