Esporte

De Sevilha a Marselha, 34 anos de rivalidade franco-alemã no futebol

04/07/2016 18h16

Paris, 4 Jul 2016 (AFP) - A França enfrenta a Alemanha nas semifinais da Eurocopa, na próxima quinta-feira (7), em Marselha, com sede de revanche depois da desilusão de 1982, em Sevilha, e da derrota por 1 a 0 no Maracanã, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2014.

As duas seleções nunca se enfrentaram no torneio continental, mas os "Bleus" são "fregueses" da "Mannschaft" em Mundiais. No total, foram quatro confrontos, e a única vitória francesa foi em 1958, na Suécia, na disputa pelo terceiro lugar (6-3).

Depois disso, foram três eliminações seguidas, nas semifinais em 1982, na Espanha (nos pênaltis, depois do empate em 3 a 3 na prorrogação) e em 1986, no México (2-0), e nas quartas em 2014, no Brasil (1-0).

. 1982: o trauma de SevilhaSevilha 82. A simples menção da cidade andaluza associada a essa data dá calafrios a muitos franceses. O jogo foi em 8 de julho, uma quinta-feira, mesmo dia da semana em que será disputada a semi da Euro, 34 anos depois, em Marselha.

O duelo teve todos os ingrediente de uma partida épica. Com seu "quadrado mágico" formado por Michel Platini, Alain Giresse, Jean Tigana e Bernard Genghini, a França tinha uma das melhores gerações de sua história.

Littbarski abriu o placar para a Alemanha aos 17 minutos de jogo, e Platini empatou de pênalti dez minutos depois.

O lance que deixa o torcedor francês revoltado até hoje é a entrada criminosa do goleiro Harald Schumacher em Battiston. O choque deixou o atacante desacordado, mas o juiz sequer marcou falta e mandou o jogo seguir.

Em uma prorrogação surreal, a França abriu a vantagem de 3 a 1 com gols de Trésor e Giresse, mas Karl-Heinz Rummenigge e Klaus Fischer arrancaram o empate alemão e forçaram a decisão nos pênaltis.

O meia Didier Six e o zagueiro Maximo Bossis desperdiçaram suas cobranças, deixando a Alemanha avançar para a final, que acabou perdendo por 3 a 1 para a Itália.

Já a França se consagrou na Eurocopa de 1984 e teve sua revanche contra os alemães quatro anos depois, no México.

. 1986: a decepção de GuadalajaraO cenário mudou, e as equipes, também.

No México, Luis Fernandez substitui Genghini no quadrado mágico francês. O meia do Paris Saint-Germain foi o carrasco do Brasil de Zico e Sócrates, ao converter a cobrança de pênalti decisiva nas quartas de final, em partida quase tão épica quanto a semi de Sevilha quatro anos atrás.

O desgaste acumulado acabou sendo fatal para os "Bleus". A equipe já não estava 100% por conta da lesão de Platini, que jogou todo o torneio no sacrifício.

Em Guadalajara, a França nunca esteve perto de dar o troco na Alemanha. Andreas Brehme abriu o placar logo aos 9 minutos de jogo, e Rudi Völler fechou o caixão francês no final da partida.

A derrota marcou o fim de uma geração dourada, a mais talentosa da França até então, superada apenas por Zidane e companhia, que fizeram novamente dos "Bleus" os carrascos do Brasil nas Copas de 1998 e 2006.

. 2014: a inexperiência no RioO terceiro duelo de mata-mata entre França e Alemanha foi há dois anos, no Maracanã, nas quartas de final da Copa do Mundo no Brasil.

As duas seleções se encontravam em momentos bem diferentes. Os franceses ainda estavam tentando superar o trauma do fiasco do Mundial anterior, na África do Sul-2010, quando foram eliminados na primeira fase, com direito à greve de jogadores.

Do lado alemão, Joachim Löw, que assumiu o comando da "Mannschaft" em 2008 e começou trabalhando como auxiliar de Jurgen Klinsmann em 2004, começava a colher os frutos do trabalho de longo prazo.

Os alemães, que já haviam chegado às semifinais dos últimos quatro grandes torneios disputados, alcançaram a quinta com um gol de bola parada. Em cobrança de falta de Toni Kroos, Matts Hummels subiu mais alto que Varane e garantiu a classificação dos futuros campeões mundiais.

No forte calor da tarde carioca, os "Bleus" tentaram de tudo para buscar o empate, mas esbarraram em um "paredão": Manuel Neuer, o melhor goleiro do mundo, que fez defesas espetaculares. Uma delas foi em chute à queima-roupa de Karim Benzema no final da partida.

Na próxima quinta-feira, Hummels estará suspenso. Benzema e Varane sequer foram convocados para a Euro: o primeiro, por causa de problemas extracampo; o segundo, por lesão.

Será escrita uma nova página dessa história de forte rivalidade, com a França apostando no fator casa, e a Alemanha trazendo o peso da tradição de uma seleção tetracampeã mundial e tricampeã europeia.

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