Esporte

Isaquias mostra firmeza na estreia e avança à final do C1 1000

15/08/2016 11h12

Rio de Janeiro, 15 Ago 2016 (AFP) - Isaquias Queiroz, grande esperança de medalhas do Brasil na canoagem de velocidade, estreou nos Jogos Olímpicos do Rio em grande estilo, garantindo a classificação direta para a final do C1 1000 ao vencer sua bateria na fase eliminatória, nesta segunda-feira, na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Apenas o vencedor de cada bateria consegue avançar diretamente. Os demais precisam disputar uma semifinal, o que gera mais desgaste físico.

A final está marcada para terça-feira, às 9h08 (horário de Brasília) e o baiano de 22 anos é apontado como um dos favoritos ao ouro.

Apesar da pouca idade, o canoísta mostrou muita maturidade e não parecia sentir a pressão do evento.

"Uma Olimpíada não é um bicho de sete cabeças, até porque já competi com todos os atletas que estão aqui no Mundial. Estou acostumado com isso, é prova de alto nível. Estou feliz com o resultado e espero poder realizar um feito novo na final", vibrou o brasileiro.

Isaquias precisou mudar de estratégia por causa de uma alteração de última hora no regulamento. Foi anunciado apenas duas horas antes da eliminatória que o vencedor de cada bateria avançaria diretamente para a final.

Pelo regulamento inicial, os quatro primeiros iriam para a semifinal, marcada para 10h30, 1h30 depois da primeira prova.

"Minha estratégia mudou, porque antes, não importava se classificava em primeiro ou em quarto então dava para simplesmente controlar a eliminatória, para depois dar seu máximo na semifinal", explicou o baiano.

- Rival como espelho -Isaquias viu essa mudança como uma oportunidade de ganhar mais descanso em caso de vitória na sua série, por isso fez uma primeira prova muito forte.

Competindo na segunda bateria, Isaquias assumiu a liderança a partir dos 100 m de prova e manteve um ritmo altíssimo, abrindo grande vantagem sobre os rivais.

Para a alegria da torcida, que gritava seu nome na arquibancada monta na Lagoa, o brasileiro completou a distância em 3 minutos, 59 segundos e 615 milésimos, 1 segundo e 877 milésimos de vantagem sobre o segundo colocado, o tcheco Martin Fuksa.

"Quando soube que a regra mudou, meu treinador me disse que tinha que ir forte, porque o tcheco já havia perdido algumas provas para mim e não sabia direito como competir comigo. Consegui abrir vantagem e quando ele viu, liberou a prova e acabei chegando em primeiro, controlando no final", analisou.

Na primeira bateria, o alemão Sebastian Brendel, grande rival de Isaquias, também avançou diretamente para a final, com o melhor tempo das eliminatórias (3:58.044). A terceira foi vencida por Serghei Tarnovschi, da Moldávia, em 4:05.193.

Isaquias sabe que seria complicado tirar o ouro de Brendel, mas o favoritismo do alemão só deixa o desafio mais

"Ganhar medalha de ouro significaria muito para mim, até pela dificuldade de me manter no meio dos gigantes. Sebastian Brendel é o homem a ser batido, e me inspiro muito nele", afirmou o baiano, que já ostenta três títulos mundiais, mas todos em provas não olímpicas.

- Superação -O Brasil nunca subiu ao pódio olímpico em provas de canoagem. Se quebrar esse tabu, Isaquias vai fazer história, independente da cor da medalha.

Ele ainda vai competir em outras duas categorias, o C2 1000, junto com Erlon de Souza, prova na qual tem mais chances de ganhar o ouro, e o C1 200 m.

Isaquias já ostenta três títulos mundiais, um deles com Erlon, no C2 1000, e os outros dois no C1 500, que não faz parte do programa olímpico. No C1 1000, já ganhou a medalha de bronze no Mundial de Duisburg-2013.

O jovem baiano, que perdeu um rim quando caiu de uma árvore, aos dez anos de idade, encara sua história de superação com muito bom humor. Pouco antes dos Jogos, ele disse em entrevista à AFP que "os médicos implantaram um pulmão a mais em mim durante a operação".

"Nunca deixei ninguém ganhar de mim para depois eu falar: 'Eu perdi porque só tenho um rim'. Não, eu gosto de competir de igual pra igual. O ruim é quando uma pessoa perde para mim e diz: 'Nossa, perdi para um cara que só tem um rim!", completou. Brendel já está de sobreaviso: o baiano com um rim e três pulmões vai partir para cima, rumo ao ouro.

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