Esporte

Rafaela Silva brilha e leva primeiro ouro do Brasil nos Jogos do Rio

08/08/2016 18h55

Rio de Janeiro, 8 Ago 2016 (AFP) - Três anos depois do título mundial no Rio, a judoca brasileira Rafaela Silva se consagrou mais uma vez em casa ao conquistar nesta segunda-feira o ouro olímpico na categoria até 57 kg, com vitória sobre a mongol Sumiya Doorjsuren na final.

Foi a segunda medalha brasileira nos Jogos Rio-2016, depois da prata de Felipe Wu no tiro esportivo.

As medalhas de bronze foram para a japonesa Kaori Matsumoto, medalhista de ouro em Londres-2012 e tricampeã mundial, e a portuguesa Telma Monteiro, dona de cinco medalhas em Mundiais, que conseguiu seu primeiro pódio em quatro Olimpíadas.

A carioca de 22 anos, nascida e criada na Cidade de Deus, a poucos quilômetros do Parque Olímpico, tornou-se a segunda mulher brasileira campeã olímpica no judô, depois de Sarah Menezes em Londres-2012.

Enquanto Sarah chegava ao topo, na capital inglesa, Rafa viveu o pior momento da sua carreira.

Ela foi desclassificada nas oitavas de final por usar um golpe ilegal contra a húngara Hedvig Karakas, que acabou derrotando nas quartas nesta segunda-feira.

Depois do revés de Londres, Rafa foi vítima de injúrias raciais, passou por um quadro de depressão e cogitou abandonar o judô, mas deu a volta por cima, ao se tornar a primeira mulher brasileira campeã mundial de judô.

"Pensei que fosse largar o judô e comecei a fazer um trabalho com minha psicóloga. Ela não me deixou abandonar o judô. Meu técnico me incentivada a cada dia em 2014 e 2015 não tive bons resultados, estava meio desacreditada, falaram que eu era uma incógnita, mas eu vim, treinei ao máximo e o resultado veio".

"Essa medalha foi uma resposta para todos que falaram que judô não era para mim, que eu era uma vergonha para minha família, que lugar de macaco era na jaula e não na olimpíada", enfatizou.

- Garra e emoção -No lugar mais alto do pódio, quando tocou o hino nacional, Rafaela não tinha raiva, só lágrimas de alegria e sensação de dever cumprido.

Mesmo com a torcida gritando e cantando sem parar, a judoca manteve o semblante sério, com concentração total, durante toda sua campanha.

Depois de vencer suas três primeiras lutas com autoridade, a brasileira travou uma luta feroz na semifinal com a romena Corina Caprioriu, prata em Londres.

A luta foi para o 'Golden Score', a prorrogação do judô, com direito a morte súbita para a primeira atleta que levar uma pontuação ou uma penalidade.

Depois de um minuto e meio de tempo extra, a torcida foi ao delírio quando o árbitro marcou wazari para a brasileira, mas os juízes de mesa anularam por considerar o ataque inválido.

Foi preciso mais de um minuto de suspense de tirar o fôlego para poder comemorar para valer a primeira medalha brasileira nos tatames, quando Rafaela, cheia de ousadia, encaixou o golpe que enfim derrubou a adversária e garantiu o wazari da vitória.

- Volta por cima -Na final, ela enfrentou a número um do mundo, que precisou de apenas 15 segundos para derrotar Matsumoto, uma lenda do judô.

Mesmo assim, Rafa ignorou o cansaço e lutou com a garra de sempre, empurrada por uma torcida em polvorosa.

Faltando dois minutos e meio para o fim da luta, ela consegiu um contra-ataque e marcou wazari. O juiz, porém, demorou mais de um minuto para validar o golpe, deixando todo mundo apreensivo, principalmente a brasileira, que olhava ficamente para a mesa dos juízes.

Quando aconteceu a confirmação, a Arena Carioca 2 veio abaixo e gritava "Rafa, Rafa" sem parar, enquanto os segundos pareciam uma eternidade.

A brasileira resistiu até o fim aos ataques de mongol, até que o público iniciou a contagem regressiva.

Quando soou o gongo, Rafa desabou no tatame e não conteve as lágrimas.

Depois de se jogar nos braços do técnico, ela correu para a arquibancada para ir ao encontro dos fãs.

"A torcida me ajudou bastante, o tatame chegava a tremer, por isso pensei que não podia decepcionar todas essas pessoas que vieram me ver", lembrou Rafa.

A medalha também é um alento para o judô brasileiro, que vinha sendo criticado por ter passado em branco nos dois primeiros dias, com grandes decepções de Sarah Menezes, Felipe Kitadai e Érika Miranda.

No masculino, Alex Pombo foi eliminado logo na primeira rodada pelo chinês La Saiyinjirgala, ao levar um yuko controverso no último segundo de luta.

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