Esporte

Robson lutará por ouro inédito no boxe; Robenílson e Michel Borges sem medalha

14/08/2016 20h09

Rio de Janeiro, 14 Ago 2016 (AFP) - Este domingo foi de altos e baixos para o boxe brasileiro, com a vitória sensacional de Robson Conceição, que garantiu sua vaga para a final da categoria ligeiro (até 60 kg) e as derrotas de Robenílson de Jesus (até 56 kg) e Michel Borges (até 81 kg) nas quartas de final.

O Brasil perdeu a oportunidade de garantir mais duas medalhas, mas o bronze já assegurado por Robson ganhou 'upgrade' e tanto: será no mínimo uma prata. O baiano de 27 anos, porém, deixou claro que só queria saber de ouro, uma façanha jamais alcançada até agora por um pugilista do país.

"A medalha de bronze já estava garantida, mas eu não estava satisfeito ainda. Minha meta não era o bronze. Minha meta é levar o ouro", sentenciou o boxeador.

"Eu treinei muito, sofri muito nos treinos e quero representar meus amigos que me bateram muito na Bahia, me espancaram muito nos treinos, e graças a isso estou conseguindo impor meu ritmo nas lutas", comentou.

- Em nome da filha -De fato, Robson conseguiu impor um ritmo frenético contra um adversário duríssimo, o cubano Lazaro Alvarez, tricampeão mundial.

O combate foi muito intenso e começou aos gritos de "uh, vai morrer" da torcida enlouquecida que lotou o Pavilhão 6 do Riocentro e fazia a estrutura metálica da arquibancada temporária tremer ao bater com os pés no chão.

Para Robson, a receita era bater com os punhos, com muita eficiência nos contragolpes. A luta ficou mais franca no final do primeiro assalto, que foi bastante equilibrado.

O cubano foi mais perigoso no segundo assalto, mas o baiano terminou melhor e foi para o último round com bastante confiança.

O brasileiro levou um susto quando foi atingido por Alvarez e quase foi a lona. Pouco depois, sofreu um corte no rosto devido à cabeçada do adversário e precisou de atendido médico. Apesar desses baques, o baiano não se abalou e foi buscar a vitória no fim, com uma sequencia de golpes em altíssima velocidade que levantou o público.

Antes mesmo do anúncio da vitória pior decisão unânime, a torcida já vibrava aos gritos de "é campeão".

Uma das pessoas que mais comemorou foi Mateus Alves, técnico da seleção brasileira. "Os cubanos acham que vão ganhar do Brasil sempre, mas não vão. A luta foi equilibrada, entre dois atletas de alto nível, Foi uma luta acirrada, cada um ganhou um round e a decisão foi no terceiro. Ele merece demais, é um atleta que luta pela sua família", elogiou.

Robson disputa sua terceira olimpíada, depois de cair logo na primeira luta em Pequim-2008 e Londres-2012. A receita do sucesso no Rio cabe em uma palavra de cinco letras: Sofia, sua filha, que está prestes a completar dois anos.

"Minha filha mudou minha forma de encarar a vida. Hoje eu luto por ela, treino por ela. Tudo que faço, até minha respiração é por ela, ela é o amor da minha vida. Essa medalha olímpica era uma promessa minha que fiz a ela", justificou o pugilista, que fez questão de desejar feliz dia dos pais a todos que torceram por ele.

O baiano admitiu ter entrado muito menos focado nas duas primeiras olimpíadas, por conta do deslumbramento.

"Antes, para mim, participar da Olimpíada já era um sonho. Cheguei nas duas primeira fissurado com tudo, estava todo feliz, mas agora estou totalmente focado, desliguei até as redes sociais. Essa dedicação me ajudou a chegar onde estou hoje", completou.

- Duas medalhas escapam -A luta pelo ouro está marcada para terça-feira, contra o francês Sofiane Omiha, que mais tarde neste domingo superou o mongol Otgondalai Dorjnyambuu. Na segunda final olímpica da história do boxe brasileiro, Robson tentará ter mais sucesso que Esquiva Falcão, que ficou com a prata há quatro anos, em Londres.

Na primeira luta do dia envolvendo brasileiro, Robenílson de Jesus levou uma verdadeira surra do jovem americano Shakur Stevenson, de apenas 19 anos.

"Estou um pouco triste pelo Robenílson, porque somos uma equipe. É um atleta que também merece muito, mas perdeu para um menino que é considerado o novo fenômeno do boxe nos Estados Unidos", lamentou Mateus Alves.

Já Michel Borges enfrentou um cubano tricampeão mundial, a exemplo de Robson, mas não foi páreo para o temido Julio Cesar de la Cruz.

Michel conectou alguns bons golpes, mas foi dominado durante a maior parte da luta, por um adversário superior tecnicamente, que parecia dançar no ringue, esquivando com estilo e atingindo muitas vezes o brasileiro.

Mesmo assim, o carioca de 25 anos, criado na comunidade do Vidigal, fez um balanço positivo da sua primeira olimpíada disputada em casa.

Foi uma bela luta, pena que eu não ganhei, mas eu me sinto vencedor, porque treinei muito para chegar aqui. Por tudo que eu passei, me sinto vitorioso. Estou muito feliz por ter chegado até aqui", completou.

lg

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