Esporte

Os deslizes do hóquei que os brasileiros não perdoam no futebol

08/08/2016 12h43

Rio de Janeiro, 8 Ago 2016 (AFP) - Há marcadores que os brasileiros não esquecem, nem perdoam, mais ainda em um esporte que consiste em se fazer gols. Mas diferentemente do futebol, a seleção de hóquei sobre grama está recebendo todo o carinho do mundo, apesar das derrotas acachapantes.

O Brasil sofreu 19 gols em duas partidas de hóquei sobre grama nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, os primeiros que disputa em sua história.

Primeiro, perdeu para a Espanha por 7-0, um placar que traz más recordações por causa do vexame ante a Alemanha na Copa do Mundo de 2014, e depois sofreu 12 gols da Bélgica, no domingo.

Ao fim da partida contra os belgas, vários jogadores brasileiros choravam inconsoláveis, enquanto os adversários e a torcida brasileira faziam o que podiam para reconfortá-los.

O tom dominante da imprensa brasileira foi o de que algumas derrotas podiam ser vistas como um aprendizado, algo muito diferente das críticas que dominam a cobertura sobre o empate da seleção brasileira de futebol, liderada por Neymar, com o Iraque.

Aproveitando os JogosO padrão se repetiu nas duas partidas dos Jogos, nas quais o Brasil ainda não marcou um gol. Torcida e jogadores dão tudo de si, começam a sofrer gols e há um momento de desânimo. Em seguida, volta a agitação, com a esperança de marcar algum gol.

"Os torcedores foram incríveis. Mesmo sofrendo um gol atrás do outro, ainda incentivavam. Isto não tem preço", disse, agradecido, Chris McPherson, após a surra da Bélgica.

Jogando contra a Espanha, o Brasil resistiu um quarto sem sofrer gols, ante Bélgica 10 minutos.

"Tentamos de tudo e na primeira metade, nos mantivemos no jogo, o que está bem. Depois disso, perdemos um pouco a concentração e sofremos um montão de gols, que não esperávamos", explicou Matheus Borges, após a derrota para a Espanha.

"Nenhum país quer levar uma surra como essa", disse o colega de equipe, Stephane Smith, após o jogo contra a Bélgica. "Mas às vezes, as coisas acontecem assim", admitiu, resignado.

Para Smith, a equipe tem que aproveitar um pouco mais, ao invés de sofrer. "Estava tentando dizer aos rapazes que aproveitem o momento, que sejam positivos e que continuem querendo jogar. Estar nos Jogos Olímpicos é um momento muito especial", acrescentou.

Cinco mil praticantes e um holandêsRaros são os países em que o hóquei sobre grama tem status de estrela. Ocorre, por exemplo, na Índia, na Austrália, na Alemanha e na Holanda. Em outros, como na Espanha, é minoritário, mas há um clube como o Egara, com mais de 80 anos de antiguidade, e um bom histórico olímpico.

No Brasil, ao contrário, é um esporte praticamente inexistente. A seleção brasileira só começou a competir em torneios continentais nos anos 1990 e passou a ter quadras oficiais em 2007, em Deodoro, zona oeste do Rio, onde agora se disputa o torneio olímpico.

Segundo a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), 5.000 brasileiros praticam este esporte em apenas cinco dos 26 estados do país.

A FIH (Federação Internacional de Hóquei), estabelece parâmetros mínimos para participar em Jogos Olímpicos que os homens conseguiram, ao ficar em quarto lugar nos Pan-americanos de 2015, mas as mulheres, não.

Os brasileiros são os 34º do ranking mundial; as brasileiras, as 50ª.

Nas fileiras da equipe masculina joga Patrick Van Der Heijden, de 23 anos, que nasceu e vive na Holanda, uma potência deste esporte.

Jogar pelo Brasil "estreita minha relação com o país da minha mãe, e estou começando a me sentir brasileiro", explicou este jogador que atua em um clube da segunda divisão holandesa e é filho de um holandês e uma brasileira.

"Ainda moro na Holanda, mas a cada momento que passo aqui me sinto mais brasileiro", acrescentou.

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