Esporte

Colômbia repatria corpos de vítimas da tragédia com voo da Chapecoense

02/12/2016 23h48

Medellín, Colômbia, 3 dez 2016 (AFP) - Os corpos das vítimas do acidente aéreo na Colômbia, que deixou 71 mortos, a maioria jogadores e integrantes da comissão técnica da Chapecoense, foram repatriados nesta sexta-feira, em sua maioria para o Brasil, onde é organizado um grande funeral.

Agitando balões brancos, bandeiras colombianas e flores, milhares de pessoas ocuparam as calçadas no trajeto até o aeroporto de Medellín, para dar o último adeus aos jogadores, dirigentes, jornalistas e tripulantes mortos no acidente aéreo.

O traslado dos corpos foi concluído às 17H20 local (20H20 Brasília), com a saída de um voo charter rumo ao Rio de Janeiro e a Florianópolis, com os corpos de oito jornalistas brasileiros, informou à AFP o porta-voz do aeroporto José María Córdova.

"A #Chapecoense ficará em nossa memória por sua perseverança e tenacidade. Reafirmo minha mais profunda solidariedade com os familiares das vítimas", escreveu no Twitter o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, quando partiu o último avião.

Estima-se que mais de 100 mil pessoas irão assistir, no sábado, à cerimônia prevista na cidade de Chapecó para homenagear seus heróis.

Segundo os organizadores, os torcedores que tiverem acesso aos 19 mil lugares nas arquibancadas da Arena Condá não poderão descer ao gramado para se aproximar dos caixões.

O maior desafio logístico dos 99 anos de história da catarinense Chapecó é agravado pela presença de diferentes autoridades e figuras do futebol, que irão à cidade para mostrar seu pesar diante do maior acidente aéreo do esporte mundial.

Participarão do ato o presidente do Brasil, Michel Temer, e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, que nesta sexta-feira suspendeu uma viagem para a Austrália para poder viajar até Chapecó.

"Estou em choque"Das seis pessoas que milagrosamente sobreviveram à queda - três jogadores e um jornalista brasileiros, além de dois tripulantes bolivianos - cinco permanecem internadas em hospitais próximos a Medellín.

O técnico de voo boliviano Erwin Tumiri recebeu alta nesta sexta, por volta das 15H30 local (18H30), da clínica Somer de Rionegro, e viajou para La Paz, onde será submetido a outros exames.

Nesta sexta-feira foi divulgado um vídeo do momento que a polícia colombiana resgata Tumiri.

"Alex! Ángel! David! Onde está minha tripulação?", pergunta o homem, visivelmente desorientado, aos policiais que lhe pediam que guardasse energia e não se desgastasse, enquanto o avaliavam e transferiam para um hospital.

"Estou em choque", disse Ximena Suárez Otterburg, a comissária boliviana que foi resgatada com lesões, mas consciente no local do acidente, uma parte remota a 50 km a sudoeste de Medellín, cidade colombiana onde a Chapecoense deveria jogar na quarta-feira a partida de ida pela final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional.

"Deus não pode explicar a dor que sinto", escreveu em sua conta no Facebook, da Clínica Somer de Rionegro, junto com fotos de vários membros da tripulação do avião da companhia Lamia, de matrícula boliviana, que faleceram após o choque contra as montanhas.

Além de Suárez e Tumiri, os zagueiros Alan Ruschel e Hélio Neto, o goleiro Jackson Follmann e o jornalista Rafael Henzel também sobreviveram.

"Que seja investigado"O avião que fazia a rota Santa Cruz de la Sierra-Rionegro se acidentou antes de chegar ao aeroporto José María Córdova, que serve a Medellín, por falta de combustível, segundo a principal hipótese dos investigadores.

A licença de voo das Lamia foi suspensa pelo governo da Bolívia, que iniciou uma investigação sobre o acidente. As autoridades suspeitam de normas flexíveis no controle aéreo.

O presidente boliviano, Evo Morales, pediu em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira "que seja investigado" tudo o que for relacionado à empresa aérea.

Morales assegurou que não interferirá na investigação da empresa Lamia, cujo diretor-geral, Gustavo Vargas, foi piloto do mandatário durante sua Presidência, mas também nos anos 1980, quando era dirigente sindical.

Vargas já admitiu que a aeronave não cumpriu com o plano de reabastecimento de combustível em Cobija, cidade boliviana fronteiriça com o Brasil ou em Bogotá.

"Não sei exatamente o que aconteceu, o que fizeram e o que não fizeram. A única coisa que sei é que estavam preocupados em salvar as vidas, mais nada", disse em entrevista à AFP, Bruno Goytia Gómez, filho de 18 anos do copiloto do avião, Ovar Goytia.

Agoniado, contou que seu pai havia transportado dezenas de equipes de futebol, entre elas as seleções da Argentina, Bolívia e Venezuela.

Além de clubes como o Sol da América, do Paraguai, times bolivianos e o próprio Atlético Nacional, de Medellín, adversário da Chapecoense na final do torneio continental.

"Tenho muito pena de ter sido dessa forma. Muitas pessoas boas, amigáveis, com uma felicidade muito grande", disse sobre os jogadores falecidos, de quem lembra rindo, cantando e tomando mate.

O acidente acabou com a trajetória da Chapecoense, clube fundado há 43 anos e que desde 2009 vinha conquistando um grande espaço no futebol.

bur-raa-ad/ol/cb/mvv

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