Esporte

Tite e Bauza, reencontro com sabor Majestoso

07/11/2016 17h01

São Paulo, 7 Nov 2016 (AFP) - Quando Tite e Edgardo Bauza se enfrentaram pela primeira vez, à frente de Corinthians e São Paulo, no dia 18 de fevereiro, não imaginavam que o reencontro seria para outro grande clássico, o choque entre Brasil e Argentina, na próxima quinta-feira (10), no Mineirão.

Desde a vitória por 2 a 0 do Timão no Majestoso da primeira fase do Paulistão, os dois treinadores acabaram sendo chamados para resgatar a grandeza das seleções de seus países, em meio a crises esportivas e de bastidores.

O fato de terem deixado um grande clube paulista no meio do ano não é a única semelhança entre os dois técnicos, que têm apenas três anos de diferença (Bauza tem 58, e Tite, 55).

Ambos construíram fama ao acabar com o tabu de times de seus países que eram motivos de chacota dos rivais por nunca terem conquistado a Copa Libertadores.

Tite alcançou a façanha com o Corinthians, em 2012, e a cereja do bolo veio no final daquele ano, com o título mundial e com a vitória histórica por 1 a 0 sobre o Chelsea, no Japão.

'Messidependência' escancarada"Patón" Bauza, que ganhou o apelido quando pequeno por ter pés grandes, como os de um pato, foi duas vezes campeão da Libertadores, com a LDU, do Equador, em 2008, mas o auge de sua carreira foi o troféu continental com o San Lorenzo, em 2014.

No Mundial de Clubes, porém, o argentino amargou dois vice-campeonatos, perdendo para Manchester United (1-0) e Real Madrid (2-0), ambos liderados por Cristiano Ronaldo.

À frente da seleção argentina, Bauza tem sob seu comando o outro grande craque do futebol mundial, Lionel Messi.

Quando foi chamado em agosto para substituir 'Tata' Martino, sua primeira missão foi convencer o camisa 10 de voltar atrás da decisão de abandonar a 'Alviceleste', depois de amargar o terceiro vice-campeonato em dois anos, com mais uma derrota nos pênaltis para o Chile na Copa América.

Na sua estreia, o ex-técnico do São Paulo contou com o astro do Barça no clássico contra o Uruguai e não deu outra: vitória por 1 a 0, gol de Messi e Argentina líder das eliminatórias.

O problema é que as lesões tiraram o craque da seleção, que acabou despencando para a sexta posição, fora da zona de classificação para o Mundial russo, com tropeços diante de Venezuela (2-2), Peru (2-2) e Paraguai (derrota por 1 a 0 em casa).

'Transparência e modernidade'Com Tite, aconteceu exatamente o contrário. O gaúcho de Caxias do Sul assumiu a seleção brasileira desacreditada depois da eliminação na primeira fase da Copa América do Centenário e desgastada por tensões da segunda era Dunga.

Com 100% de aproveitamento em quatro jogos, conseguiu deixar o sexto lugar, hoje ocupado pelos argentinos, para assumir a liderança em outubro, depois da vitória por 2 a 0 sobre a Venezuela.

Na verdade, Tite esperava por essa oportunidade desde a saída de Luiz Felipe Scolari depois do desastre da Copa do Mundo de 2014, mas a CBF acabou optando por dar mais uma chance ao capitão do tetra.

Quando finalmente chegou ao cargo tão sonhado, em junho, o treinador deixou claro que estava disposto a quebrar paradigmas.

"Adjetivos como transparência, democratização, excelência, modernidade, são a forma que eu penso, a forma que eu trago para o futebol", afirmou Tite na sua apresentação oficial.

Com futebol mais solto e mais liberdade de criação, a seleção começou a reconquistar a torcida.

Enquanto Bauza está às voltas com a "Messidependência", Neymar parece estar feliz da vida com Tite, livre da pressão "desumana" à qual vinha sendo submetido, com medidas simples, como, por exemplo, o rodízio de capitães.

Se o gaúcho tinha os termos certos para definir seus valores, faltaram palavras na hora de definir a emoção às vésperas de seu primeiro clássico Brasil-Argentina.

"Não tenho adjetivo para colocar. Estou vivendo um sonho. Todo técnico brasileiro gostaria de estar nessa situação. É uma realização como técnico participar de um Brasil-Argentina com tamanha história, peso, qualidade. É muito grande. Não sei o adjetivo. Honra, talvez", resumiu.

Já Bauza encara o duelo com outro espírito: "Eu me sinto no olho do furacão, e é normal que eu seja o maior responsável. Receber críticas duras é algo esperado, mas não gosto quando falam mal dos meus jogadores", defendeu o argentino.

Apesar de tudo, "Patón" se disse otimista. Com Messi de volta, a esperança dos "Hermanos" é que o Brasil acabe pagando o pato.

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