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Versão final do relatório McLaren promete mais revelações bombásticas

David J. Phillip/AP
Imagem: David J. Phillip/AP

Da AFP, em Londres

08/12/2016 17h22

O jurista canadense Richard McLaren divulga nesta sexta-feira, em Londres, a versão final do seu relatório explosivo sobre o doping sistemático e estatal na Rússia, com foco principal nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi-2014.

Cinco meses depois da publicação da primeira parte, que assombrou o mundo do esporte às vésperas dos Jogos do Rio-2016, novas revelações estarrecedoras são esperadas.

Qual era o teor da primeira parte do relatório?

No dia 18 de julho, McLaren soltou uma verdadeira bomba a poucos dias dos Jogos do Rio. Encarregado dois meses antes pela Agência Mundial Antidoping (Wada) de investigar as denúncias do ex-diretor do laboratório de Moscou, Grigori Rodtchenkov, o canadense evidenciou um sistema de doping de estado implantado em 2011.

Com objetivo de turbinar o desempenho dos atletas para que brilhem em casa nos Jogos de Sochi-2014, entre outros eventos, esse esquema continuou até 2015, baseando-se na manipulação e falsificação de amostras de exames antidoping.

O COI decretou que as sanções seriam aplicadas pelas Federações Internacionais de cada esporte, o que tirou dos Jogos do Rio mais de cem atletas russos citados direta ou indiretamente no relatório McLaren.

O que pode se esperar da segunda parte do relatório?

São esperadas novas provas da recorrência e do aspecto sistemático das manipulações, dando mais embasamento às denúncias da primeira parte do relatório.

De acordo com uma fonte próxima do caso, mil atletas estariam envolvidos e muitos nomes devem ser tornados públicos.

"Não sei o que constará no relatório, mas vale ressaltar que se trata do quarto relatório sobre a Rússia. O certo é que o esporte russo está totalmente podre", avisou em entrevista à AFP Travis Tygart, diretor da Agência Americana Antidoping (Usada).

As autoridades russas também se preparam o pior: "um violento ataque contra o esporte russo", prevê Vitaly Mutko, ministro dos Esportes no momento dos fatos, que foi promovido ao cargo de vice-primeiro ministro encarregados dos esportes.

O presidente do COI, Thomas Bach, preferiu "não especular" sobre o conteúdo do relatório, mas deixou claro que pretende "agir logo depois da divulgação". "Teremos que encarar muitos novos desafios de forma imediata", avisou.

Quais podem ser as consequências dessas novas revelações?

É nesse aspecto que as expectativas de quem prega por um esporte limpo correm risco de ser frustradas.

O COI, que terá como próximo evento os Jogos de Inverno de Pyeongchang-2018, na Coreia do Sul, não vem mostrando muita firmeza ultimamente, recusando-se a ceder aos apelos da Wada para punições coletivas contra a Rússia.

"Se fosse a Guatemala, a resposta teria sido diferente e bem mais rápida. Se o movimento olímpico não reagir de forma mais firme e severa, sua credibilidade estará ainda mais abalada", critica o também canadense Dick Pound, ex-presidente e fundador da Wada.

Pound liderou a comissão independente da Wada que denunciou o esquema de doping organizado na Rússia especificamente no caso do atletismo. Em novembro do ano passado, ele conseguiu convencer a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) de suspender o país de todas as competições internacionais da modalidade. A punição coletiva impediu, por exemplo, a saltadora com vara Yelena Isinbayeva de buscar o tricampeonato olímpico no Rio.

No caso do relatório McLaren, caso muitas provas apareçam sobre um esporte em particular, nada impede outras federações internacionais de aplicar sanções drásticas, como foi o caso do levantamento de peso às vésperas dos Jogos.

Em julho, o COI deixou claro que não iria apoiar eventos esportivos internacionais realizados na Rússia, mas isso não impediu Sochi de obter a organização do Mundial de Bobsleigh, marcado para fevereiro de 2017.

Como a Rússia encara a necessidade de reformas do seu sistema de luta antidoping?

Desde a divulgação do relatório McLaren, as autoridades russas tentam convencer o mundo de que estão agindo. No dia 1º de dezembro, o próprio presidente Vladimir Putin anunciou o lançamento em fevereiro um grande programa nacional antidoping que promete ser "mais moderno'.

Em termos jurídicos, a Rússia conta agora com uma lei que pune com penas de prisão treinadores ou médicos reconhecidos culpados de terem obrigado atletas a tomar substâncias proibidas.

Muitos dirigentes citados no relatório foram demitidos, mas a promoção de Mutko vai na contramão desse movimento.

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