Esporte

Doping ameaça participação do atletismo russo aos Jogos do Rio-2016

26/04/2016 13h29

Moscou, 26 Abr 2016 (AFP) - Para Anna Chicherova, atual campeã olímpica do salto em altura ou Elena Isinbayeva, que almeja a terceira medalha de ouro no salto com vara, a classificação aos Jogos do Rio não depende de resultados nas pistas, mas de decisões nos bastidores, em meio ao mega-escândalo de doping que abala a Rússia.

Quatro anos depois de subir ao lugar mais alto do pódio em Londres-2012, Chicherova continua treinando em Sochi, sede dos Jogos de Inverno de 2014, "sem pensar no que pode acontecer no futuro", explica a atleta à AFP.

A cem dias do evento, porém sua presença na Cidade Maravilhosa está longe de ser confirmada.

Em novembro, um comissão independente da Agência Mundial Antidoping (Wada) soltou um relatório bombástico, no qual denuncia um "esquema de doping organizado e generalizado" na Rússia, levando a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) a suspender o país de todas as competições internacionais.

"Esta situação me fez passar por todas as emoções, do desespero à incompreensão", confessa Chicherova, que, além do ouro de Londres, também conquistou o bronze em Pequim, em 2008. "Às vezes, não sabemos onde estamos indo, perdemos o nosso rumo e nossas metas", filosofa a atleta de 33 anos.

A campeã só saberá se pisará na pista do Engenhão em junho, quando a IAAF decidirá se mantém ou não a suspensão.

- 'Ainda resta muita coisa a fazer' -Sem poder participar de eventos internacionais, os atletas nacionais só podem competir internamente, ficando sem parâmetro para saber se estão com o nível necessário para brigar pelo pódio olímpico.

A suspensão causa muitas dores de cabeça aos treinadores, como Sergueï Klevtsov, que trabalha com Sergueï Shubenkov, atual campeão mundial dos 110 metros com barreiras.

"É um grande profissional. Ele entende o que estamos fazendo e por que estamos fazendo isso tudo", explica o técnico do jovem velocista de 21 anos, que treina seis horas por dia.

Para voltar ao páreo, a Rússia precisa estar em total conformidade com as regras da Wada e da IAAF.

Muitas cabeças caíram, tanto na federação local de atletismo quanto na Agência Russa Antidoping (Rusada).

O novo presidente da federação, Dmitri Chliakhtin, tem como missão restabelecer a confiança com as instituições internacionais e liderar as reformas necessárias.

O processo começou, talvez não tão rápido quanto queríamos. É claro que ainda resta muita coisa para fazer, mas muito já foi feito", disse Chliakhtine à AFP.

Num relatório divulgado em março, a IAAF reconheceu que a Rússia "fez progressos consideráveis" desde novembro, mas ainda precisava "fazer um trabalho significativo para preencher os critérios que permitem sua rehabilitação".

O ministério russo dos esportes também iniciou uma corrida contra o relógio, prometendo dar auxílio a dois especialistas internacionais que devem chegar no fim do mês de abril para fiscalizar o avanço das reformas.

As autoridades também prometeram submeter a exames extras todos os atletas que têm índice para participar dos Jogos.

"Só podemos esperar e ver como a Federação vai atender os critérios que precisam ser preenchidos", comenta Chichirova, usando um tom fatalista. "Aceitei essa situação porque entendo que não depende apenas de mim", enfatiza.

- O meldonium, novo intruso -No início do ano, a tendência era bastante otimista, mas novos casos vieram a tona para manchar a imagem do esporte russo.

O meldonium, que foi adicionado aos produtos proibidos no dia 1º de janeiro, jogou mais uma sombra sobre o país.

Em março, a ex-número um do mundo de tênis Maria Sharapova revelou que foi flagrada por uso da substância durante o Aberto da Austrália.

Elaborado na década de 1970, na ex-União Soviética, o meldonium é usado normalmente para o tratamento de diabetes e a prevenção de doenças cardíacas, mas também ajuda a melhorar o desempenho esportivo, por favorecer a circulação do sangue.

A Wada já somou 123 casos desde o dia 1º de maio, não apenas com atletas russos, mas o suficiente para abalar mais uma vez o país.

O ministro dos esportes, Vitali Mutko, reconheceu em abril que cerca de 40 atletas russos, foram flagrados desde o início do ano.

Apesar disso Chliakhtin não acredita que essa nova polêmica tenha influência sobre a decisão da IAAF, que pode tirar das olimpíadas Chicherova e Isinbayeva, duas das maiores estrelas do esporte.

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