Esporte

Rafael Silva, o 'Baby', um peso pesado que queria ser fazendeiro

11/08/2016 21h20

Rio de Janeiro, 11 Ago 2016 (AFP) - Rafael Silva, é um dos melhores da categoria em que participa, acima de 100 quilos, na qual diante de sua torcida na sexta-feira, na Barra da Tijuca, tentará conquistar sua segunda medalha olímpica, ainda que seu sonho de menino fosse ser fazendeiro.

Tranquilo, equilibrado e discreto, Rafael Silva faz parte desses grandalhões do judô, os pesos pesados. Tem 2,03 metros e pesa 160 quilos, um porte que não combina com o seu singelo apelido, 'Baby'.

Vice-campeão do mundo em 2013, no Rio de Janeiro, espera que a cidade carioca volte a lhe sorrir, mesmo que ele seja sul-matogrossense.

O ouro é quase uma ilusão, já que o francês Teddy Riner, vencedor em Londres-2012 e octacampeão do mundo, é o grande favorito, e está imbatível há seis anos.

"Tento encontrar a solução para derrotá-lo, mas é muito difícil. Espero enfrentá-lo na final no Brasil", indicou em entrevista concedida há alguns meses à AFP.

Com 29 anos, Rafael participa de seus últimos Jogos Olímpicos e talvez termine sua carreira depois dos Jogos do Rio-2016.

Ele conquistou um bronze olímpico em Londres-2012, duas medalhas em mundiais (prata em 2013 e bronze em 2014) e sete medalhas em competições continentais.

Uma carreira de muito sucesso para alguém que nunca sonhou com os Jogos Olímpicos.

"Eu gosto da minha vida, mas nunca havia sonhado com isso. Quando era criança, queria ser agricultor, ter uma fazenda, uma plantação. Na minha pequena cidade-natal tem plantação de milho e eu sonhava com isso", contou.

Caratê e depois judôRafael Silva nasceu em Campos do Jordão, pequena cidade próxima de São Paulo.

"É uma cidade na montanha, onde faz frio e eu gosto de ir com a minha esposa", explicou o paulista.

Após uma infância dedicada ao caratê, Rafael passou para o judô, que se tornou sua paixão e que hoje é seu ganha-pão. Mas o judoca não vislumbra o futuro com confiança.

"A situação é melhor graças aos Jogos Olímpicos. Mas estamos todos muito preocupados com que vai acontecer depois dos Jogos. E não sei o que vou fazer quando me aposentar. Eu estudei, talvez vire professor. É um verdadeiro problema para os atletas saber o que fazer depois de uma carreira esportiva no Brasil", assinalou.

Retornando nesta temporada após sete meses ausente devido uma lesão, Rafael Silva gostaria que as Olimpíadas do Rio-2016 fossem um sucesso, mesmo que a crise que o país passa o entristeça.

"Os Jogos são algo diferente do que temos organizado. É uma nova experiência pra gente. Temos bastante problemas, mas estamos todos orgulhosos de ter esses Jogos no Brasil. Se não tivesse todos esses problemas de corrupção, seriam melhores", lamentou Rafael Silva.

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