Esporte

CR7: lágrimas de dor e alegria na final da Eurocopa

10/07/2016 20h15

Saint-Denis, França, 10 Jul 2016 (AFP) - "Em 2004, chorei de tristeza. Domingo, também espero chorar, mas de alegria", disse Cristiano Ronaldo depois da classificação de Portugal à final da Eurocopa. As lágrimas caíram duas vezes: de dor, quando saiu lesionado, e, finalmente, de alegria, com a vitória por 1 a 0 sobre a França.

Depois de amargar o vice-campeonato com apenas 19 anos de idade, com derrota por 1 a 0 em casa para a Grécia, o craque do Real Madrid acabou se consagrando aos 31, mesmo jogando apenas 25 minutos na decisão.

Aos 7 minutos do primeiro tempo, CR7 sofreu uma pancada no joelho em dividida com Dimitri Payet, foi atendido no gramado, tentou voltar, mas acabou saindo de maca, ao prantos, dando lugar a Ricardo Quaresma.

Sua ausência acabou motivando ainda mais os companheiros. Deixando tudo em campo para vencer pelo capitão, os lusos seguraram o ímpeto ofensivo da França, forçaram a prorrogação e acabaram vencendo, com um gol marcado por Éder no tempo extra.

Naquele momento, Cristiano já tinha voltado à beira do gramado. No fim do tempo regulamentar, o três vezes melhor do mundo apareceu com curativo no joelho para incentivar os companheiros.

Ao invés de ficar sentado no banco, ficou em pé praticamente o tempo todo, mancando e saltitando, gritando sem parar e invadindo até a área técnica do técnico francês Didier Deschamps.

A comemoração do gol de Éder foi intensa e o craque não segurou as lágrimas de alegria no apito final e, poucos minutos depois, quando levantou a taça.

Acostumado a se olhar no telão para admirar o bronzeado, CR7 estava mais vermelho que o uniforme de Portugal, depois de tanto choro e emoções de todos os tipos.

- Sonho realizado -O astro continua sem marcar gols contra grandes seleções. Passou em branco contra Alemanha (4 jogos), Espanha (4), Inglaterra (4), França (5), Itália (2), Brasil (3) e Argentina (2), mas conseguiu o mais importante: um troféu com a camisa do seu país.

Feito que seu grande rival, o argentino Lionel Messi, ainda não alcançou: depois de amargar quatro vice-campeonato, na final da Copa América perdida para o Chile, no fim do mês passado, o craque do Barcelona chocou o mundo ao anunciar que não defenderia mais a 'alviceleste'.

Cristiano conseguiu a façanha de se consagrar com uma seleção de menor expressão, que nunca tinha conquistado um título internacional antes deste domingo.

A nível de clubes, CR7 já tinha conquistado praticamente todos os títulos possíveis. Em competições internacionais, foram três Ligas dos Campeões uma com o Manchester United (2008) e duas com o Real (2014 e 2016), além de dois mundiais de clubes.

Ele também coleciona prêmios individuais, com três Bolas de Ouro (2008, 2013 e 2014) e a quarta que já parece estar bem encaminhada.

Artilheiro absoluto da Liga dos Campeões, com 94 gols marcados, ele igualou nesta Eurocopa o recorde de gols de Michel Platini (9).

A marca poderia ter sido batida neste domingo, mas quis o destino que CR7 fosse realizar seu sonho sem estar em campo.

- Drama em três atos -O grande drama da final foi uma peça de três atos. Aos 7 minutos de jogo, o atacante desabou no gramado, gritando, depois da pancada que recebeu de Payet. O gesto não foi proposital e o árbitro inglês Mark Clattenburg sequer marcou falta.

Quando o ídolo de toda uma nação estava sendo atendido na beira do campo, os estádio inteiro se calou. Mas o pior ainda estava por vir.

Cristiano voltou ao gramado, mas caiu de novo dez minutos depois, aos prantos. Uma das milhares de borboletas que invadiram o Stade de France pousou perto do seu olho, como se fosse enxugar a lágrima. A cena mais marcante do segundo ato.

Os franceses Paul Pogba e Blaise Matuidi tentaram confortá-lo, seu companheiro Nani também apareceu, mas não teve jeito.

CR7 tentou o possível e foi atendido mais uma vez pela equipe médica, sob o olhar preocupado de Fernando Santos. Guerreiro, voltou a campo de novo, carregado pelo canto da torcida, que entoava um hino com seu nome, usando a melodia do clássico do rock 'Seven Nations Army', da banda White Stripes.

O terceiro ato durou apenas três minutos. Na primeira tentativa de arrancada, ele mal conseguiu correr. Resignado, acenou para o banco, jogou a braçadeira no chão e voltou a chorar copiosamente, antes de desabar de novo no gramado.

A maca foi acionada, Nani pegou a braçadeira e todo o estádio ficou de pé para ovacionar o craque. Até os franceses, que o vaiavam a cada toque na bola antes da lesão, aplaudiram o craque rival, um claro sinal de respeito.

A prorrogação proporcionou um quarto ato, mas a peça deixou de ser uma tragédia portuguesa.

Cristiano voltou à cena, como se fosse auxiliar de Fernando Santos, orientando os companheiros, reclamando da arbitragem e pedindo ainda mais apoio da torcida.

Depois de uma longa noite repleta de emoções, o astro brilhou no pódio, levantando a taça no céu de Saint-Denis, numa consagração épica, a menos de três quilômetros da tumba dos Reis da França.

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