Esporte

Franceses relembram semifinal épica contra a Alemanha em 1982

05/07/2016 13h40

Paris, 5 Jul 2016 (AFP) - "Esperança, alegria, ódio e drama": é com essas palavras que Alain Giresse resume um dos maiores traumas da história do futebol francês: a semifinal de Copa do Mundo perdida nos pênaltis para a Alemanha, em 1982, em Sevilha: uma partida antológica que marcou uma geração inteira de franceses.

"A ferida permanecerá aberta eternamente", se emociona Bernard Genghini, que formou com Giresse, Jean Tigana e Michel Platini o 'quadrado mágico' de uma das seleções mais talentosas da França.

A dois dias de mais uma semi contra a 'Mannschaft', na próxima quinta-feira, em Marselha, pela Eurocopa que os 'Bleus' disputam em casa, os ex-jogadores dessa geração relembram à AFP a tragédia esportiva vivida 34 anos atrás, no dia 8 de julho de 1982, na Espanha.

"O jogo de Sevilha é um mito. Até os mais jovens ouviram falar, pelo pai, o avô. Foi um jogo inesquecível, que ficou para a história por causa do seu desenrolar, a dramaturgia e todas as emoções que proporcionou", descreve Genghini.

Uma das imagens mas marcantes foi Patrick Battiston deitado na maca, desacordado, com o capitão Platini segurando sua mão. O atacante acabava de ser derrubado com muita violência pelo goleiro Harald Schumacher, uma entrada criminosa que sequer foi punida com falta pelo árbitro.

"Sempre existem referências a esse lance, mas cada vez menos. É melhor assim, vamos virar a página", comenta Battiston, hoje com 59 anos, que demorou muito tempo para se recuperar da fissura em uma vértebra cervical e também teve vários dentes quebrados.

"Quando penso nisso, ainda me deixa com raiva. Não por causa do que Schumacher fez, mas por causa do árbitro que não o puniu e mandou o jogo seguir", lamenta o ex-zagueiro Marius Trésor, de 66 anos.

"Para nós, essa injustiça ficará pare sempre, apesar da geração atual ter virado a página", concorda Genghini, de 58 anos, substituído dez minutos antes de Battiston ser derrubado pelo goleiro alemão e que teve que assistir à cena do banco de reservas. "Ainda guardo sentimentos de ódio e de raiva", confessa.

- 'Além do futebol' -Giresse, de 63 anos, não vai se esquecer da agressão tão cedo; "O juiz não deu nada: não foi cartão vermelho, amarelo, sequer uma falta, nada! E no segundo gol alemão, cometeram falta em mim e em Platini", reclama o ex-meia.

Apesar desses sentimentos de rancor e ódio, os ex-jogadores admitem que a forte rivalidade histórica entre países que se enfrentaram em duas guerras mundiais aumentou ainda mais a dramaticidade.

"Não sei se podemos ir tão longe, mas é verdade que depois dessa partida, muitos desses sentimentos voltaram à tona. Foi além de um jogo de futebol", opina Genghini.

No momento da lesão de Battiston, o placar estava empatado em 1 a 1. Littbarski abriu o placar para a Alemanha aos 17 minutos de jogo e Platini empatou de pênalti dez minutos depois.

Nenhum outro gol saiu no tempo normal e as duas seleções disputaram uma prorrogação totalmente surreal.

A França conseguiu abrir vantagem de 3 a 1, ainda no primeiro tempo do tempo extra, com gol de Trésor e Giresse.

"Naquela noite, passamos por todas as emoções possíveis em duas horas. É difícil guardar uma boa lembrança de uma derrota tão cruel, mas eu guardo esse instante, depois do meu gol. Foi uma intensidade incrível. Agradeço a vida por ter me proporcionado isso", lembra "Gigi".

- 'Maior decepção da carreira' -A alegria durou pouco. Os alemães Karl-Heinz Rummenigge e Klaus Fischer arrancaram o empate e forçaram a decisão nos pênaltis.

O meia Didier Six e o zagueiro Maximo Bossis desperdiçaram suas cobranças, deixando a Alemanha avançar para a final, que acabou perdendo por 3 a 1 para a Itália.

Quatro anos depois, a França voltou a disputar uma semi de Copa do Mundo contra a 'Mannschaft', mas não houve revanche em Guadalajara: a derrota por 2 a 0 foi inapelável.

"Abrimos mão de algo grandioso", lamenta Giresse. "Continuamos jogando para frente mesmo com dois gols de vantagem. Deveríamos ter controlado mais o jogo", analisa.

"É obviamente a maior decepção da minha carreira. Não pensava que seria possível passar por tantas emoções em tanto tempo. Esperança, alegria, ódio e drama", completa Giresse, que hoje é técnico da seleção do Mali.

"Até hoje, os jogos entre França e Alemanha ainda têm um sabor especial, porque somos dois países vizinhos", garante Genghini.

Já Battiston está ansioso para assistir à semifinal de quinta-feira, 7 de julho de 2016, 34 anos depois do duelo épico de 8 de julho de 1982. "É mais uma semifinal, mas não tem nada a ver como o jogo de Sevilha. Essa é uma semifinal que vamos ganhar!"

eba-ab-rap/pgr/lg/am

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