Esporte

Sob pressão, Etiópia reforça luta antidoping no atletismo

12/05/2016 14h24

Adis Abeba, 12 Mai 2016 (AFP) - Abalada por suspeitas de doping, a Etiópia passou a intensificar os controles depois de entrar na mira da Federação de Internacional de Atletismo (IAAF), que colocou em risco a participação do país em competições internacionais.

No dia 11 de março, a IAAF considerou a situação da Etiópia "muito crítica", ressaltando a necessidade de "implementar com urgência um programa nacional de controle robusto e adequado, tanto dentro quanto fora das competições".

Os resultados não demoraram a aparecer. Pela primeira vez numa competição nacional, 35 atletas foram submetidos a exames surpresa durante o campeonato da Etiópia de atletismo, nos dias 23 e 24 de abril.

Cinco etíopes que participaram do Mundial de marcha atlética por equipe, no último fim de semana, em Roma, também foram testados antes de viajar.

"O doping é um problema global. Muitos países são afetados e a Etiópia não será poupada", reconheceu em entrevista à AFP o secretário-geral da federação local de atletismo, ao comentar o caso de seis fundistas do país investigados por uso de substâncias proibidas.

A identidade dos acusados foi mantida em sigilo, mas "grande nomes" do atletismo etíope fazem parte da lista.

Bililign Mekoya coloca o problema por conta da ignorância dos atletas, que podem ter utilizado "sem saber" medicamentos vetados pela IAAF.

"Existem tantos suplementos, vitaminas, proteínas... A maioria dos atletas não fazem a diferença entre o que é doping e o que não é. Eles precisam ser instruídos", alega.

- 'Atalho para obter resultados' -Depois de décadas de desleixo, a federação etíope organizou nas últimas semanas seminários sobre doping para atletas e técnicos, na capital Addis Abeba e em centros de treinamento de outras cidades do país.

A Etiópia quer evitar conhecer o mesmo destino que o vizinho Quênia, rival histórico nas provas de fundo e meio-fundo, mergulhado numa grave crise institucional por conta dos escândalos de doping e que nesta quinta-feira foi considerado "inconforme com o código" antidoping da agência. Os atletas do país poderão ficar de fora dos Jogos do Rio-2016.

Os rumores sobre atletas da Etiópia cresceram desde janeiro, quando a sueca de origem etíope foi Abeba Aregawi, campeã mundial dos 1.500 m em 2013, testou positivo numa competição em Adis Abeba.

Para não manchar o brilho da sua geração excepcional de fundistas, com astros como Kenenisa Bekele ou Genzebe Dibaba, as autoridades do país aprovaram uma lei que criminaliza o doping.

Além das punições esportivas, os atletas flagrados correm risco de ir para a cadeia.

Na pista do estádio de Addis Abeba, Tariku Bekele, irmão de Kenenisa e medalhista de bronze dos Jogos Olímpicos de Londres-2012, aponta a tentação de jovens promessas de "pegar um atalho para obter resultados".

"Treinadores vêm do exterior e enganam os atletas, oferecendo medicamentos e tomando o dinheiro deles. Precisamos aprender a lidar com isso", completa.

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