Esporte

Chapecoense tem árdua missão de voltar a jogar futebol

05/12/2016 19h54

Chapecó, Brasil, 5 dez 2016 (AFP) - Arrasado pelo furação que sucedeu a tragédia, a Chapecoense começa nesta segunda-feira o resto de sua vida, com um último consolo: ter sido declarada campeã da Copa Sul-Americana. A missão mais difícil, porém, será preencher o vazio deixado pelos que se foram.

Nas montanhas de Medellín jazem o presente e o futuro da equipe que, após 43 anos de luta, alegrias efêmeras e décadas de esquecimento, vinha conquistando o continente com sua incrível aventura.

Um sonho impensável quando, em 2005, esteve a ponto da falência.

A decisão da Conmebol de entregar à Chape o título continental e a premiação de dois milhões de dólares contou com o apoio incondicional do Atlético Nacional, que teria sido o adversário do time catarinense na final. "Campeões eternos, pela honra e pelo mérito", escreveu o clube colombiano no Twitter.

- Recomeçar outra vez -"Perdemos praticamente todos nossos bens. Tudo que havíamos conquistado, teremos que começar do zero, como em 2009, quando não disputávamos nenhuma divisão (nacional) e chegamos até a Serie A", afirmou o presidente em exercício Ivan Tozzo, na quarta-feira.

"A partir da semana que vem teremos que começar a pensar, porque não temos 11 jogadores para colocar em campo. Precisamos muito do apoio de todos os clubes e principalmente da CBF e da emissora Globo (dona dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro)", completou.

O mundo assistia estremecido à tragédia do valente clube, que, ao mesmo tempo em que caia em desgraça, recebia uma enxurrada de mensagens de apoio.

Em apenas dois dias, 13.000 pessoas se associaram à Chapecoense, que até então contava com 9.000 sócios, enquanto os outros clubes se uniam para tentar garantir sua sobrevivência, em um momento em que o time catarinense não tinha forças para pensar no futuro.

Nas primeiras horas após a tragédia, muitos clubes se ofereceram para emprestar jogadores e pediram à CBF que não deixasse a Chape ser rebaixada nas próximas três temporadas.

- A ameaça do esquecimento -Apesar do horror ter parado o tempo em Chapecó, o frenético calendário do futebol brasileiro segue correndo. Exausto e com as esperanças e sonhos destruídos, o clube precisa lançar-se em uma corrida contra o relógio para armar uma equipe competitiva em apenas dois meses, quando terá início a nova temporada.

Como base para sua reconstrução, a Chapecoense conta com dez jogadores que não viajaram a Medelín, além dos jovens das categorias de base, que já anunciaram querer subir para o time profissional.

Apesar de ter conseguido uma invejável saúde econômica, algo raro no futebol brasileiro, a tragédia deixou também a Chapecoense diante de uma delicada situação financeira.

A entrada de dois milhões de dólares no cofre do clube em premiação pelo título sul-americano já será um alívio. No total, o clube arrecadará 3.925.000 de dólares com sua participação na competição continental, somando a premiação por cada fase superada.

Caso a Fifa, empresários ou algum grande clube concretizar sua solidariedade com algum aporte financeiro, a situação poderá ser ainda melhor.

O maior inimigo do futuro incerto da Chapecoense, contudo, é a ameaça do abandono.

Enquanto observava sob forte chuva a saída dos últimos caixões da Arena Condá, Gilberto Escher se mostrava cético em relação a todas as promessas escutadas desde o acidente.

"Espero que se cumpram as promessas, mas não acredito. No momento de dor todos querem apoiar, mas logo isso cai no esquecimento", afirmou o vendedor de 46 anos.

- Esperança perdida -Com sua história paralisada pela tragédia, a dolorosa reconstrução da Chapecoense pode levar anos. Foi assim com o Torino, devastado pelo acidente aéreo de Superga, onde faleceram 18 jogadores e toda sua comissão técnica, em 1949. O clube italiano precisou de 30 anos para que o time, que voava rumo ao quinto título seguido, voltasse a conquistar um troféu.

O Manchester United precisou de menos tempo para se reerguer, depois do desastre aéreo de Munique em 1948 -23 pessoas morreram, incluindo oito jogadores do clube-, demorando uma década para vencer pela primeira vez a Copa da Europa. Isso sob o comando de Matt Busby, que havia sobrevivido ao acidente.

Quase seis décadas depois do acidente, Old Trafford segue homenageando a cada 6 de fevereiro os heróis que se foram naquela gélida noite de inverno.

Só o tempo poderá esclarecer o que o futuro reserva a uma Chapecoense que busca agora reencontrar forças para recuperar a motivação de jogar futebol.

"Era inimaginável ver onde a equipe chegou. Agora choramos pelas pessoas, mas o clube vai buscar forças para ser ainda maior", afirmou o arquiteto de 30 anos Gleison Loraschi, enquanto se despedia dos ídolos.

"Eu vou continuar vindo a todos os jogos, agora com mais paixão e vontade de ajudar do que nunca", completou.

Entre as ruínas, a Chapecoense se agarra à vida.

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