Esporte

Shatalova, a atleta da Crimeia que escolheu a Ucrânia e conseguiu vir ao Rio

03/08/2016 20h00

Kiev, 3 Ago 2016 (AFP) - Maria Shatalova pode agradecer a sua estrela da sorte. Ao decidir permanecer na equipe de atletismo da Ucrânia, ao invés de se juntar aos russos após a anexação da Criméia, sua região natal, ela validou seu bilhete para os Jogos Olímpicos Rio.

"Estou feliz porque todo o nosso trabalho não foi em vão. Novas experiências estão nos aguardando", afirma a atleta de 27 anos, especialista dos 3.000 m com obstáculos, em entrevista à AFP.

Os esportistas da península da Crimeia se encontram em uma situação bastante inusitada. Alguns optaram por continuar defendendo a Ucrânia, outros aceitaram competir sob bandeira russa depois da anexação.

Além desse contexto geopolítico tenso, o escândalo de doping de Estado na Rússia acabou com as esperanças de medalhas russas no atletismo, por conta da punição aplicada pela Federação Internacional da modalidade (IAAF).

Maria Shatilova escolheu sua bandeira bem antes da polêmica estourar, em 2015. Quando as tropas russas invadiram a Crimeia, em março de 2014, ela já vivia em Kiev, a capital ucraniana.

"Quando os eventos de 2014 aconteceram, treinadores da Crimeia que me conheciam há muito tempo sugeriram que eu voltasse para a casa", relata.

"Eles apostavam em um futuro brilhante, mas nessa épica, eu já trabalhava com meu treinador, em Kiev, e gostava do relacionamento criado dentro do grupo. Por isso decidi ficar e participar da competição com a Ucrânia", relembra.

Decisão pessoalPor causa da situação política, Shatalova praticamente não volta para a Crimeia, onde nasceu, para visitar seus pais, e diz não ter tido oportunidades de conversar com outros atletas da península que optaram pela Rússia.

"Eles tomaram a decisão deles, eu tomei a minha", explica a atleta. "Nem todo mundo pode deixar tudo e se mudar para outra cidade", justifica.

Shatalova não faz parte das favoritas na disputa por medalhas no Rio, mas está em cantada só de poder participar dos Jogos.

"Minha ambição para essa Olimpíada é não fazer nenhum plano", brinca.

Seu sorriso contrasta com a decepção de outra atleta nascida na Crimeia, que acabou optando por defender a Rússia e por isso não poderá competir na Cidade Maravilhosa.

A lançadora de dardo Vera Rebrik não viajará ao Brasil, assim como outros 67 membros da equipe de atletismo russo suspensos pela IAAF.

Rebrik, que também tem 27 anos, se sagrou campeã europeia em 2012, sob a bandeira ucraniana, mas decidiu continuar a carreira como atleta russa depois da anexação.

"Estou chocada. É uma decisão muito injusta", lamentou a lançadora, em entrevista à agência russa R-Sport. Ela era uma das favoritas ao ouro no Rio.

"Não sei por que existe tamanha pressão em cima da equipe russa, mas podemos chamar isso de ataque psicológico" completou Rebrik, que acreditou até o fim nas suas chances de disputar os Jogos do Rio, mas viu suas esperanças acabarem com a confirmação da punição da IAAF pelo Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), no mês passado.

dg-del/lap/tbm/kat/ol/ah/jcp/lg/mvv

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