Esporte

De atletas a artistas, cubanos descobrem vida de sonho em Paris

16/12/2016 13h50

Paris, 16 dez 2016 (AFP) - Eles descobriram o frio e a liberdade: Yandro, Dariel, Leonard e Jenifer largaram a dura vida de atleta em Cuba para viver uma vida de prazeres e viagens com uma trupe de circo, a Cirkacuba, em Paris.

"É a vida com a qual sempre sonhei, eu viajo e faço tudo que realmente gosto", comemora Jenifer Jane Iglesias, de apenas 19 anos, mas olhar orgulhoso.

A jovem, ex-ginasta, é uma das atletas que compõe a trupe cubana de 45 artistas do Circo Phénix, que atualmente se apresenta em Paris antes de partir em turnê pela França e pela Europa.

Uma viagem inédita e bem distante da ilha caribenha, que atualmente convive com o luto pela morte do histórico líder Fidel Castro, em 25 de novembro.

Reunidos na cantina do circo, em torno dos pratos feitos pela cozinheira Myrtha, os artistas, de adolescentes a septuagenários (os músicos), conversam, brincam, mas ninguém cita o falecido "Comandante".

"Eles têm um grande respeito por Fidel, mas não estão muito emocionados. No dia do funeral, dois deles comemoraram aniversários de 20 anos e fizeram uma festa", conta David Dickens, um dos responsáveis pelo Circo Phénix.

Todos apreciam a nova vida.

"A vida de um ginasta era pesada e o treino árduo. Requer muita disciplina obedecer permanentemente as ordens dos técnicos. Não é o caso no circo. Se algo te agrada, é isso que conta", explica Jenifer, que brilhava nas barras assimétricas antes de se tornar artista de circo.

- Uma dia de trabalho: 5 meses de salário -Yandro Calderon Martinez já viveu diversas vidas. Grande atleta do taekwondo, o cubano se conscientizou rapidamente que seria difícil viver do esporte e trabalhou em uma clinica de radiologia antes de largar tudo para virar dançarino.

"Eu sou capaz de recomeçar do zero em qualquer lugar, na medida que a vida te oferece possibilidades de trabalho para que ela seja melhor", garante Yandro, 28 anos.

Os artistas da trupe recebem uma remuneração para cada apresentação. "Uma dia de trabalho aqui equivale a cinco meses de trabalho em Cuba", revela Dickens.

Dariel Torez Poro sonhava em se tornar campeão olímpico de luta. Hoje, ele dá piruetas no trapézio.

"Eu fui cinco vezes campeão nacional, tive bons resultados. Mas foi ficando cada vez mais difícil e meu sacrifício não era recompensado. Não faziam nada por mim, fiquei decepcionado... No circo, nos cansamos menos e nos divertimos mais, sempre estamos rindo", explica este cubano de 23 anos.

Dariel, oriundo de uma família de lutadores, teve dificuldade para encarar a rivalidade na seleção cubana. Enquanto um de seus primos optou pelo exílio nos Estados Unidos para praticar seu esporte, Dariel preferiu o trapézio. "É lá que me sinto um verdadeiro campeão".

Fazer parte da seleção nacional cubana não é tarefa fácil. São poucos os escolhidos e não há grandes perspectivas a longo prazo, em um país no qual as dificuldades econômicas são muitas e é preciso ter desenvoltura para sobreviver.

Halterofilista de sucesso, Leonard Boudet Magdariaga apostou no fisiculturismo para ganhar dinheiro.

"A vida de atleta em Cuba é uma vida de sacrifícios, sem festa, dormindo cedo", explica o musculoso rapaz de 27 anos, hoje trapezista.

"Agora, a vida é mais fácil", comemora.

sc-dmk-ra/fbr/am

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