Esporte

Dois irmãos, duas bandeiras nos Jogos do Rio e uma velha história

09/08/2016 17h12

Rio de Janeiro, 9 Ago 2016 (AFP) - Mark Gleghorne e Paul Gleghorne competem no Rio sob diferentes bandeiras e encarnam uma velha história com episódios violentos, a da Irlanda do Norte, e o dilema que seus atletas enfrentam.

Mark compete na seleção de hóquei pela Grã Bretanha e Paul pela Irlanda. Eles nasceram em Antrim, na província britânica da Irlanda do Norte, também conhecida como Ulster.

A província pertence ao Reino Unido, mas fica na ilha da Irlanda, que foi britânica até sua independência de facto em 1922. Seus atletas podem escolher competir pela Irlanda ou pela Grã-Bretanha. Essa possibilidade faz que a equipe do Reino Unido nos Jogos se chame apenas Grã Bretanha, a grande ilha que reúne Inglaterra, Escócia e Gales.

Mark tem 31 anos e representou a Irlanda 80 vezes antes de passar a competir pela Grã Bretanha, que tem uma seleção de hóquei mais forte, pouco depois de os irlandeses não terem conseguido a classificação para os Jogos Olímpicos de Pequim-2008.

Paul, que tem 29 anos, preferiu continuar na equipe irlandesa e participou de disputas internacionais em 156 ocasiões.

"Muita gente pensa que é um pouco estranho (que dois irmãos estejam em seleções diferentes)", disse Paul, que nunca enfrentou Mark em uma partida internacional e pode continuar assim no Rio, já que os dois estão em grupos diferentes.

"É algo em que quase nunca pensamos. Jogamos juntos na escola, na universidade e em um clube", acrescentou o irmão mais novo, que foi foco de atenção há um ano, quando tornou pública sua luta contra a depressão, para ajudar outros atletas.

No domingo, as partidas de ambos vão acontecer ao mesmo tempo -Irlanda x Holanda e Grã Bretanha x Nova Zelândia-, nos dois campos de hóquei em Deodoro.

"Não sabia que jogaríamos ao mesmo tempo", disse Mark, o jogador irlandês.

Um pai dividido que não tomará partidoSeu irmão Paul, o britânico, disse que se classificar para as quartas de final "seria muito especial".

"Estamos muito concentrados em alcançar a fase de eliminatórias. Se as duas equipes conseguirem o que desejam, é provável então que joguemos um contra o outro. E seria muito especial", acrescentou.

Seu irmão, Mark, não gosta muito da ideia. "Não será particularmente agradável, porque isso significaria que um dos dois teria o sonho destruído. Mas se isso chegar a acontecer, nenhum de nós dois teremos ilusões".

Órfãos de mãe desde que eram adolescentes, os Gleghorne têm um pai com coração partido.

"Nosso pai é nosso maior torcedor, mas está dividido e não acho que ele escolheria uma equipe caso nos enfrentássemos", disse Mark ao Belfast Telegraph, acrescentando que a maioria de seus amigos torcerá por Paul, o irmão irlandês.

Em geral, a comunidade católica norte-irlandesa é favorável que a província um dia seja parte da Irlanda, enquanto a protestante é leal a Londres.

Nos 30 anos que precederam o Acordo de Belfast, em 1998, os enfrentamentos entre organizações armadas das duas comunidades e com o exército britânico deixou mais de 3.500 mortos.

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