Esporte

Deschamps: 'tem gente que não gosta da seleção francesa'

02/06/2016 16h59

Neustift, Áustria, 2 Jun 2016 (AFP) - "Tem gente que não gosta da seleção francesa", declarou o técnico Didier Deschamps em entrevista à AFP, a uma semana de disputar a Eurocopa em casa, ressaltando que a "união sagrada" só aparece "quando a equipe ganha".

No olho do furacão desde as acusações que teria "cedido a pressões da parte racista da França" ao deixar de convocar Karim Benzema, o capitão dos 'Bleus' campeões do mundo em 1998 não quis comentar a polêmica gerada pela entrevista bombástica do atacante do Real Madrid.

-Qual é sua reação às declarações de Karim Benzema?

"Não tenho reação. Não quero entrar nesse debate, não estou aqui para isso".

-Você não se sente traído por um jogador que defendeu por muito tempo e acaba fazendo acusações de racismo?

"Não tenho nada para falar sobre isso. Estou focado na competição e no que nos espera".

-O grupo não está perturbado com essa enorme polêmica?

"Sinceramente não. Os jogadores estão felizes de estar aqui. Eles conversam sobre isso, têm a própria visão, a própria análise. Todos os jogadores são submetidos às exigências do alto nível e sabem abstrair o que acontece por fora".

-Mas os jogadores devem estar sabendo o quando o caso gerou polêmica na França...

"No meu caso, eu não vejo televisão, não leio nem escuto nada. Assim, estou mais tranquilo. Mas não vou proibir nada, porque seu eu pedir para não fazer algo, vão acabar fazendo do mesmo jeito. Se falam sobre isso entre eles, faz parte, é a vida do grupo. Mas eu não tenho que abordar esse assunto com eles".

-Além das polêmicas extra-campo, o grupo foi afetado por lesões em série, principalmente no setor defensivo (dois zagueiros e um volante cortados). Você esperava uma preparação tão complicada?

"Não. Tivemos vários desfalques e eu tive que reagir a cada situação. É sempre chato, mas tenho 23 jogadores, confio neles e vamos lutar. O que guardo disso tudo é que os jogadores estão conscientes, percebem o fervor, o apoio popular. Eles precisam disso".

-Você não teme que as polêmicas atuais abalem essa tentativa de união sagrada em torno dos 'Bleus'?

"Não sei se isso existiu um dia. Há união sagrada quando a equipe ganha. Na vitória, todo mundo se ama. Existem vários debates, que fogem da minha competência. A situação nunca foi tranquila, mas tive que lidar com vários imponderáveis nos últimos meses. Hoje, tem gente que não gosta da seleção francesa e nunca vai gostar. Não estamos aqui para sermos unanimidade, mas que está conosco que vibrar e ver o melhor resultado possível".

-Os problemas na preparação mudam a meta estabelecida? Você ainda acha que a equipe é competitiva?

"Continua competitiva, sim. É óbvio que é sempre ruim perder jogadores. Mas sem por isso temos que encarar a competição falando 'vamos tentar dar o nosso melhor'. Temos que fazer de tudo para ir o mais longe possível, manter a nossa ambição. Não tenho meta estabelecida, mas a ambição é de ir o mais longe possível".

-A defesa preocupa?

"Vocês (os jornalistas) já estavam preocupados já seis meses, um ano. Isso não muda muita coisa. Temos pouco tempo pela frente. Mas não é apenas uma questão de defesa ou de dupla de zaga. Temos o poder ofensivo suficiente para fazer gols, colocar qualquer adversário numa situação difícil. Quando o jogo fica complicado, conseguimos acelerar para fazer a diferença. Mas é verdade que, no mais alto nível, é importante ter uma boa defesa".

-Com as ausências por lesão ou por motivos extra-campo, não existe uma certa carência de líderes na seleção?

"Não. Não perdi todos os meus jogadores. Alguns deles possuem experiência, vivência no alto nível. E os jovens estão aqui para puxar o grupo para cima".

-Jogadores como Paul Pogba e Antoine Griezmann terão mais responsabilidades?

"Não. Quero que Antoine faça gols e que Paul seja o mais eficiente possível na criação das jogadas. Mas eles fazem parte de um coletivo. Não estão aqui para fazer coisas extraordinárias. Não é porque fizeram uma grande temporada que vou dar mais responsabilidade a eles. A Alemanha foi campeã mundial, mas não tinha nenhum craque como Zidane ou Platini."

-Pelo contexto atual, existe mais pressão em torno do jogo de abertura?

"Não existe pressão. Pressão é algo negativo. Só pode prejudicar o nosso jogo. Vamos aproveitar cada momento. Estamos preparados. Sabemos o que está em jogo há dois anos, então não vamos entrar com freio de mão. Esse primeiro jogo será muito importante. Ganhá-lo nos daria muita moral".

Declarações colhidas Keyvan NARAGHI.

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