Esporte

Atletas russos continuam treinando à espera da decisão da IAAF

16/06/2016 22h34

Zhukovsky, Rússia, 17 Jun 2016 (AFP) - Há mais de seis meses, os atletas russos vivem um dilema: precisam se preparar para os Jogos Olímpicos mesmo sem saber se vão poder viajar ao Rio de Janeiro, por conta da suspensão do país de todas as competições internacionais de atletismo.

A decisão final da IAAF sobre a participação russa nas provas de atletismo dos Jogos será tomada nesta sexta-feira, em Viena.

Enquanto isso, no estádio Meteor de Jukovski, no subúrbio de Moscou, uma competição interna é organizada, longe das condições ideais.

As arquibancadas estão praticamente vazias, a chuva atrapalha e os resultados não são nada satisfatórios.

O lançador de martelo Sergey Litvinov Jr participa apesar de uma lesão no glúteo.

Com a suspensão das competições internacionais, decretada desde novembro pela IAAF após revelações da Wada sobre um esquema de "doping organizado" no país, a preparação olímpica ficou muito mais complicada na Rússia.

"Eu precisava participar porque temos muito poucas oportunidades de competir", justifica Litvinov, depois de ficar em segundo lugar.

"Se tivesse ficado em casa para me recuperar da minha lesão, correria o risco de não estar preparado mentalmente para disputar os Jogos", explica o atleta de 30 anos.

"Quando uma pessoa tem um objetivo claro no seu inconsciente, é mais fácil alcançá-lo. Mas quando há todo tipo de dúvidas, você continua treinando, mas a concentração despenca de 100% para 80 ou 70%", lamenta.

A competição em Jukovski é a última antes do campeonato nacional russo, na semana que vem, mas nada fará sentido se a IAAF mantiver a suspensão do atletismo russo como um todo nos Jogos.

- Fantasma de 1984 -Mariya Kuchina, estrela do salto em altura, venceu a prova com a marca de 1,90 m, enquanto tinha saltado 2,01 m em agosto do ano passado, quando conquistou a medalha de ouro no Mundial de Pequim.

"Precisamos de competições internacionais porque aqui, o ambiente é muito diferente, os competidores também", lamenta a atleta de 23 anos.

Sergey Shubenkov, atual campeão mundial dos 110 m com barreiras, também ficou preocupado com seu tempo.

"Um tempo de 13.41 não é o tipo de marca que você quer ter em junho", admite o corredor de 25 anos, que completou a distância em 12 segundos e 98 centésimos em Pequim.

"Existe uma explicação lógica: nossa temporada foi bastante diferente neste ano", ironiza.

Litvinov e Shubenkov vivem uma situação semelhante à frustração dos seus pais, 'vítimas' do boicote do bloco soviético nos Jogos de Los Angeles-1984, em plena guerra fria.

Natalya Shubenkova, mãe de Shubenkov, fez parte dos atletas frustrados. Também foi o caso de Sergey Litvinov sênior, medalhista de prata em casa nos Jogos de Moscou-1980, que precisou esperar oito anos para conquistar o ouro, em Seul-1988.

"A diferença é que, desta vez, a decisão não é do nosso país", lembra Sergey Shubenkov. "Somos forçados".

Caso a IAAF mantenha a punição, a pista do Engenhão não terá campeões mundiais como Shubenkov ou Kuchina, nem a estrela do salto com vara, Yelena Isinbayeva, que sonha em conquistar o tricampeonato olímpico no Rio.

gtf-all/kat/pga/dhe/lg

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