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Piloto da Lamia não alertou sobre emergência no avião (sobrevivente)

05/12/2016 19h00

La Paz, 5 dez 2016 (AFP) - O piloto da aeronave da Lamia que caiu transportando a equipe da Chapecoense em Medellín, deixando 71 mortos, não alertou aos passageiros sobre a situação de emergência.

"Todos acreditávamos que iríamos aterrissar", declarou nessa segunda-feira Erwin Tumiri, um dos seis sobreviventes do acidente aéreo.

"Ninguém entendeu o que estava acontecendo, acreditávamos que iríamos pousar, porque o piloto já havia anunciado a aterrissagem e esperávamos por isso", afirmou Tumiri em uma coletiva de imprensa em Cochabamba (centro da Bolívia), onde se recupera de suas lesões.

O técnico aeronáutico Erwin Tumiri e sua colega boliviana, a aeromoça Ximena Suárez, sobreviveram ao acidente assim como outros quatro passageiros. O avião se chocou contra o solo com 77 pessoas a bordo, entre as quais estavam jornalistas e a equipe de futebol da Chapecoense.

"Tudo aconteceu muito rápido, de repente o avião começou a tremer, as luzes normais se apagaram e se acenderam as de emergência", relatou, desmentindo versões da mídia que relataram pânico na aeronave, além do que Tumiri teria tido tempo para pensar em como salvar sua vida.

"Não utilizei malas e nem tinha gente gritando e levantando de suas poltronas como disseram por aí", assegurou ele.

Foi a colega aeromoça que o alertou que algo estava acontecendo, e "logo todas as luzes se apagaram e em questões de minutos o avião começou a tremer e logo após isso ocorreu o impacto. Senti como se estivesse dentro de uma lata de alumínio que se dobrava, senti o impacto e já acordei de bruços em um um terreno em declive", onde foi resgatado por socorristas colombianos.

Diante disso, o governo boliviano encontrou indícios de irregularidades no funcionamento e nas operações do avião da Lamia, afirmou o ministro de Serviços, Milton Claros. Como primeira medida, ele demitiu altos funcionários aeronáuticos da companhia e abriu um inquérito contra o técnico que autorizou o voo.

Uma das principais hipóteses discutidas é que o avião colidiu com o solo devido à falta de combustível próximo a conseguir pousar no aeroporto de Rionegro, em Medellín, Colômbia.

A Lamia argumentou na Bolívia que a aeronave, um BA-146 modelo RJ85, devia ter sido reabastecida no povoado boliviano de Cobija, localizado no extremo norte do país, para então prosseguir em sua rota até a Colômbia.

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