Esporte

Messi e Neymar: Amigos no Barça, rivais no clássico Brasil-Argentina

08/11/2016 14h19

São Paulo, 8 Nov 2016 (AFP) - Quando Neymar chegou ao Barcelona, várias lembranças surgiram na mente de Messi. Como quando, aos 18 anos de idade, subiu ao time profissional do clube, protegido por Ronaldinho Gaúcho. Agora, chegava a vez do argentino ser o 'veterano' e fazer de um jovem talento seu cúmplice e amigo. No clássico Brasil-Argentina, porém, só um poderá brilhar.

Não é a primeira vez, contudo, que se questiona se as duas estrelas podem dividir o mesmo espaço. Com o desembarque no Barça da joia do futebol brasileiro, a sinceridade de Johan Cruyff deu voz ao que muitos pensavam: "Podem dois galos dividir o mesmo galinheiro?".

Os dois craques deram um drible na polêmica e na tendência ao embate de personalidades, construindo juntos uma parceria de sucesso que um ano mais tarde ficaria ainda mais forte com a chegada do uruguaio Luis Suárez.

Em uma jogada arriscada, o Barça construiu um tridente de astros que incrivelmente conseguiu brilhar no mesmo céu.

"É raro que um argentino, um uruguaio e um brasileiro se deem tão bem, mas é assim", afirmou Neymar ao jornal espanhol El País.

Esse conto de fada que virou realidade, porém, será colocado de lado na quinta-feira no Mineirão, um palco que parece ter aversão a finais felizes.

- Amizade -Na capital mineira onde o Brasil sofreu a pior humilhação de sua história, Messi e Neymar não estarão separados apenas por um século de rivalidade, mas também pelo peso de dois países nos quais o futebol transcende o campo de jogo.

Durante os 90 minutos do clássico sul-americano serão deixadas de lado as brincadeiras que Neymar e Messi fazem nos treinos, a duplicidade entre os dois nos jogos e as comemorações pós-gol, como contra o Sevilla no domingo, quando o argentino foi agradecer ao amigo brasileiro pela assistência.

"Quando ele chegou ao Barcelona me surpreendi por sua personalidade, sua maneira de ser, sempre alegre, feliz. É um garoto que não tem maldade, uma pessoa incrível", elogiou Messi, em um vídeo gravado para a fundação do amigo Neymar.

Já quando se cruzaram em campo na final do Mundial de Clubes da Fifa, em 2011, o na época jovem atacante do Santos, com seu famoso cabelo moicano bicolor, não escondeu sua admiração pelo argentino, um respeito que marcaria sua cuidadosa chegada ao vestiário do Camp Nou.

O rei era Messi e Neymar sabia que sua vez chegaria somente se fosse capaz de aprender com o melhor jogador do mundo, enquanto o astro argentino via no brasileiro seu provável sucessor.

O 'irmão mais novo' aprendeu rápido, tanto que, no início do ano, participou da cerimônia de entrega da Bola de Ouro como finalista e viu de perto o amigo conquistar o prêmio pela quinta vez.

"Conviver com Messi me ajudou muito, cada dia se aprende algo estando ao lado do melhor jogador do mundo. Minha admiração por Leo como jogador cresceu ainda mais quando vi que era ainda melhor ao vivo do que na televisão", afirmou Neymar.

Foi fora de campo, nos churrascos promovidos pelo zagueiro argentino Javier Mascherano, que foi construída a amizade do tridente de ouro do Barça e do futebol sul-americano. Tanto que quando Messi anunciou que deixaria a seleção argentina, o próprio Neymar pediu que reconsiderasse, pelo bem do futebol. Nesta quinta-feira, porém, poderá se arrepender disso.

- Contas pendentes -Apesar dos muitos paralelos nas carreiras, Messi e Neymar possuem temperamentos assimétricos e só o tempo dirá se o brasileiro, cinco anos mais novo, alcançará algum dia a excelência do amigo, já considerado por muitos o melhor de todos os tempos.

Maior artilheiro da história da seleção, a Argentina torce mais uma vez para que Messi faça mágica nesta quinta-feira e dê vida nova a uma equipe que não consegue brilhar sem seu talento.

Antes de se lesionar contra o Uruguai em setembro, o capitão deixou a Argentina na liderança das eliminatórias. Em sua volta, recebe a equipe na sexta colocação, fora da zona de classificação à Copa do Mundo da Rússia-2018.

Assim como Messi, Neymar é um velho conhecido da pressão colocada nos jogadores da seleção pelo torcedores, mas, quando o árbitro apitar o início do jogo, estará em condição bem mais cômoda.

Aliviado por Tite do peso imposto pelos ex-treinadores Felipão e Dunga, Neymar reencontrou a alegria de jogar pela seleção e vive verdadeira lua de mel com o Brasil.

Com Tite no banco, Neymar marcou contra a Bolívia seu 49º gol vestindo a 'amarelinha', assumindo o quarto lugar na artilharia história da seleção, atrás apenas de Pelé, Ronaldo e Romário.

Mas, apesar dos números estratosféricos e da fama mundial, Messi e Neymar ainda tem contas pendentes com suas respectivas seleções. A amizade será deixada de lado em Belo Horizonte.

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