Esporte

Objeto olímpico: a placa de cronometragem na natação

13/08/2016 11h38

Rio de Janeiro, 13 Ago 2016 (AFP) - A natação é o único esporte no qual o próprio atleta para o cronômetro, graças a uma placa que é a mesma desde 1976.

Há mais de 50 anos, o cronômetro oficial das provas de natação dos Jogos Olímpicos é da empresa suíça Omega.

No início, a cronometragem era humana, com três juízes por nadador. Nos anos 1960, porém, um episódio revolucionou o sistema.

Durante os Jogos de Roma, em 1960, o australiano John Devitt foi declarado vencedor dos 100 metros livre pelo juiz responsável, à frente do americano Lance Larson.

"O pior ganhou, mas a gente só descobriu isso dois anos depois, quando o cronômetro falou. O juiz responsável viu que o primeiro a tocar foi o australiano, mas seu tempo era pior do que o do americano. Então, eles mudaram o tempo", conta o criador do sistema atual de placas, Peter Hurzeler.

"Depois desse episódio, a Omega disse que era necessário fazer alguma coisa para que os cronômetros não tivessem mais influência, alguma coisa que o próprio atleta pudesse parar, que se inscreve sobre um quadro para que não se pudesse mais trapacear", acrescentou.

As placas começam, então, a ser usadas nas piscinas. Foram instaladas pela primeira vez em uma competição em 1967, apesar da resistência dos juízes.

"Não funcionava como agora, mas hoje funciona a 100%", garante Hurzeler.

Originalmente, as placas eram feitas de PVC com buracos. "Mas uma nadadora quebrou um dedo uma vez. Tivemos de fazer aberturas alargadas", explicou.

É em 1976 que a versão melhorada é posta em funcionamento. E, desde então, não mudou.

"Todo ano afirmamos que é preciso fazer algo de novo, mas por que mudar uma coisa que funciona 100%? Ainda pode durar 20 anos", avalia Hurzeler.

Uma placa (2,40 m por 90 cm) se compõe de lâminas para distribuir o peso da pressão.

"É a pressão que é importante. A pressão do nadador sobre a placa deve ser de 1,5 kg a 2,5 kg para parar seu tempo", explicou.

Em caso de problemas - que poderão estar relacionados apenas à pressão que o nadador exerce, ressalta Hurzeler -, os técnicos se voltam para as imagens de vídeo das câmeras que ficam no alto.

"É o nadador que erra, não nós", insiste.

Os juízes instalados no bloco de partida da piscina garantem apenas que o toque respeite as regras.

O cronômetro indica o tempo até o centésimo de segundo. Para Hurzeler, está fora de cogitação ir até o milésimo, embora haja cada vez mais empates nas competições.

"Um milésimo é 1,7 milímetro. É loucura, se a gente começar a cronometrar o milésimo!", descarta.

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