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Dados técnicos reforçam hipótese de falta de combustível em acidente na Colômbia

01/12/2016 13h03

Paris, 1 dez 2016 (AFP) - O acidente com a aeronave da companhia aérea Lamia na Colômbia que deixou 71 mortos aponta para a hipótese de uma falta de combustível, de acordo com certos elementos técnicos do avião, explica Xavier Tytelman, especialista em segurança aérea.

- Pergunta: - A investigação se orienta a uma falta de combustível. É plausível?

- Resposta: - Existem sites que permitem conhecer a trajetória do avião, como FlightRadar24. Portanto, conhecemos a duração do voo em distância e tempo. Além disso, sabemos em função dos dados meteorológicos que o avião tinha o vento contra, voava com fatores desfavoráveis.

Comparamos isso com os dados do avião, incluindo quantidade de passageiros e bagagens, ou seja, cerca de oito toneladas, e em todos os casos deduzimos que o avião não tinha combustível suficiente.

Além disso, o avião gera energia elétrica a partir dos motores 1 e 4. Portanto, podemos deduzir que os problemas elétricos anunciados pelos pilotos são procedentes dos motores que vão se apagando um por um devido à falta de combustível.

P: - Como um avião pode decolar sem o combustível necessário?

R: - Na prática não pode, se seu plano de voo foi validado deveria ter feito uma escala para colocar combustível, mas não fez isso. Quando chegou a Medellín não estava sozinho, outros aviões estavam esperando para um pouso rápido. As conversas com a torre de controle divulgadas são arrepiantes, há três aviões pedindo prioridade. Talvez a torre de controle não tenha entendido qual era o mais urgente. Para o Avro (o avião acidentado) o fato de ter sido colocado em circuito de espera foi fatal.

Na Europa a regulamentação impõe que haja combustível para fazer o trajeto com mais uma hora ou uma hora e meia.

P: - O avião não avisa ao piloto que não tem combustível suficiente para o trajeto previsto?

R: - Não conheço esta aeronave, mas um Airbus ou um Boeing emitem um alerta quando o consumo é superior ao trajeto previsto. O avião indica aos pilotos graças as suas calculadoras que do local onde se encontra não tem combustível suficiente em relação à trajetória.

O Avro é um aparelho de terceira geração em matéria de segurança. O Airbus é de quarta geração com proteções superiores.

A história deste avião indica que em 2009 teve problemas de alerta de combustível na Finlândia. Foi o que aconteceu no outro dia? A análise das caixas-pretas, que estão intactas, permitirá descobrir rapidamente.

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