Esporte

Béa Diallo, um boxeador no combate contra a jihad na Bélgica

14/11/2016 22h33

Bruxelas, 15 Nov 2016 (AFP) - Béa Diallo, um dos melhores pesos-médios de sua geração, tenta, nos ringues, afastar jovens belgas do extremismo islâmico, uma aproximação do lado sombrio que ele mesmo sentiu após ter sido atacado, quando jovem, por 'skinheads' em Paris.

"O boxe me permitiu ser o homem que sou (...) Agora, tento transferir essa força e os ensinamentos que recebi para uma geração que se sente perdida e abandonada pela sociedade", explica este pugilista muçulmano à AFP na academia onde dá aulas.

Diallo, nascido na Libéria há 45 anos, filho de pai guineano e mãe senegalesa, conheceu quando jovem a face da violência. Na capital francesa, onde seu pai atuava como diplomata, um grupo de 'skinheads' o atacaram juntamente com um amigo, que acabou perdendo um olho.

"Foi a partir desse momento que realmente senti uma revolta no meu interior e me torneio superviolento", lembra. "Se tivesse ocorrido em um contexto como o atual, em que há gente que vem lavar teu cérebro, poderia ter acabado na jihad".

A leitura sobre a vida de Gandhi e Martin Luther King, históricos defensores da não violência como ferramenta de desobediência frente às injustiças, fizeram com que deixasse para trás essa época obscura e o boxe virou uma escola de autodisciplina.

O boxe, no qual iniciou-se aos 16 anos e que lhe deu o primeiro de seus seis títulos internacionais, em 1998, contra o americano Rob Bleakley, abriu caminho para seu comprometimento político na Bélgica, onde atualmente se ocupa dos temas da juventude, emprego e inserção social como parlamentar regional.

'Uma luta contra todos'A paixão pela luta, no entanto, nunca o abandonou. Na academia "Emergence XL" do distrito de Ixelles, em Bruxelas, este pai de quatro filhos, com lenço vermelho na cabeça, se sente "muito próximo" de seus jovens aspirantes a pugilistas, alguns deles vulneráveis à propaganda jihadista.

"Sentem que o mundo é injusto e, portanto, que podem se tornar nos justiceiros deste mundo. Acreditam que agindo desta ou daquela maneira, podem mudá-lo", explica Diallo, que, através das aulas de boxe, costuma falar do Islã, do radicalismo ou da jihad com os "rapazes".

Em 22 de março, um atentado reivindicado pelo grupo Estado Islâmico matou 32 pessoas em Bruxelas. Um dia depois, ele pediu um minuto de silêncio na academia, o que pareceu desagradar alguns de seus alunos, aos quais perguntou: "Por que fazem essa cara?".

"Muçulmanos, cristãos, judeus, árabes, negros, brancos. Atacaram todo mundo, Poderia ter sido a sua mãe, o seu pai, o seu primo, a sua irmã (...) Não é uma luta do Islã contra o Ocidente, é uma luta contra todos vocês", disse-lhes.

Segundo as últimas cifras oficiais, 465 belgas estão atualmente na Síria nas fileiras do EI, voltaram de lá ou tentaram se engajar como combatentes extremistas, tornando este país de 11 milhões de habitantes em um dos países europeus com maior número de combatentes extremistas com respeito à população.

Algumas salas de artes marciais da Bélgica atraem os jovens candidatos à jihad, mas a "Emergence XL" recusa-se a admitir qualquer um que queira radicalizar seus alunos, explica Diallo, que se tornou em "um símbolo da integração bem sucedida" na Bélgica.

Para o parlamentar boxeador, "a jihad não é matar outra pessoa". "Não, é o combate que travo durante toda a minha vida que me permitiu me tornar alguém. E este é o trabalho que tentamos ensinar através, especialmente, do esporte".

lc-tjc/pc/mvv

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