Esporte

Zanetti bate continência, mas técnico alfineta militares

15/08/2016 18h03

Rio de Janeiro, 15 Ago 2016 (AFP) - Quando subiu ao pódio para receber sua medalha de prata nas argolas, o ginasta brasileiro Artur Zanetti bateu continência durante o hino da Grécia, que tocou para o campeão Eleftherios Petrounias, o que não impediu seu treinador, Marcos Goto, de criticar o programa de apoio a atletas das Forças Armadas.

"Eles não treinam lá, são apenas contratados por eles. Quem dá treino para os atletas sou eu, não os militares", alfinetou Goto, conhecido por ter a língua afiada, sem se preocupar em ser politicamente correto.

De fato, os atletas militares recebem salário das Forças Armadas, mas costumam treinar na maior parte do tempo em seus clubes, embora tenham a possibilidade de usar instalações das Forças. Os atletas recebem uma formação acelerada e entram diretamente com patente de terceiro sargento.

Nos Jogos Rio, dos 465 integrantes do Time Brasil, 145 são militares. Das oito medalhas conquistadas até agora pelo Brasil, apenas a prata de Diego Hypolito, outro pupilo de Goto, no solo, não foi conquistada por um membro das Forças Armadas.

O projeto foi criado em 2008, inicialmente com âmbito de reforçar a delegação que disputou três anos depois os Jogos Militares, também no Rio de Janeiro.

"Não sei qual é o salário que pagam para ele (Zanetti), mas eu gostaria de ver militares fazer trabalho de base. Se fizessem trabalho de base, eu tiraria o chapéu para eles. Apoiar atleta de alto nível é muito fácil, quero ver apoiar a criança até chegar lá", criticou Goto.

"No dia que os militares fizerem escolinha, e começarem a apoiar a iniciação esportiva, os treinadores, porque nosso país não tem treinador, aí eu tiro o chapéu. Por enquanto não. Pegar atleta pronto é muito fácil", insistiu o treinador.

Atletas do exército foram responsáveis pela conquista de cinco das 17 medalhas conquistadas dos Jogos Olímpicos de Londres-2012 e 67 das 141 obtidas no Pan de Toronto, em 2015.

No Canadá, muitos se surpreenderam com brasileiros prestando continência no pódio na hora do hino, cena que se repetiu algumas vezes nos Jogos do Rio.

"Sempre vai ter polêmica. Se prestar continência, vai gerar polêmica, se não prestar vai gerar também", minimizou Goto.

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