Esporte

É seguro entrar na água, dizem velejadores olímpicos no Rio

09/08/2016 13h03

Rio de Janeiro, 9 Ago 2016 (AFP) - Os velejadores olímpicos deram às notórias águas poluídas do Rio de Janeiro um sinal de aprovação após o primeiro dia de regatas, com fortes ventos, na segunda-feira.

Apesar das inquietações sobre a presença em massa de bactérias provenientes de águas residuais sem tratamento e o risco de uma colisão dos barcos com lixo flutuante, a maioria dos velejadores elogiou a paisagem e o percurso desafiador.

"Estas são condições perfeitas. Não poderia ser melhor que isso", disse à AFP o americano Pedro Pascal, atleta de windsurf.

"É lindo, como pode ver", declarou olhando a partir da praia do Flamengo para o Pão de Açúcar e a Baía de Guanabara.

Os velejadores disseram que a paisagem dramática e a cidade que cerca a baía tornam as decisões táticas na água muito desafiadoras. E gostam disso.

"Acredito que é o melhor lugar para navegar no mundo de um ponto de vista técnico", afirmou a dinamarquesa Anette Viborg, que compete na embarcação Nacra 17 com Allan Norregaard.

"É muito difícil. O vento muda muito por causa das montanhas", explicou depois de tirar seu barco da água após uma sessão de treinamento.

O velejador americano da classe Finn Caleb Paine, que também treinava, disse que a água "está muito boa".

Embora o lixo flutuante seja um risco que pode desacelerar o barco, também ocorre o mesmo com as algas, disse. "Cada lugar tem sua característica", opinou Paine.

Perigos ocultosCerca da metade das águas residuais da área metropolitana do Rio, onde vivem 12 milhões de pessoas, desemboca sem tratamento na Baía de Guanabara. O mesmo ocorre com montanhas de lixo que correm pelos rios e alimentam a Baía.

Para impedir que o lixo arruíne as regatas, as autoridades instalaram redes ao longo dos rios e mobilizaram frotas de barcos coletores de lixo chamados "ecobarcos", para tentar pescar o que escapa. Um destes barcos patrulhava perto das regatas na segunda-feira.

Mas nem todos os velejadores estão completamente satisfeitos com a situação.

"Está sujo", disse o tunisiano Hedi Gharbi, que compete em um Nacra 17 com seu companheiro Rihab Hammami.

"Atingimos algo outro dia e o barco deu a volta, perdemos o controle", disse, embora tenha elogiado a organização dos Jogos do Rio em geral.

O atleta de windsurf italiano Mattia Camboni disse depois de participar da primeira competição de sua modalidade que a qualidade da água melhorou ao longo dos meses em que esteve no Rio para treinar.

Mas o perigo está nesse ponto.

"Tinha um francês logo na minha frente na última corrida e ele se deparou com algo", disse Camboni.

Um pequeno saco plástico pode desacelerar o barco em uma corrida, "mas se o saco não for muito grande é possível saltá-lo usando o poder da vela, e talvez vá embora", disse Camboni.

Os sacos grandes, no entanto, podem levar a perder uma regata.

"É preciso parar e colocar a vela na água para retirá-lo", disse o italiano.

Ioannis Mitakis, um marinheiro grego da classe Finn, filosofou sobre os perigos escondidos.

"Sobre o lixo na água, é o mesmo para todos, então é preciso ter cuidado. Meu velho ex-treinador diz que a sorte está com os bons. A vela é um esporte de sorte, mas o melhor sempre ganha".

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