Esporte

Futebol argentino atravessa pior crise de sua história; Maradona acusa 'máfia'

06/07/2016 17h03

Buenos Aires, 6 Jul 2016 (AFP) - Crise no futebol argentino. A AFA está agonizando, sem liderança e em meio à intervenção imposta pela Fifa por suposta corrupção, enquanto Maradona se oferece para capitanear a seleção após a renúncia de Martino e critica a "mesma máfia" que segue no poder.

Farto da falta de comando e sem poder sequer convocar a equipe para os Jogos do Rio-2016, Gerardo Martino disse basta.

"É resultado também do maltrato provocado pela desorganização do futebol argentino", comentou o presidente da Argentina, Mauricio Macri, que se encontra na Alemanha em visita oficial.

Enquanto a AFA sofre um colapso e a Fifa busca uma saída para a entidade, Macri critica: "Não podemos continuar com um sistema repleto de vícios e corruptelas dentro do futebol, espero que as reformas impulsionadas por esta comissão da Fifa sigam em frente".

A seleção ficou à deriva e Diego Maradona se ofereceu para ser o salvador. O ex-craque se reuniu nesta quarta-feira em Buenos Aires com a AFA como colaborador direto do presidente da Fifa, Gianni Infantino, e saiu do encontro cuspindo marimbondos e criticando a federação.

"Foi preciso interromper a reunião! Ninguém interrompe uma reunião minha! Vim para falar de futebol e dos problemas da AFA. Me dói na alma ter que dizer isso, mas se Gianni Infantino propõe isso, não aceito", declarou o ex-camisa 10, referindo-se ao pedido do presidente da Fifa de negociar a resolução da crise com a atual diretoria da federação.

"Continuamos com a mesma máfia 'grondonista' (pelo falecido ex-presidente da AFA e vice da Fifa Julio Grondona). Não quero passar a borracha em tudo isso. Quero uma auditoria, Quero uma AFA limpa e transparente", acusou.

Suas flechas verbais apontam para a geração de dirigentes esportivos, alguns ainda vigentes, que acompanharam Grondona, falecido em 2014, por quase 30 anos no comando da AFA.

- Martino não aguenta crise -Cansado dessa situação de ingerência, Martino acabou deixando o cargo de técnico sem glórias, não conseguindo acabar com a maldição dos 23 anos sem títulos da Argentina. Ao sair, deixou uma equipe já em choque pela renúncia de Messi, que para piorar acaba de ser condenado pela justiça espanhola por milionária fraude fiscal.

Messi deu as costas à seleção argentina porque não aguentou perder a Copa América do Centenário, a quarta vez que um título lhe escapa na final.

Mas o cenário mais assustador ainda é o tsunami que sacode a AFA, com os cofres vazios e dirigentes envolvidos em disputas por dinheiro e poder.

Há também briga pela repartição antecipada dos direitos de transmissão de uma futura Superliga.

Os clubes de menor porte temem ser prejudicados e sabem que o projeto contempla a possibilidade da criação de sociedades anônimas, aumentando sua vulnerabilidade e diminuindo a transparência.

- Futebol + política = poder -Na briga de todos contra todos, a AFA ficou sem presidente. O mandato de Luis Segura chegou ao fim em junho. De maneira emergencial, o cartola segue no comando por questões administrativas indispensáveis.

O governo também fez sua parte para aumentar a confusão.

Na Argentina, o futebol é um mundo de poder que mexe com a paixão de milhões de pessoas e se entrelaça com a política. É desse mundo que vem Macri, presidente do Boca Juniors entre 1991 e 2007.

Macri é favorável à Superliga, que conta também com o apoio do atual presidente do Boca, Daniel Angelici, além dos mandatários dos clubes rivais River Plate, San Lorenzo e Racing.

O presidente do sindicato dos operários, Hugo Moyano, é também presidente do Independiente e quer presidir a AFA. Apesar de apoiar a Superliga, há ressalvas: Moyano organizou a primeira e maciça manifestação contra o governo Macri, em Abril. Macri não quer Moyano na AFA.

Outro candidato é o apresentador de televisão e dirigente do San Lorenzo Marcelo Tinelli, que, em seu programa, um dos mais vistos da Argentina, ridiculariza com imitações Macri e seus ministros.

- Feridos -A decisão do governo de suspender há um mês o pagamento à AFA pelos direitos de transmissão de jogos aumentou a crise.

A entidade está sendo investigada por oficiais do governo e da justiça.

A juíza Servini de Cubría tenta determinar onde foram parar os milhões de dólares que o Estado pagou à federação desde 2009.

A Fifa enviou uma comissão para normalizar a situação da AFA e evitar a catástrofe da desfiliação.

Enquanto isso, quem mais sofre é o futebol. A um mês do início dos Jogos Olímpicos, Martino entregou o cargo, farto com a crise que afeta seu trabalho diretamente. Antes de viajar aos Estados Unidos para disputar a Copa América, revelou que a federação lhe devia seis meses de salários atrasados.

A isso se somou a resistência dos clubes de ceder jogadores para a disputa do torneio olímpico, que não faz parte do calendário da Fifa.

- Próximo técnico -A participação da equipe nos Jogos do Rio corre risco pela negativa de clubes argentinos e europeus em ceder jogadores. Uma catástrofe inédita no futebol argentino, medalhista de ouro olímpico em 2004 e 2008.

O único técnico com contrato vigente é Julio Olarticoechea, que assumirá a equipe olímpica e espera ter tempo de formar uma equipe a tempo. Maradona quer ajudar.

Segura descartou o ídolo: "Não há candidato e Maradona não será assistente de Olarticoechea", declarou.

A pergunta que não quer calar, porém, é quem assumirá a seleção depois dos Jogos? Pelas eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia-2018, a Argentina recebe o Uruguai em 1 de setembro.

Os nomes mais cotados são de Diego Simeone, técnico do Atlético de Madri e tido como um dos melhores treinadores do mundo, e José Sampaoli, que acaba de assinar vínculo com o Sevilla. Ou seja, os dois sonhos de consumo da AFA parecem ser apenas sonhos distantes, que provavelmente não vão querer se meter nessa crise sem fim no futebol argentino.

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