Esporte

Fifa denuncia 'enriquecimento pessoal' de Blatter

03/06/2016 15h29

Zurique, Suíça, 3 Jun 2016 (AFP) - O ex-presidente da Fifa Joseph Blatter e dois de seus colaboradores mais próximos, Jérôme Valcke e Markus Kattner, dividiram 80 milhões de dólares "em um esforço coordenado de enriquecimento pessoal" através de contratos e compensações, ao longo dos últimos cinco anos, indicou nesta sexta-feira a entidade.

A Federação Internacional de Futebol anunciou ter informado a justiça suíça e que vai compartilhar os dados com a justiça americana. A procuradoria suíça confirmou poucas horas depois ter apreendido os contratos de Blatter, Valcke e Kattner quando revistou a sede da organização, na quinta-feira, em Zurique.

"Alguns contratos contêm dispositivos que parecem violar o direito suíço", expõe a Fifa sobre o sistema de cláusulas e bonificações de seus três ex-dirigentes.

"Parece um esforço coordenado pelos três ex-dirigentes da Fifa para enriquecer seus aumentos anuais de salários, os bônus relacionados com a Copa do Mundo e outros rendimentos nos últimos cinco anos", completa a entidade.

'Pagamentos justificados'A Fifa cita exemplos. Em 30 de abril de 2011, Valcke, então secretário-geral, e Kattner, na época secretário-geral adjunto, "conseguiram renovações de contrato de oito anos e meio, até 2019, com bônus de saída generosos que garantiam o pagamento integral, a 17,8 milhões de dólares e 9,9 milhões de dólares respectivamente, caso deixassem de trabalhar na Fifa, caso Blatter não fosse reeleito".

Em 1º de dezembro de 2010, Blatter, Valcke e Kattner "receberam 23,4 milhões de dólares de bônus especiais pela Copa do Mundo da África do Sul", quatro meses depois do evento "e aparentemente sem um dispositivo de contrato" que estipulasse ou contemplasse as bonificações.

Os advogados de Blatter rebateram as acusações, ao alegar em um comunicado que os rendimentos do suíço "eram justificados e se equiparavam aos dos demais altos dirigentes de esportes profissionais no mundo".

Blatter está atualmente suspenso por seis anos de qualquer atividade relacionada ao futebol por outro caso, o famoso e polêmico pagamento de 1,8 milhão de euros a Michel Platini, ex-presidente da Uefa, que foi suspenso por quatro anos pela mesma questão, depois que sua punição foi reduzida no mês passado pelo Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).

Valcke foi demitido da Fifa por suposto envolvimento em um caso de revenda de ingressos no mercado negro durante a Copa do Mundo de 2014, e está suspenso por 12 anos de qualquer atividade relacionada ao futebol.

Ele ficou famoso por ter criado uma enorme polêmica em 2012, ao afirmar que o Brasil precisava de "um chute no traseiro" para acelerar os preparativos para o Mundial-2014. Já Kattner foi demitido em 23 de maio.

Acusações contra InfantinoCoincidência ou não, esse novo escândalo estourou em um momento delicado para o sucessor, o também suíço Gianni Infantino, eleito em fevereiro.

Na quinta-feira, o jornal Die Welt publicou que o dirigente está sendo investigado pela justiça interna da Fifa por ter pedido em e-mails para apagar o conteúdo de gravações da última reunião do Conselho da Fifa, o braço executivo da entidade, em maio, na Cidade do México.

A comissão de ética da Fifa, porém, informou à AFP por meio de um e-mail do porta-voz Roman Gleiser que "não foi aberto nenhum procedimento formal contra Infantino".

"Todas as reuniões oficiais da Fifa são gravadas e arquivadas, como foi o caso na Cidade do México", garantiu a Fifa.

"A troca de e-mails dizia respeito à destruição de uma cópia das gravações originais armazenada de forma inadequada no servidor local. O arquivo original existe, e está devidamente armazenado", argumentou a entidade.

A imprensa alemã também chegou a acusar Infantino de julgar insuficiente o salário que lhe foi oferecido para comandar a Fifa.

"Há gente na Fifa solta por aí; não vão deixar barato para Infantino", avisou uma ex-dirigente da organização que preferiu manter o anonimato.

O suíço já sofreu uma primeira desavença no dia 14 de maio, quando o da comissão de auditoria e conformidade da Fifa, Domenico Scala, renunciou ao cargo para protestar contra a aprovação de uma medida, que, segundo ele, coloca coloca em risco a independência de órgãos responsáveis por fiscalizar membros da entidade.

Na véspera, ainda no México, o novo presidente da Fifa esbanjava otimismo: "a crise terminou".

Três semanas depois, não existem dúvidas de que o terremoto que abala o futebol mundial há mais de um ano não vai parar tão cedo de ter réplicas.

pr-pgr/mam/dr/ma/fp/lg/mvv

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