Esporte

Justiça suíça investiga Beckenbauer por gestão desleal e lavagem de dinheiro

01/09/2016 17h33

Genebra, 1 Set 2016 (AFP) - Franz Beckenbauer, lenda do futebol alemão, é acusado pela justiça suíça de gestão desleal, enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro, em meio à investigação em andamento sobre a Copa do Mundo-2006, segundo comunicado publicado nesta quinta-feira pelo Ministério Público da Confederação em Berna.

Beckenbauer é um dos quatro dirigentes, todos membros do comitê organizador do Mundial-2006, sediado na Alemanha, investigados pela justiça suíça no caso, ao lado de Hans-Rudolf Schmidt, Theo Zwanziger e Wolfgang Niersbach, os dois últimos ex-presidentes da Federação Alemã de Futebol (DFB).

A revisa alemã Der Spiegel havia informado em final de outubro de 2015 que a Alemanha teria utilizado um fundo secreto de 6,7 milhões de euros para comprar votos e garantir a sede do Mundial-2006.

- Jantar de gala -A investigação foi aberto pelo ministério público em 6 de novembro de 2015. A Suíça se declarou competente para este caso já que parte dos atos ilegais foram realizados em seu território.

O financiamento de uma jantar de gala "ao custo de 7 milhões de euros, reduzido em seguida a 6,7 milhões de euros, está no centro das investigações", explicou a justiça suíça.

"Suspeitamos que os acusados sabiam que este valor não deveria servir para pagar um jantar, mas sim o pagamento de uma dívida que não tinha sido paga pela FDB", completou.

Estas informações fazem parte de um escândalo muito maior: teria a Alemanha pago propina a dirigentes da Fifa para receber em troca o direito de sediar a Copa do Mundo em 2006?

Até o momento, não existem provas, mas as suspeitas serviram ao Comitê de Ética da Fifa para que abrisse uma investigação no início do ano.

Além disso, um relatório da empresa Freshfields, a pedido da DFB em março, deixou a dúvida no ar ao afirmar: "Não encontramos provas de compras de votos, mas não podemos excluir essa possibilidade".

Também é preciso recordar que segundo todos os indícios vários dirigentes da Fifa, no momento da atribuição da sede da Copa do Mundo, mudaram radicalmente seus votos a favor da Alemanha.

A candidatura alemã acabou vencendo a África do Sul por 12 votos a 11.

- Transferência suspeita -O caso foi divulgado em final de outubro de 2015, quando a revista Der Spiegel acusou a Alemanha de ter utilizado um fundo secreto de 6,7 milhões de euros para comprar votos e garantir a organização do Mundial.

O fundo teria sido um pedido de Franz Beckenbauer ao ex-dono da Adidas, o falecido Robert Louis-Dreyfus, pouco antes de julho de 2000, período em que foi votada a atribuição da sede para o Mundial de 2006.

O comunicado da promotoria suíça, que se referia à soma de 6,7 milhões de euros, também investiga essa suspeita, assim como as revelações publicadas em março pelo relatório da Freshfields.

O documento de 360 páginas estabelece que os 6,7 milhões de euros provêm das contas de Louis-Dreyfus e que foram transferidos à conta de uma empresa no Catar, que "segundo as informações da imprensa está sob a influência de Mohamed bih Hamman", ex-membro do comitê executivo da Fifa, banido à vida da entidade por corrupção.

Outros 4.5 milhões de euros foram pagos no Catar, desde uma conta controlada por Beckenbauer e um de seus conselheiros.

Estas transferências foram realizadas em 2002, dois anos depois da atribuição do Mundial à Alemanha.

O relatório Freshfields confirmou que a DFB pagou Louis Dreyfus mediante falsa prestação de serviços.

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