Esporte

Transporte: a virada olímpica de um rede caótica

25/04/2016 12h52

Rio de Janeiro, 25 Abr 2016 (AFP) - A cem dias dos Jogos Olímpicos do Rio-2016, as autoridades locais continuam correndo contra o relógio para concluir a tempo a extensão e modernização da rede de transporte vetusta e congestionada da Cidade Maravilhosa.

O que deveria ser o maior legado olímpico para a população carioca se transformou em tragédia na última quinta-feira. Um trecho da ciclovia Tim Maia, na avenida Niemeyer, foi derrubada pela ressaca, deixando dois mortos.

O Rio apostou todas as fichas nos Jogos para tirar o atraso de décadas na modernização do sistema de transporte, ao custo de obras faraônicas, nuvens de poeira e engarrafamentos monstros.

O objetivo imediato é garantir o deslocamento dos cerca de 450.000 visitantes esperados durante as primeiras olimpíadas da América do Sul, dos dias 5 a 23 de agosto.

Mas a ideia a longo prazo é mudar o dia a dia dos cariocas. No que diz respeito ao transporte público, o cenário está longe do ritmo pacato do bondinho do Pão de Açucar, um dos cartões postais da cidade.

Engarrafamentos infernais, trens e metrôs lotados, ônibus não menos cheios andando muito acima da velocidade permitida... É melhor ter paciência, até porque o trânsito pode dar nó até fora das horas de pico.

- Metrô e BRT -Durante as olimpíadas, 260 quilômetros de vias serão reservadas ao transporte de atletas, autoridades e jornalistas.

Moradores e turistas devem poder contar com o nova rede que ligará os quatro cantos da cidade, passando por todas as sedes olímpicas e os dois aeroportos.

Haverá uma nova linha de metrô, a 4, que ligará a zona sul à Barra da Tijuca (oeste), além de 156 km de corredores exclusivos de ônibus (BRT) e 28 km de trilhos de VLT, um bonde moderno que transitará pelo centro da cidade.

A prefeitura investiu 9 bilhões de reais para nas obras do BRT, VLT e ampliação de vias como o elevado do Joá, enquanto o Governo do Estado está bancando o metrô, por 9,2 bi.

As autoridades pretendem ampliar para 63% da população o acesso ao transporte público, contra 18% há sete anos, além de reduzir o fluxo de carros e ônibus.

Durante os Jogos, metrôs e BRTs serão a única forma de chegar às instalações olímpicas. "Haverá tolerância zero para os carros particulares", avisa à AFP o secretário de Transportes, Rafael Picciani.

Feriados e férias escolares adiadasPara quem sair dos bairros turísticos de Copacabana ou Ipanema, na zona sul, a melhor forma de chegar ao Parque Olímpico da Barra da Tijuca será por meio da linha 4 do metrô, com trajeto estimado em 13 minutos.

O problema é que a inauguração da linha está prevista para um mês apenas antes dos Jogos. O 'Tatuzão', máquina gigantesca usada pela escavação do túnel, só completou sua missão apenas no início de abril.

Por isso poucas pessoas na cidade acreditam que a obra será concluída a tempo, apesar das promessas das autoridades.

"Eu garanto que o metrô será operacional durante os Jogos Olímpicos", insiste Rodrigo Vieira, secretário de Transportes do Governo de Estados do Rio, que avalia o avanço das obras em 93% e ainda acredita que haverá tempo hábil para fazer os testes necessários.

A meta é transportar 300.000 passageiros por dia, e tirar 2.000 carros das estradas nas horas de pico. Hoje em dia, o trajeto pode levar mais de duas horas.

Para chegar de fato ao Parque olímpico, ainda será preciso pegar o BRT da Barra da Tijuca até a zona do antigo autódromo de Jacarepaguá.

O BRT também percorre bairros menos abastados das zonas norte e oeste da cidade. "Não havia investimentos nessas regiões há mais de 60 anos", lembra Picciani.

No caminho rumo ao Engenhão, estádio de atletismo onde o astro jamaicano Usain Bolt tentará conquistar o 'triplo-tricampeonato' olímpico, será preciso usar os trens da Supervia, uma rede vetusta e cujas composições costumam ficar lotadas nos horários de maior movimento. Em janeiro, uma colisão deixou 229 feridos leves.

As autoridades tratam de tranquilizar os turistas, ao garantir que os horários das provas não acontecerão no momento do fim do expediente.

A prefeitura decretou dois feriados, o primeiro no dia 5 de agosto, quando acontecerá a cerimônia de abertura, no Maracanã, e o outro no dia 18, quando será realizada a prova de triatlo nas ruas da cidade.

Outra medida para tentar desafogar o trânsito: as férias escolares foram adiadas de julho para agosto.

O desafio é ambicioso, mas as autoridades ainda estão longe da linha de chegada.

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