Esporte

Gabriel Jesus, o menino que sempre quis jogar com os mais velhos

23/12/2016 13h14

São Paulo, 23 dez 2016 (AFP) - Para a torcida do Palmeiras, Gabriel Jesus é visto como um santo, enquanto Ronaldo 'Fenômeno' diz que é seu digno sucessor, mas a mãe do craque lembra que é apenas um jovem de 19 anos, que se preparar agora para encarar o desafio de brilhar na Inglaterra.

Seduzido pela velocidade e habilidade do jovem brasileiro, Pep Guardiola venceu a queda de braço com outros gigantes do futebol europeu, que também pretendiam contar com o talento da nova joia brasileira.

Enquanto Gabriel Jesus se preparava para disputar os Jogos do Rio-2016, o Manchester City anunciou sua contratação por 32,2 milhões de euros, mas permitiu que se apresentasse somente em janeiro. Acostumado a viver com pressa, Gabriel não perdeu tempo.

Conquistou o inédito ouro olímpico com o Brasil, estreou na seleção principal marcando dois gols e conquistou com o Palmeiras o primeiro título brasileiro do clube em 22 anos.

Com o prêmio de melhor jogador do Campeonato Brasileiro no bolso, Gabriel Jesus fechou o ano como artilheiro da seleção, com os mesmos cinco gols de Philippe Coutinho, um a mais que Neymar.

Uma evolução que não surpreendeu os voluntários do clube Pequeninos do Meio Ambiente, de São Paulo, por onde há onze anos aparecia um menino carregando suas chuteiras e com uma obsessão pela bola.

"Já no primeiro treino vimos que ele era diferenciado, superava os outros. Ele não era só talentoso, mas também nunca faltou... Sempre teve a determinação para ser profissional", lembra José Francisco Mamede, um de seus técnicos na época.

No mesmo campinho de terra da prisão militar Romão Gomes, onde até hoje treina esta equipe que trabalha para tirar crianças das ruas para colocá-las no futebol, Gabriel Jesus ganhou o apelido de 'Tetinha'.

Todos os jogos e adversários eram uma 'teta' (fácil) para este garoto atrevido, que encontrava no campo de futebol a comodidade que à dura vida na periferia o privava.

- Seu 'pior zagueiro' -Guiado pela bola, Gabriel Jesus foi aos 14 anos jogar por um clube que disputava duros torneios amadores. Nos jogos com o novo time, diante de adversários muito mais velhos e fortes, aprendeu a ser polivalente e cada vez mais resistente.

"Às vezes eu jogava três ou quatro jogos seguidos. Era demais. Em alguns momentos eu chegava a ficar com cãibra", lembrou depois o próprio jogador.

Foi naquela época que sua vida mudou para sempre, quando os olheiros do Palmeiras reconheceram naquele adolescente o ídolo que a torcida esperava há décadas.

Mas antes dos prêmios, da fama e do dinheiro, a vida de Gabriel Fernando de Jesus estava a um abismo de distância de Manchester. Sua mãe, dona Vera, criou o menino sozinha com outros três filhos na comunidade pobre de Jardim Peri, Zona Norte de São Paulo.

Não havia luxo na família desta mulher de caráter forte, que se virava para pagar as contas e que até hoje é chamada por Gabriel Jesus de sua "pior zagueira", pela ferrenha marcação no dia a dia. Apesar do imenso orgulho pelo sucesso do filho, dona Vera pedia perdão a Deus a cada vez que a apaixonada torcida do Verdão cantava "Glória, glória, aleluia... É Gabriel Jesus", para não ofender as santidades.

"Gabriel tem uma estrela muito grande, saiu de um bairro muito pobre e por isso não tem medo. Vai se adaptar à comida, ao frio de Manchester e a tudo. Em três anos ele vai ganhar a Bola de Ouro, porque (Lionel) Messi já estará meio velho", garante Mamede, que aos 58 anos ainda conserva o fusquinha branco com o qual levava até onze meninos aos jogos.

- Contra a pressão -Apesar de sua vida parecer agora um conto de fadas, Gabriel Jesus precisou aguentar o peso da responsabilidade nos ombros. Órfão de ídolos, o Palmeiras o mimou desde a adolescência, enquanto o Brasil comemorava o fato de haver vida além de Neymar e o interesse de Guardiola em seu futebol o colocava sob os holofotes do mundo.

Muita emoção para um menino de 19 anos, que se derreteu em lágrimas após balançar as redes contra o Atlético Mineiro, em novembro, ajudando o Palmeiras a se aproximar do tão esperado título brasileiro. Apenas dois dias antes, Gabriel Jesus havia sido o grande protagonista da seleção brasileira no Peru, marcando um gol e dando uma assistência, em um momento em que era questionado por não marcar a oito jogos pelo Verdão.

No Manchester City, Gabriel Jesus terá que encarar a sempre atenta imprensa inglesa, que já perguntou ao exigente Guardiola se o jovem brasileiro poderá seguir bebendo Coca-Cola.

Para se proteger, Gabriel Jesus leva seu bairro, dois amigos de Jardim Peri e, claro, dona Vera tatuados no braço.

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