Esporte

Entenda como Zidane mudou a cara do Real

05/05/2016 14h20

Madri, 5 Mai 2016 (AFP) - Em quatro meses no comando do Real Madrid, na sua primeira experiência como treinador principal, Zinedine Zidane tirou o time de uma crise dentro e fora das quatro linhas, chegando à final da Liga dos Campeões com os mesmos jogadores que foram humilhados em casa pelo Barcelona (4-0) em novembro.

. Um clube revigoradoQuando o ex-craque substituiu Rafael Benítez, no dia 4 de janeiro, poucos imaginavam que os resultados chegariam com tamanha rapidez.

O Real vinha de um 2015 para ser esquecido, sem título e com vários fracassos nos bastidores, como o vexame da transferência 'abortada' do goleiro De Gea, que acabou permanecendo no Manchester United porque a documentação chegou depois do prazo.

O clube precisou lidar com os problemas de Karim Benzema com a justiça francesa, por conta do suposto envolvimento num caso de chantagem com vídeo íntimo, além da eliminação da Copa do Rei no 'tapetão', por ter escalado um jogador que deveria ter cumprido suspensão.

No âmbito esportivo, a goleada de 4 a 0 no clássico com o Barça em pleno estádio Santiago Bernabeu acabou com a credibilidade de Benítez, que já vinha sendo questionado por não manter um bom relacionamento com 'medalhões' da equipe, como o astro português Cristiano Ronaldo.

A solução encontrada pela diretoria foi promover Zidane, que era técnico do time B.

Uma aposta ousada, questionada por conta da inexperiência do francês como treinador, mas que teve o mérito de agradar a torcida, seduzida pela aura do ex-craque, que brilhou no clube de 2001 a 2006.

'Zizou' começou sua trajetória com uma série de goleadas em casa, sobre Deportivo La Coruña (5-0), Sporting Gijón (5-1) e Espanyol (6-0).

O estádio Santiago Bernabéu, porém, foi o palco da primeira grande decepção do novo treinador, em 27 de fevereiro, com a derrota por 1 a 0 no dérbi contra o Atlético de Madri, que reencontrará no dia 28 de maio, na final da Champions.

Na ocasião, Zidane chegou a afirmar que a Liga Espanhola tinha "acabado" para o Real, por causa da diferença de 12 pontos para o líder e arquirrival Barcelona.

Foi justamente no segundo clássico da temporada contra os catalãs que a curva se inverteu, no dia 2 de abril. Os 'merengues' venceram de virada por 2 a 1, em pleno Camp Nou, resgatando o orgulho do torcedor e iniciando uma arrancada que os deixou a um pontinho do rival, posição que ocupa até hoje, a duas rodadas do fim do campeonato.

No âmbito continental, 'Zizou' ainda brindou o torcedor com uma 'Remontada' histórica nas quartas de final, revertendo a derrota por 2 a 0 para o Wolfsburg com um 'Hat Trick' de Cristiano Ronaldo na vitória por 3 a 0 no Bernabéu.

Na semi, o Real passou sem maiores sustos pelo Manchester City, fazendo valer o peso da camisa e a eficiência do 'método Zidane'.

"Sou o treinador da equipe então existem certamente coisas que eu fiz bem", brincou o treinador na quarta-feira, depois da vitória por 1 a 0 que selou a classificação.

. Um vestiário pacificadoA principal mudança foi na atitude dos jogadores, que pareciam sem rumo no final do ano passado, mas hoje mostram uma força mental inabalável, reforçada com a virada épica sobre o Wolfsburg.

Para dar uma nova cara à equipe, Zidane não hesitou a tomar decisões corajosas, como colocar no banco o astro colombiano James Rodríguez para equilibrar o meio de campo com o volante brasileiro Casemiro, que se tornou uma peça-chave do elenco.

"Zidane fui crucial para essa mudança", ressaltou no seu editorial Alfredo Relano, diretor do diário esportivo As. "Ele deixou o elenco mais relaxado, isolou as más influências e estabilizou o grupo em torno de Casemiro", completou.

A principal estrela da companhia, Cristiano Ronaldo, voltou a ser decisivo nos grandes jogos. "Zidane está fazendo um excelente trabalho. Ele nos ajuda e nós o ajudamos. É alguém que eu admiro como treinador e como pessoa. Sempre o apoiamos porque é uma pessoa humilde, que sabe escutar os outros, o que sempre facilita as coisas", elogiou o português.

. Uma comunicação controladaZidane também mostrou sua habilidade diante da imprensa. Quando Benítez irritava os jornalistas com seu tom seco e professoral, o francês sempre aparece sorridente e relaxado, esquivando sem dificuldade as polêmicas.

"Ele prega a paz em cada entrevista coletiva", observou Alfredo Relano.

O ex-craque sai em defesa do grupo em todas as circunstâncias, até mesmo no caso delicado dos problemas extra-campo Benzema.

"Ele está se saindo muito bem e ganhou o respeito de todos os treinadores", disse à AFP Vicente Del Bosque, técnico da seleção espanhola, que comandou 'Zizou' durante suas duas primeiras temporadas no Real, de 2001 a 2003.

A principal conquista do Real na época foi o título da Liga dos Campeões de 2002, quando o francês anotou um gol antológico da decisão.

A principal qualidade de Del Bosque foi a capacidade de lidar com o ego dos 'galáticos' (Zidane tinha a companhia de craques como Luis Figo ou Ronaldo, que chegou em 2002).

Zidane está conseguindo a mesma façanha com CR7, Benzema e Gareth Bale, imitando o estilo 'paizão' de outro ex-treinador do Real, o italiano Carlo Ancelotti, do qual foi o auxiliar na conquista de 'La Décima', o décimo título europeu do clube.

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