Esporte

Kobe Bryant, a obsessão pela vitória

12/04/2016 11h56

Los Angeles, 12 Abr 2016 (AFP) - Seus ídolos eram Magic Johnson e Michael Jordan e ele se juntou às lendas no Olimpo do basquete. Em vinte temporadas vestindo a camisa do Lakers, Kobe Bryant teve apenas uma obsessão: ganhar, algo que nem sempre entenderam seus companheiros, técnico e o público, para quem ele sempre será um enigma.

É uma estrela do esporte mundial que se aposenta, aos 37 anos. Mas, quando der adeus ao Staples Center nesta quarta-feira, após uma última partida contra o Utah Jazz, Kobe certamente se lembrará que, quando criança, ele se sentia "a vergonha da família".

Como muitos "filhos de", Kobe sofreu com as comparações com seus pai, Joe Bryant, que, segundo a lenda, escolheu o nome do primogênito de um cardápio de um restaurante japonês, e que jogou por oito temporada na NBA, entre 1975 e 1983, antes de seguir carreira na Itália.

Dos oito anos na Itália, Kobe guardou um amor incondicional pelo futebol, um bom domínio da língua italiana, além de sólidos fundamentos táticos de basquete, algo raro em jogadores americanos.

Na volta aos Estados Unidos, em 1992, o adolescente magrelo e alto, vestindo o número 32 de seu ídolo Magic Johnson, encontra dificuldade para jogar alguns minutos na equipe da escola de Lower Merion, na Filadélfia.

Após quatro anos de muito trabalho, ele se torna a estrela do colégio. Ao invés de defender uma das prestigiosas universidades que batem a sua porta, ele opta por ir direto para a NBA: no Draft de 1996, aos 17 anos, Kobe é escolhido na 13ª colocação pelo Charlotte Hornets, que imediatamente cedem o jovem jogador ao Lakers.

- Trabalhador incansável -A NBA e o planeta basquete estão em plena "Jordan-mania": a estrela do Chicago Bulls substituiu Magic Johnson como maior ídolo pessoal de Kobe.

O jovem analisa as partidas de Jordan, adota suas manias e se inspira em seu jogo aéreo e físico.

"Sua obsessão por Michael era óbvia", reconheceu Phil Jackson, técnico que conquistou seis títulos com Jordan em Chicago, antes de erguer cinco troféus com Kobe no Lakers.

Enquanto Jordan vive os últimos anos de seu reino, Kobe começa a escrever sua própria história e se apresenta, pelo estilo espetacular, sua vontade de vencer e sua insolência, como sucessor natural de do craque do Bulls.

Jackson organizou em 1999 um encontro entre Kobe e Jordan, na expectativa que o jovem jogador, às vezes incontrolável, se inspirasse no sábio ídolo, então aposentado. "A primeira coisa que Kobe disse foi: 'se jogarmos um contra um, eu acabo com você'", lembrou Jackson em sua autobiografia.

A era Kobe Bryant está prestes a começar: em parceria com Shaquille O'Neal, ele domina a NBA durante três anos consecutivos, entre 2000 e 2002.

Bryant é um trabalhador incansável sem igual: longas sessões de arremessos, até tarde à noite, após os treinos oficiais, leitura das análises de técnicos americanos e europeus, além de longas e árduas sessões de preparações físicas.

- 'Querido basquete' -Dizem que ele é monomaníaco, o que acarreta em vários desentendimentos com companheiros de clube, inclusivo O'Neal, que opta por deixar o Lakers e defender o Miami Heat.

Em 2003, Kobe, chamado pelos fãs de "Black Mamba" (Mamba negra, uma cobra conhecida pelo veneno letal), pelo sangue frio em quadra, vive o período mais obscuro da carreira e que acaba denegrindo sua imagem, sendo acusado de estupro por uma funcionária de um hotel de luxo no Colorado.

Perante a justiça, a estrela do basquete admite ter tido relações sexuais com a jovem de 19 anos, que, segundo ele, consentiu. O processo é finalmente abandonado, depois de um acordo com a vítima longe dos tribunais.

Jogador de basquete mais famoso e mais bem pago do mundo, Bryant escreveu sua lenda ao anotar 81 pontos em uma partida contra o Toronto Raptors em 2006, ao conquistar cinco títulos da NBA e duas medalhas de ouro olímpicas, ao participar 18 vezes do All-Star Game, o jogo das estrelas, além de anotar mais de 33.000 pontos na carreira.

O fim do reino de Kobe, porém, tem sido deprimente, com o veterano craque sofrendo diversas lesões graves, além de uma equipe do Lakers que aparece nas últimas colocações.

O texto publicado em 29 de novembro de 2015, endereçado para seu "Querido basquete", é um bonito adeus de um velho ídolo: "Eu te dei tudo de mim, porque é isso que fazemos quando algo te faz sentir tão vivo".

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