Esporte

Ryan Lochte, a mais recente versão do 'americano desagradável'

19/08/2016 15h57

Washington, 19 Ago 2016 (AFP) - O nadador Ryan Lochte é a versão mundial atualizada do chamado "Ugly american", ou "americano desagradável": um homem que disse ter sido roubado a mão armada para não assumir a responsabilidade por suas ações, à margem dos Jogos Olímpicos do Rio.

Os Estados Unidos e o mundo viram espantados como o relato do 12 vezes medalhista olímpico e de outros três nadadores americanos, que inicialmente colocou os brasileiros em uma situação embaraçosa, foi gradualmente desmoronando.

Os nadadores foram retidos em um posto de gasolina por um segurança depois de, bêbados, terem depredado o banheiro e urinado em uma parede do local, ao voltarem de uma festa de madrugada no final de semana.

Na sexta-feira, Lochte, de 32 anos, se desculpou, lamentando "não ter sido mais cuidadoso e franco" em seu relato sobre o que aconteceu.

Aparentemente, o que conseguiu foi se autodestruir como figura pública. Na internet, nota-se que os comentários são universalmente negativos.

Entre eles, 'Lochte, vergonha nacional', 'Lochte, o verdadeiro Pinóquio', 'Lochte é o cara rico, bonito, ávido por atenção, que trata o maior evento esportivo do mundial como uma saída noturna com os amigos e depois os deixa para trás, enquanto escapa do Brasil'.

"Ryan Lochte é tudo o que o mundo odeia dos americanos", destacou um jornalista do New York Post.

A definição do jornal sobre a conduta do norte-americano desagradável no mundo: "arrogância, ainda que sutil, uma atitude de superioridade, embora inconsciente".

A colunista do Washington Post Sally Jenkins o descreve assim: "Há uma categoria especial de americano insuportável que o 'bro' (equivalente a 'mano') Lochte representa, de camiseta, jeans e sapato de nobuk de marca, que mostrou nas redes sociais essa noite em uma festa junto com a etiqueta com o preço. 'Temos 6k (6.000 dólares) aqui embaixo', escreveu".

Provavelmente nenhum americano despertou tanta antipatia generalizada desde que no ano passado um dentista de Minnesota chamado Walter Palmer matou o leão mais famoso do Zimbábue.

Controle de danosHoje as críticas a Lochte se multiplicam, restando a ele o controle de danos.

Certamente, não demorará muito tempo para que as marcas com quem tem acordos de publicidade comecem a lhe virar as costas.

Um tuíte afirma que a razão para que a água da piscina de saltos do Rio-2016 ficasse verde foi Lochte ter urinado nela.

Uma caricatura mostra Lochte no fundo de uma piscina acorrentado a uma bola em que se lê "lies" (mentiras).

Lochte e seus três amigos também são criticados por insultar a inteligência da polícia brasileira, explorando a má reputação do Rio, por suas altas taxas de crimes e violência.

O jornal Miami Herald considera que "ao se apresentarem como vítimas, Lochte e seus amigos mostram o mesmo ar de superioridade de Donald Trump: os EUA são o Nº 1 e sua terceiro-mundista república das bananas é incivilizada comparada a nós".

Jenkins, do Washington Post, afirma que Lochte merece ser alvo das críticas.

"Lochte está acabado como figura pública, claro. O que provavelmente seja a forma mais efetiva de justiça para alguém que aparentemente precisa de tanta atenção. O esquecimento é o que ele merece", disse a colunista.

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