Esporte

Russa que denunciou escândalo de doping é eliminada do campeonato europeu

06/07/2016 16h58

Amsterdã, 6 Jul 2016 (AFP) - Única russa autorizada a disputar competições de atletismo por ter revelado o sistema de doping organizado que abala seu país, Yuliya Stepanova participou das séries dos 800 m do campeonato europeu, mas foi eliminada logo na primeira corrida, nesta quarta-feira, em Amsterdã.

A atleta de 30 anos estava tão fora de forma que terminou a prova caminhando, depois dos 600 m, completando a distância em mais de 4 minutos, o dobro do tempo necessário por atletas de elite.

O tempo sequer foi validado: Stepanova foi oficialmente desclassificada por ter pisado fora da sua raia.

Na hora da apresentação dos atletas, ela foi recebida de forma fria pelo público holandês, com aplausos tímidos.

A russa disputou a prova com as cores da Federação Europeia de Atletismo (AEA), já que a Federação Russa é suspensa pela IAAF. Embaixo do seu número, havia a menção "corro limpa".

"Fui bem acolhida pelas outras atletas, todas as meninas que correram na minha série vieram me parabenizar pelo que eu fiz, me dizendo que fui corajosa", se emocionou a corredora.

Sua presença nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 ainda não está garantida, já que o COI só quer autorizá-la a correr com as cores da Rússia, alegando que o comitê olímpico russo não está suspenso.

"Não sei se estarei no Rio porque ninguém me deu o direito ou a permissão de participar. Além disso, vou ter que ver como evolui minha lesão", afirmou.

Por motivos óbvios, Stepanova nunca será convocada para competir pelo seu país, onde é considerada por muitos uma traidora.

- 'Pressão forte' -Em 2014, ela e seu marido, Vitali Stepanov, denunciaram o esquema de doping institucionalizado na Rússia em um documentário da televisão alemã, pouco depois de fugir para os Estados Unidos.

"A pressão era muito forte. Muitas pessoas não acreditavam em mim. Agora, as coisas estão melhorando. Mas o fato é que a mídia russa não acredita que contamos a verdade. Pensam que queremos vingança, essa é a versão russa da história", lamentou.

O escândalo, que, além da questão do doping, envolve denúncias de corrupção, levou a IAAF a suspender a Federação Russa em novembro, punição confirmada no mês passado.

A decisão do dia 17 de junho, porém, abriu uma brecha para que atletas 'limpos' possam participar dos Jogos, desde que comprovem que estão submetidos a exames mais rigorosos que os praticados na Rússia.

Também foi aberta uma exceção para Stepanova, pela sua contribuição na revelação do esquema, uma espécie de delação premiada.

Mesmo assim, muitos não veem com bons olhos a participação de uma ex-dopada, que foi suspensa de 2011 a 2013.

"Sou contra o fato de atletas que já se doparam possam voltar a competir. Que tenham denunciado ou não o sistema, não deixa de ser uma injustiça", reclamou na segunda-feira a francesa Rénelle Lamotte, dona da melhor marca europeia da temporada nos 800 m (1:58.01).

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