Esporte

Rússia se agarra às últimas esperanças a três dias dos Jogos

02/08/2016 21h19

Rio de Janeiro, 3 Ago 2016 (AFP) - A três dias da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio, representantes de dois nadadores que chegaram a ser banidos foram autorizados a competir, enquanto o COI está reunido para tratar de assuntos delicados, com o doping no centro das preocupações.

A informação veio de Moscou, na manhã desta terça-feira. Vladimir Morozov e Nikita Lobintsev, ambos excluídos pela Federação Internacional de Natação (Fina), teriam sido liberados para disputar medalhas na Cidade Maravilhosa.

O problema é que nem o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) de Lausanne, na Suíça, que opera atualmente no Rio, nem a Fina confirmaram essa autorização.

A validação desse anúncio seria a primeira vitória russa desde a publicação do relatório McLaren, divulgado no dia 18 de julho, que revelou o funcionamento do esquema de doping de Estado no país.

Outros atletas ainda podem ser liberados, já que 30 deles no total já recorreram diante do TAS, a título individual ou coletivo.

O certo é que não será o caso de 17 remadores: um dirigente do TAS informou à AFP que o recurso desses atletas foi negado.

Ainda nesta terça-feira, o presidente do Comitê Olímpico Russo, Alexrandr Jukov, que participou do congresso do COI, chamou de "discriminação" a exclusão de parte da sua delegação.

"Em alguns casos, atletas russos limpos são suspensos sem justificativa nem prova, só porque foram mencionados no relatório McLaren", reclamou o dirigente.

"Nesse caso, quem protege os direitos dos atletas limpos? Alguns atletas são mais limpos que outros? Não seria discriminação?", indagou.

'Morte e destruição'Como era esperado, o escândalo do doping russo foi o principal assunto em pauta no congresso do COI.

O presidente da entidade, Thomas Bach, pediu "uma revisão total do sistema de luta antidoping".

O COI faz um apelo pela criação de um modo de combate mais robusto e eficiente que requer responsabilidades claras, mais transparência, mais independência e uma maior harmonia", declarou Bach na abertura dos debates.

Também presente no congresso, o presidente da Agência Mundial Antidoping (Wada), Craig Reedie fez questão de rebater as críticas do presidente do COI.

"Eu ouvi dizer mais cedo que o sistema antidoping não está mais funcionando. Queria responder que nem tudo está quebrado. Uma parte está, e temos que identificar os aspectos que merecem atenção", argumentou Reedie.

Na sua intervenção, o alemão também rebateu críticas da Wada, que tinha pedido para que o COI opte pela suspensão total da Rússia, após a publicação do relatório McLaren.

"Consideramos por um momento as consequências de uma opção nuclear. O resultado é morte e devastação. Não é o que defende o movimento olímpico", afirmou.

Ao invés dessa "opção nuclear", o COI preferiu deixar as federações internacionais de todas as modalidades estabelecer listas de atletas considerados 'elegíveis', de acordo com critérios muito rigorosos.

Foram excluídos, por exemplo, os esportistas já punidos por doping ou mencionados no relatório McLaren.

Um painel do COI deve validar essas listas até sexta-feira as listas, com a possibilidade de novas exclusões.

'Sempre houve dopados'A federação precursora foi a IAAF (atletismo), que já tinha suspenso a Rússia de todas as competições internacionais da modalidade desde novembro, uma decisão confirmada no mês passado pelo TAS, tirando estrelas como a lenda do salto com vara Yelena Isinbayeva.

Depois da recomendação do COI, o levantamento de peso teve todos os oito atletas russos excluídos e 22 dos 28 remadores russos também ficaram de fora.

Outras federações, porém, não foram tão severas, a os boxeadores e ginastas ainda não conhecem seus destinos.

Já Vitali Stepanov, que foi um dos responsáveis por denunciar o esquema, mostrou-se cético com as medidas adotadas pelo COI com as federações internacionais.

"Sempre houve atletas dopados, em todas as olimpíadas, e não há motivos para que seja diferente no Rio", denunciou Stepanov em entrevista ao jornal francês L?Équipe.

Ex-funcionário da Agência Antidoping da Rússia, o delator revelou o esquema em documentário do canal alemão ARD, ao lado da esposa, a meio-fundista Yuliya Stepanova, que chegou a ser autorizada pela IAAF a disputar os Jogos, mas teve a participação vetada por ter testado positivo em 2013.

Essa punição "significa que o COI não aceita as pessoas que dizem a verdade", acusou Stepanov.

'Sinal de esperança'Durante a sessão do COI, que termina na quinta-feira, os debates também giraram em torno de outras fontes de preocupação, entre elas a Vila dos Atletas, que recebeu a visita de Bach na segunda-feira.

Na semana passada, a Vila foi um dos assuntos mais polêmicos, com graves problemas de acabamento, que atingiram principalmente a delegação australiana.

Problemas também aconteceram em outras obras. O presidente da União Ciclista Internacional (UCI), Brian Cookson, admitiu à AFP que "ficou preocupado por muito tempo" por causa dos atrasos na conclusão do velódromo.

Para ele, porém, a preocupação já ficou para trás. "Todo mundo trabalhou muito duro e o velódromo vai ser fantástico", garantiu o dirigente.

Bach aproveitou o evento para apresentar o time de refugiados, dez atletas que representam, segundo ele, um sinal de esperança para todos os refugiados do mundo.

"Não escolhemos deixar a nossa pátria e não escolhemos esse nome de refugiados. No início, ficamos com vergonha dessa palavra", relatou a nadadora Yusra Mardini, síria de 18 anos que atravessou o mediterrâneo a bordo de uma canoa furada.

ebe-ol/pga/el/lg/mvv

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