Esporte

Belo Horizonte quer romper o malefício do 7 a 1

10/11/2016 17h15

Belo Horizonte, 10 Nov 2016 (AFP) - Em 90 minutos, Belo Horizonte virou o centro do mundo. Cada um dos sete gols da Alemanha na semifinal da Copa do Mundo de 2014 repercutiu como um terremoto na capital mineira, que conta com o clássico Brasil-Argentina para ser lembrada por momentos melhores da seleção.

Felipe Simões nunca se esquecerá daquela tarde do dia 8 de julho de 2014. Ele estava assistindo à partida com os amigos, preparado para festejar na sua cidade a volta dos pentacampeões mundiais a uma final de Copa pela primeira vez em 12 anos.

Em menos de meia hora, a festa se transformou em tragédia. Um gol de Muller logo aos 11 minutos de jogo, um de Klose, dois de Kroos e o sexto de Khedira. Catástrofe total.

"Essa noite me lembra a vergonha do nosso país, do nosso final", lembra, ainda abalado, este motorista de 25 anos.

Esse Mundial disputado em casa tinha tudo para espantar os fantasmas do Maracanazo, a final de 1950 perdida para o Uruguai, mas acabou gerando um monstro que ainda vai assombrar o Brasil por muito tempo.

A diferença, para Felipe, é que a tragédia não aconteceu no Rio de Janeiro. O palco da humilhação foi o Mineirão.

"Foi ainda pior, porque foi na nossa cidade. Agora, as pessoas morrem de medo de qualquer partida do Brasil aqui, porque acham que dá uma imagem ruim de Belo Horizonte, como se desse azar", reclama, indignado.

"Poderia ter sido em qualquer outro lugar, São Paulo, no Rio... Menos aqui", enfatiza o rapaz, com sorriso irônico.

- 'A confiança demora a voltar'-Diante de milhões de telespectadores, a capital mineira se transformou no símbolo do fracasso da seleção que representa todo um país.

Em meio a esse panorama dos mais sombrios, há quem enxergue algumas vantagens. Afinal, se o jogo tivesse sido 'normal', sem placar tão elástico, Belo Horizonte praticamente não teria sido lembrada mundo afora.

"Acho que o que aconteceu não foi tão ruim para a cidade, que ganhou fama com esse jogo. Nunca foi um ponto turístico no Brasil, mas agora ficou conhecida pelo 7 a 1", opina o advogado Vladimir Senra, de 47 anos.

Em termos esportivos, porém, o fracasso em casa na Copa de 2014 foi seguida por outros vexames, na segunda era Dunga, que abalaram ainda mais a confiança da torcida.

As duas eliminações precoces na Copa América e o início de campanha ruim nas eliminatórias do Mundial-2018 só estão começando a ficar para trás com a retomada iniciada por Tite.

"Depois do 7 a 1, todo mundo pode esperar qualquer coisa. Esses fracassos todos acabaram com a paixão de muita gente. Por mais que as coisas estejam melhorando agora, a confiança demora a voltar", analisa a administradora Regina Guimarães.

Essa falta de confiança refletiu diretamente na venda de ingressos para o clássico desta quinta-feira. No início da semana, ainda haviam mais de 9.000 ingressos disponíveis para um estádio com capacidade para 62.000 torcedores.

A CBF precisou até lançar uma campanha no seu site para incentivar o público a ir ao Mineirão.

- Impossível de esquecer -Para Tite, porém, nada melhor que mais um grande jogo no Gigante da Pampulha para tentar mudar esse panorama.

"Assim que assumimos nos foi colocado: 'olha, um jogo está se encaminhando para o Mineirão', que era o palco do 7 a 1. E eu falei 'vamos lá'. E isso foi lá atrás. Ninguém sabia que venceríamos quatro jogos, que estaríamos na liderança", revelou o treinador na entrevista coletiva de quarta-feira.

"Vamos rotular o local? Então não poderíamos mais jogar no Maracanã. Isso é maturidade, tem que encarar", completou.

Se deixar de lado a Alemanha e levar em conta apenas os duelos com a Argentina, o retrospecto do Brasil no Mineirão é bastante favorável: em quatro jogos, foram três vitórias e um empate.

"O futebol é bom porque te dá oportunidades. Depois de tudo que aconteceu em 2014, temos uma nova chance de voltar aqui, com um grande clássico", concordou Paulinho, que era titular no 7 a 1.

Uma vitória sobre a 'Alviceleste' seria uma boa oportunidade de encerrar de vez um ciclo desastroso.

"O Brasil precisa ganhar da Argentina e tomar um novo impulso, porque chegamos a odiar essa seleção. De qualquer forma, é impossível esquecer o que aconteceu. Quem leva uma surra como essa nunca se esquece", recordou Felipe Simões.

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