Esporte

A vida sorri para a atleta mais jovem dos Jogos do Rio

05/08/2016 15h19

Rio de Janeiro, 5 Ago 2016 (AFP) - Aos 13 anos, a menina nepalesa Gaurika Singh conseguiu mais do que muitos se atreveriam a sonhar: sobreviver a um grande terremoto e estar nos Jogos Olímpicos, os do Rio, onde é a atleta mais jovem.

"Há dois meses me disseram finalmente que ia competir. Eu me senti como 'uau!', porque nunca acreditei que fosse acontecer", explicou à AFP na Vila Olímpica do Rio, onde, confessa, o que mais a surpreendeu foi o tamanho do refeitório.

"Meus colegas de escola ficaram muito felizes, me enviaram muitas mensagens e recados desejando boa sorte", afirmou.

Singh ri ao fim de cada frase e tem o clássico sotaque de uma adolescente de Londres, para onde sua família se mudou quando ela tinha 2 anos.

Do clube do bairro aos Jogos em 5 anosComeçou a nadar aos 8 anos no clube de seu bairro, Barnet, e aos 11 foi encorajada a participar de uma competição em Katmandu, aproveitando férias familiares: venceu quase tudo, batendo vários recordes nacionais de adultos, contou seu pai, Paras Singh.

Dois anos depois, em 7 de agosto, entrará na piscina olímpica do Rio para competir nas primeiras eliminatórias dos 100 metros costas.

Sua melhor marca é 1:08:12, enquanto a da australiana Emily Seebohm, a mais rápida das que competem no Rio, é dez segundos menor, 58:73.

Singh está consciente de que sua participação pode acabar neste dia, e busca simplesmente bater seu recorde e conhecer Seebohm, mas também está decidida a fazer com que estes sejam os primeiros de muitos Jogos.

No caso improvável de conquistar uma medalha, não será a mais jovem da história a alcançar este feito. Esta honra recairá, certamente para sempre, em Dimitrios Loundras, um menino grego que aos 10 anos conquistou um bronze na ginástica por equipes nos primeiros Jogos da era moderna, os de Atenas-1896.

No entanto, Singh aproveita tudo. "O Rio é lindo! Faz muito calor. O ambiente é muito bom, há muita dança e música. Esta é uma boa ocasião para fazer amigos e conhecer gente", contou.

Na Vila Olímpica ninguém a reconheceu como a mais jovem, e ela parece feliz com isso: "espero não parecer tão pequena!", afirmou, soltando uma gargalhada que permitia ver os aparelhos ortodônticos nos dentes.

O terremoto de KatmanduEm abril de 2015, a vida se tornou difícil para Singh e sua família. Estavam em Katmandu quando foram surpreendidos pelo grande terremoto que matou mais de 8.000 pessoas.

"Estávamos em um edifício de cinco andares. Estávamos jogando tênis de mesa. Aconteceu de repente, fomos para baixo da mesa, era muito pesada. Não nos movemos e, felizmente, todos sobrevivemos e não houve danos", contou.

Seu pai, urologista, permaneceu um mês no Nepal para ajudar, enquanto ela doou o dinheiro, centenas de libras, que havia acabado de receber por ter quebrado o recorde nacional.

Singh se sente nepalesa. "Vou uma vez por ano, se tenho sorte duas. Gosto de ver a família e a comida. Gosto da fruta fresca que eles têm, é melhor no Nepal que na Inglaterra!", exclama.

"Nunca me considerei realmente inglesa, porque tenho o passaporte nepalês e porque vamos com tanta frequência que nunca me senti inglesa", afirma, minimizando o fato.

A mensagem de seu pai é simples, para que não sinta pressão: "aproveite", disse Paras Singh.

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