Esporte

A torcida brasileira nas Olimpíadas em ritmo de futebol

17/08/2016 14h43

Rio de Janeiro, 17 Ago 2016 (AFP) - Os Jogos Olímpicos têm recebido espectadores de esportes pouco conhecidos e, diante desse desconhecimento, a torcida brasileira optou por se comportar como se estivesse numa partida de futebol.

Gritos no tênis, olas no boxe e na ginástica, barulho nas provas de tiro, equitação, vaias no salto com vara, entre outras coisas.

"É uma combinação de duas coisas", explicou à AFP Victor Melo, coordenador do Laboratório de História do Esporte da Universidade Federal de Rio de Janeiro (UFRJ).

"Em primeiro lugar, os brasileiros sempre se animam muito, é um momento de festa muito apreciado. Em segundo, pode ser que não estejam muito familiarizados com o esporte que assistem", afirmou.

"Pode-se esperar dos torcedores comportamentos mais contidos, ligados à dinâmica e à tradição da modalidade. Mas nunca que os brasileiros se comportem como europeus", disse o professor Melo.

Vânia, de 31 anos, foi na última sexta-feira a Deodoro para assistir sua primeira partida de basquete, acompanhada por sua filha, bem informada sobre como deveria torcer: "vibrar quando uma equipe ataca", disse à AFP.

- "Mais loucos do que o normal" -Tratando-se dos esportes menos conhecidos e considerados mais aristocráticos, seus torcedores habituais têm outros costumes, e os atletas percebem a diferença.

"'Me distraí um pouco", admitiu a atirador chinês Pang Wei.

"Consegui me concentrar toda a rotina, mas ao final o público estava um pouco mais louco do que o normal", disse ao jornal El Periódico da Guatemala a ginasta do país Ana Sofía Gómez, que teve problemas de equilíbrio na trave.

"Estamos ajudando aos brasileiros a distinguir qual é o momento certo para a paixão e em qual nível podem expressar-se. Mas é melhor ter alguma paixão do que nenhuma", disse Mario Andrada, diretor de comunicação do comitê organizador dos Jogos.

"Os brasileiros são muito barulhentos, muito latinos", acrescentou. "Mas as vaias fazem parte da cultura do futebol, que é muito unilateral: minha equipe ou a equipe rival".

Os torcedores brasileiros vaiam as notas que não consideram suficientemente boas para suas ginastas. A grande surpresa da classificatória, a brasileira Rebeca Andrade, pediu aos torcedores para não vaiarem os juízes.

Na hora de comparecer às competições olímpicas, o brasileiro recorre muito às camisas de Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco da Gama e outros times cariocas, além da camisa da seleção brasileira.

O casal Philip, de 25 anos, e Érica, de 24, compraram bilhetes para Espanha x Grã Bretanha no hóquei, "para ver esse esporte, que é pouco conhecido no Brasil, e para viver a experiência olímpica", disse ele.

Escolheram torcer pela Espanha. E iriam fazer "como quando torcemos pelo Flamengo", disse Philip, vestido com a camisa rubro-negra.

"Não teremos mais Olimpíadas no Rio para vir torcer, temos que aproveitar", acrescentou Erica.

- A futebolização de todos os esportes -Na hora de futebolizar os Jogos, os brasileiros não estão sós: os argentinos parecem compartilhar essa postura.

O público brasileiro se alia a qualquer um que esteja jogando contra a Argentina, e vice-versa. A estrela argentina de basquete Manu Ginóbili deu um toque em seus compatriotas: "Isso é algo muito futebolista que eu realmente não admiro".

Outros, conseguem ver o lado bom. "Passar de jogar com estádios quase vazios para Jogos como esse, é espetacular", comentou Raúl Lozano, o argentino que entreou na equipe de vôlei do Irã.

O tênis tem seu Doctor Jeckyll e Mister Hyde: os torneios normais, onde vigora o silêncio e o aplauso educado, e a barulhenta Copa Davis. Mas raramente se vê briga, como aconteceu entre brasileiros e argentinos na tribuna durante uma partida entre Juan Martín Del Potro e o português João Sousa.

Claro que no jogo em que o tenista argentino eliminou Novak Djokovic o sérvio agradeceu a torcida brasileira: "Foi um clima que vi poucas vezes na minha vida. Fez eu me sentir no meu país, fez eu me sentir brasileiro".

O jogador americano de basquete DeAndre Jordan disse que "é um público incrível. É como se foss futebol, cantam e vibram muito".

Às vezes também insultam. O brasileiro Marquinhos pediu perdão sobre os insultos ao jogador espanhol de basquete Pau Gasol. Gritos de "vai a tomar no c*" foram dirigidos a Gasol durante os lances livres.

bur-al/ma/cc

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