Esporte

Sarah e Kitadai perdem na repescagem e Brasil fica sem medalha no 1º dia do judô

06/08/2016 18h55

Rio de Janeiro, 6 Ago 2016 (AFP) - Há quatro anos, em Londres, o Brasil teve o inícios dos sonhos. Três medalhas, uma de cada cor. Neste sábado, no Rio, a prata veio, com Felipe Wu, no tiro esportivo, mas Sarah Menezes e Felipe Kitadai, ouro e bronze na capital inglesa, deixaram o tatame sem pódio.

Ambos foram derrotados na repescagem. Para Sarah, a dor não foi apenas moral. A piauiense tentou resistir ao tomar uma chave de braço, sofreu uma luxação no cotovelo e foi parar na policlínica do Parques dos Atletas.

A torcida, barulhenta e animada, apesar de ter preenchido apenas a metade dos lugares disponíveis na Arena Carioca 2, apoiou os brasileiros até o fim, mas quem saiu comemorando foram os 'Hermanos'.

A Argentina, em clima de "Decime que se siente", o hino para zombar do Brasil durante a Copa do Mundo, viu Paula Pareto conquistar a primeira medalha de ouro da história do judô do país.

A prata ficou com a sul-coreana Jeong Bok-yeong e os bronzes com a japonesa Ami Kondo e a cazaque Galbadrakh.

Esse primeiro dia nos tatames também teve um momento marcante no masculino: Beslan Mudranova, que chegou à Olimpíada como um azarão, garantiu a primeira medalha da Rússia nos Jogos, ao faturar o ouro.

Uma grande satisfação para o país, que se apresentou com uma delegação truncada, dizimada pelo mega-escândalo de doping que vem agitando os bastidores dos Jogos.

- Lágrimas de dor -Sarah, que era vista como uma das principais esperanças de medalha do país, estreou com pé direito, ao dominar com autoridade a belga Charline Van Snick, atual bicampeã, que já tinha derrotado nas semifinais em Londres, antes de conquistar o ouro.

Nas quartas, porém, veio a primeira decepção. A brasileira de 26 anos não conseguiu encaixar seus golpes diante de uma adversária muito rápida, a cubana Dayaris Alvárez, mas adepta de um judô bastante defensivo, que só venceu a luta por um shido de vantagem.

Sarah foi punida por falta de combatividade depois de um minuto de luta. Empurrada pela barulhenta e animada torcida da Arena Carioca 2, ela não conseguiu reverter o quadro apesar de dominar as ações.

"Taticamente, ela não entrou bem na luta e foi surpreendida logo no começo. Errou na forma de segurar o quimono, deveria ir com as duas mãos, entrou com uma mão de cada vez", analisou Ney Wilson, gestor técnico de alto rendimento da Confederação Brasileira de Judô.

Visivelmente abalada, Sarah só encontrou conforto no abraço da treinadora Rosicleia Campos, que não poupou palavras de incentivo para motivá-la a lutar pelo bronze.

Amparada por Rosicleia, ela fez todo o caminho que leva até a saída da Arena cabisbaixa, numa espécie de volta olímpica das mais amargas. A treinadora pediu o apoio da torcida, levantando a mão para cima, e foi logo atendida.

Na repescagem, porém, não teve jeito. A luta contra a número um do mundo, a mongol Urantsegseg Munkhbat, foi ao golden score, e Sarah, exausta, sofreu a chave de braço. Saiu machucada e aos prantos.

"Ela estava lutando de igual para igual com a mongol, mas não deu. Ela tomou uma chave na primeira, machucou o braço, tentou resistir, tomou de novo, já estava sentindo, e infelizmente ficou para trás", comentou Ney Wilson.

- 'Confiança inabalável' -Já Kitadai começou o dia com uma luta emocionante com o francês Walide Khyar. Ficou em desvantagem até o último segundo, quando encaixou um yuko que levantou a torcida, quando tudo parecia perdido.

A segunda luta, contra o alemão Tobias Englmaier, foi mais fácil, mas tudo ficou mais complicado nas quartas, quando enfrentou azeri Orkhan Safarov, líder do ranking da categoria. Ele até começou bem, mas cometeu um erro fatal e levou um ippon devastador.

Na repescagem, outro ippon, diante diante do uzbeque Diyorbek Urozboev. Muito abalado, Felipe demorou muito a voltar para falar com a imprensa, mas quando reapareceu perto do tatame, recebeu uma vibrante ovação da torcida.

"Lutei muito bem, fico chateado por não ter conquistado a medalha, mas não deixei nada para trás, entrei com coração aberto, não sei se as pessoas viram isso, mas eu dei tudo", afirmou o paulista de 27 anos.

Apesar do desempenho abaixo do esperado de dois medalhistas olímpicos, Ney Wilson não desanimou.

"Ainda temos seis dias de competição, 12 disputas de medalhas e acho que nossa equipe esta bem preparada. A confiança na equipe é inabalável. São muito bem treinados, se dedicaram. Acompanhei de perto e vi o quando se doaram. Acredito que até o dia 12 teremos um resultado muito positivo", completou.

No domingo, será a vez de Érika Miranda (até 52 kg) e Charles Chibana (até 66 kg) entrarem no tatame.

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