Esporte

Guardiola, a volta do filho pródigo ao Camp Nou

18/10/2016 12h22

Barcelona, 18 Out 2016 (AFP) - "É sempre agradável voltar para casa", disse Josep Guardiola na semana passada. O retorno a Barcelona promete muitas emoções, mas o técnico do Manchester City sabe por experiência própria que visitantes não costumam ter vida fácil no Camp Nou.

. Lembranças nem sempre tão boasPep foi protagonista das maiores conquistas da história do clube catalão, tanto como jogador quanto como treinador.

Em campo (1990-2001), o ex-meia era o cérebro da 'Dream Team' comandada por Johan Cruyff, seu grande ídolo, com o qual conquistou a primeira Liga dos Campeões da história do clube, em 1992.

Nos quatro anos em que treinou o Barça (2008-2012), Guardiola simplesmente montou uma das melhores equipes da história do futebol, com jogo vistoso e nada menos de 14 títulos de 19 possíveis, dois na Liga dos Campeões (2009 e 2011).

Pep resgatou e aperfeiçoou o estilo de Cruyff, o 'tika-taka', com valorização da posse de bola que acabou influenciando até a seleção espanhola campeã mundial (2010) e bicampeã europeia (2008-2012).

Para isso, ele não teve medo de entrar em confronto com o ego de astros como Ibrahimovic ou Eto?o e apostou em vários jogadores da base, como Xavi, Iniesta e principalmente Messi, que estourou sob seu comando.

Apesar de ter feito história, Pep não viveu apenas momentos felizes como treinador do seu clube de coração. Em 2012, ele justificou sua saída com o desgaste gerado pela pressão midiática, alimentada pela rivalidade com José Mourinho.

"Quatro anos como treinador do Barça é uma eternidade", reconheceu Pep em abril de 2012, quando anunciou sua saída. "O tempo acaba desgastando tudo. Estou esgotado e preciso de descanso", resumiu.

Depois de tirar um ano sabático em Nova York, o treinador passou três anos à frente do Bayern de Munique.

Aos 45 anos, Guardiola volta para casa, mas o Camp Nou ficou mais vazio com a ausência de dois entes queridos.

Seu sucessor, Tito Vilanova, que era seu auxiliar na era dourada, morreu de câncer em 2014. "Essa tristeza me acompanhará para sempre", lembrou Pep.

Em março, foi a vez do seu mentor, Johan Cruyff, ser vítima do câncer. "Ele era um treinador muito exigente, com muita personalidade. Depois, virou um amigo, um avô, uma pessoa muito próxima", relatou Guardiola na semana passada, em entrevista à rádio catalã Rac1.

. Amigos, amigos, negócios à parteApesar dessas perdas, Pep vai reencontrar muitos amigos, como Luis Enrique, técnico atual do Barça, que foi seu companheiro de equipe nos tempos de jogador.

Os dois ganharam juntos a Recopa europeia em 1997, na temporada em que Ronado virou 'Fenômeno'.

Quando Guardiola deixou o comando do time B do Barça em 2008, 'Lucho' foi seu sucessor.

"É uma referência para todos os treinadores que gostam de futebol ofensivo. Além disso, é um amigo. Sou fã de Pep", resumiu Luis Enrique.

Com os dirigentes, porém, nem tudo foram flores. Na eleição presidencial de 2015, Guardiola apoiou publicamente o ex-presidente Joan Laporta (2003-2010), que acabou derrotado por Josep Maria Bartomeu.

No Manchester City, ele se juntou a dois ex-dirigentes emblemáticos do clube catalão, Ferran Soriano, e Txiki Begiristain.

. Primeiro reencontro desastrosoNão é a primeira vez que Pep volta ao Camp Nou à frente de outro time. E maio, o Bayern enfrentou o Barça de Luis Enrique na semifinal da Champions.

Ele recebeu uma vibrante homenagem da torcida, mas seu time levou uma surra memorável (3-0) na partida de ida.

Messi marcou dois gols e nos minutos finais e ainda deu assistência para Neymar anotar o terceiro.

Foi nessa partida que o alemão Jerome Boateng, considerado um dos melhores zagueiros do mundo, levou um drible desconcertante do craque argentino, a ponto de ficar caído no chão, em cena que inspirou a criação de inúmeros memes na internet.

O Barça acabou se classificando para a decisão apesar da derrota por 3 a 2 em Munique e levantou a 'Taça Orelhuda' ao vencer a Juventus por 3 a 1 na decisão.

Desta vez, Pep preferiu minimizar a expectativa em relação a esse novo retorno, afirmando que espera "um jogo como outro".

O problema é que Messi se recuperou de lesão e já voltou fazendo gol, na vitória por 4 a 0 sobre o Deportivo La Coruña.

Para piorar, o City amarga uma série de três partidas sem vitória, depois de ostentar 100% de aproveitamento nos dez primeiros jogos.

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