Esporte

Olimpíadas são alvo de protestos antes da cerimônia de abertura

05/08/2016 18h53

Rio de Janeiro, 5 Ago 2016 (AFP) - A tocha Olímpica correu os pontos turísticos do Rio de Janeiro nesta sexta-feira (5) enquanto protestos desencadearam uma explosão de raiva antes da cerimônia de abertura do espetáculo esportivo, que vem sendo atormentado por problemas.

A capital mundial do carnaval espera que o espetáculo no Maracanã dissimule o histórico de sete anos turbulentos, seguidos de uma recessão, aumento da criminalidade e escândalos de doping.

A tocha foi levada para o Cristo Redentor, com uma espetacular vista para o Rio, e para outros pontos turísticos para depois ser conduzida lentamente em direção ao Maracanã, onde a cerimônia de abertura começará às 20H00 de Brasília.

Mas com o relógio na contagem regressiva para o início dos primeiros Jogos Olímpicos da História na América do Sul, milhares de manifestantes tomaram as ruas para demonstrar sua irritação com governantes brasileiros e com o custo bilionário dos Jogos.

Com cartazes escritos "Não às Olimpíadas", cerca de 3.000 pessoas se reuniram em frente ao Copacabana Palace, onde diversos atletas estão hospedados.

"As Olimpíadas só são uma fachada, é tudo um show. Não representa a realidade do Brasil. Eles querem mostrar que tudo é bom e perfeito", disse Ricardo Parente, 59 anos, psicólogo.

Já no entorno do Maracanã, um grupo menor da esquerda-radical, cerca de 500 pessoas, enfrentou a polícia. A maioria das pessoas foi para expressar sua raiva contra o presidente interino, Michel Temer, que está no poder desde maio, quando Dilma Rousseff foi afastada.

"Esse partido não trabalha para as pessoas. Os Jogos não se aproximam da realidade vivida pelos pobres. Então eu estou protestando contra a falta de dinheiro para as escolas e pela maneira que os nossos salários só são pagos em prestações", disse o professor Guilherme Moreira Dias, 38 anos.

O Brasil gastou mais de 10 bilhões de dólares em infraestrutura e preparação para os Jogos enquanto vive uma crise econômica.

A fortuna gasta nas Olimpíadas enfureceu muitos brasileiros à medida em que o país enfrenta uma recessão econômica e inúmeros problemas sociais.

"Está muito difícil agora no estado do Rio para a educação e saúde, por causa da falta de investimento e de pagamento dos salários", disse Iraci Franca, enfermeira de 57 anos.

No Maracanã, os atletas das 207 equipes - que contará pela primeira vez com Kosovo e Sudão do Sul - serão recebidos, além de dezenas de líderes mundiais.

A cerimônia abrirá os 16 dias de competições esportivas com 10.500 atletas, incluindo o rei das pistas Usain Bolt e a estrela das piscinas Michael Phelps, com o encerramento marcado para o dia 21 de agosto.

"Eu espero que a cerimônia de abertura possa ser como um anti-depressivo para o Brasil", disse um dos diretores criativos do show, o aclamado diretor de "Cidade de Deus", Fernando Meirelles.

"Atenas foi clássico, Pequim foi grandioso, Londres foi inteligente - nós seremos legais", acrescentou Meirelles.

Acúmulo de crisesA festa será o pontapé inicial após o acúmulo de inúmeras crises para uma Olimpíada histórica, com uma recessão cortante, alto índice de desemprego, criminalidade crescente e uma crise de saúde pública causada pelo vírus da zika.

A crise política conduziu ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o que significa que a chefe de Estado perderá a cerimônia desta sexta-feira.

O presidente interino, Michel Temer, ficará no lugar de Dilma, podendo enfrentar uma recepção hostil por parte da multidão.

Os jornalistas brasileiros dizem que a música será ligada assim que ele terminar seu discurso para mascarar qualquer vaia como protesto.

Na maioria dos Jogos, o acendimento da pira é um dos pontos altos da abertura.

E o segredo de quem acenderá a pira Olímpica voltou à cena quando o rei do futebol, Pelé, 75 anos, disse que não poderia fazê-lo devido a problemas de saúde.

Um grande cobertor de segurança de 85.000 militares e a policias - número duas vezes maior do que nos Jogos de Londres em 2012 - foi mobilizado para afastar a ameaça de ataques terroristas e crimes nas ruas.

Mas isso não tem sido suficiente para dar uma proteção total, já que vem ocorrendo uma onda de roubos na Vila Olímpica. As delegações dinamarquesa, chinesa e australiana tiveram diversos itens roubados. Câmeras e laptops de jornalistas também foram alvo de roubos.

Escândalo de drogasAntes das disputas esportivas, o escândalo de doping dos atletas russos tomou conta e dividiu o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Agência Mundial Antidoping.

A decisão do COI de não impor uma punição coletiva à Rússia após revelações de um programa de doping patrocinado pelo Estado abriu a porta para um tumulto jurídico, deixando a equipe russa no limbo.

Na quinta-feira (4), o COI confirmou que a equipe russa seria composta por 271 atletas, com 118 eliminados devido ao escândalo das drogas.

O presidente do Comitê Olímpico Russo, Alexander Zhukov, disse que a equipe "provavelmente será a mais limpa do Rio" por conta de todos os testes e checagens que tiveram que se submeter.

A primeira medalha de ouro será disputada no sábado (6) na modalidade de tiro esportivo.

Todos os olhos estarão voltados para a estrela americana da natação, Michael Phelps, o maior vencedor em Olimpíadas na História, quando retornar às piscinas na primeira semana dos Jogos.

No atletismo, a estrela jamaicana Usain Bolt defenderá seus títulos nos 100m, 200m e revezamento 4x100m, tentando conquistar as três categorias pela terceira Olimpíada seguida.

Na ginástica, entretanto, o mundo poderá encontrar a nova queridinha da modalidade, a adolescente americana Simone Biles, enquanto novos esportes farão sua estreia no Rio de janeiro, como o rúgbi de 7 e o golfe.

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